O São Paulo nem precisa ser campeão

Assistir o processo de empequenamento de um clube de futebol pode ser divertido para um rival. Quem é apaixonado de verdade pelo esporte, pode até gostar da brincadeira e entender que ela faz parte de todo o cenário folclórico que sustenta essa modalidade tão apaixonante. Mas, convenhamos. Dói ver uma Portuguesa afundar no poço. Não é legal saber que um Vasco da Gama, que tanto ganhou e foi temido não só aqui, mas em toda a América, hoje é um clube que, ano após ano, entra no Brasileirão para não cair.

Afinal, foram três descensos em 10 anos. O Botafogo deu suspiros de reação, mas ainda está longe de ser aquele Bota dos anos 50 e 60. E nós queremos mais Garrinchas e menos Zé Manés. Nós queremos mais Raís, Luganos e Rochas. O São Paulo parece que entendeu que estava caminhando para um cabuloso cenário de ‘se não cair, está bom’. Como assim, bom? O São Paulo é um dos clubes com mais títulos internacionais no planeta. O São Paulo é vanguardista em tratamento físico, fisiológico e fisioterapêutico, não apenas no Brasil, mas no mundo.

Não falamos apenas de taças conquistas em campo quando falamos de um clube de tamanha envergadura. Os benefícios trazidos para o futebol vão além e atingem até os rivais. Ou será que é possível negar que, o Morumbi não fez corintianos e palmeirenses desejarem ter um estádio tão portentoso quanto? E conseguiram. Não é inveja. Não é copiar. É se espelhar no que é bom.

Só que o São Paulo dos últimos anos deixou de ser bom exemplo. Os dirigentes foram sugando as energias e até finanças do clube que voltou a viver fase semelhante à da construção do Morumbi. O problema é que a atual seca de taças não tem justificativa. O São Paulo estava sendo descontruído. E depois do orgulho ser soberano pelas alamedas no Morumbi, os dirigentes reconheceram que era preciso dar um passo para trás. Figurões como Leco ficaram longe dos holofotes e marcas sagradas como Raí e Lugano assumiram as rédeas. Deram a oportunidade para um Aguirre, sedento por conquistas, assim como é o clube.

A torcida é louca por títulos e está renovada. Conseguiu tirar o clube do buraco em 2017 – não fosse ela e Hernanes, o São Paulo estaria hoje na Série B. E hoje vê um time que não quer mais saber de perder. Pode até não ser campeão brasileiro. Nem precisa. Já reconstruiu o espírito vencedor. A necessidade de taça em 2018 é muito mais para elevar ainda mais a moral para um 2019 que promete. Organizado, humilde e trabalhador, o São Paulo de hoje é um clube que pode voltar ao status vanguardista e escapar do trágico cenário que muitos caem, o de ser normal “só brigar para não cair”. O São Paulo se levanta e traz muita coisa boa com ele. Até a renovação de ânimo de rivais que corriam o risco de se acomodar na boa fase…

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