Exclusiva: Parceiro fala sobre planos para a retomada do Guaçuano

O Clube Atlético Guaçuano completará 90 anos de história na próxima temporada. É óbvio que não é possível prever o futuro, mas, tudo indica que, no dia 26 de fevereiro de 2019, o Mandi ainda estará em inatividade. Uma situação que chegou após uma união de fatores. Da incompetência das últimas gestões para manter o clube em condições de jogo, até o desleixo da administração municipal com o estádio Alexandre Augusto Camacho, que deixou o Guaçuano sem uma casa para atuar.

O Atlético está parado desde 2014, causando tristeza em uma grande parcela da população de Mogi Guaçu. Porém, nas últimas semanas, um anúncio parece ter trazido esperança aos torcedores do Mandi. A ASB Management anunciou em suas páginas nas redes sociais que firmou parceria com o Alviverde. Mas, quem são as pessoas envolvidas? Quais são os projetos? Quais são os interesses? Como que as barreiras atuais serão superadas. Tudo ainda é muito embrionário, mas, a reportagem do GRANDE JOGADA foi atrás de um dos sócios-proprietários da ASB. O empresário Leonardo de Castro Azevedo Serrano, conhecido no meio esportivo como Léo Serrano, concedeu uma entrevista exclusiva ao GRANDE JOGADA. E falou sobre tudo. Neste material, vocês vão conferir como a parceria foi construída e quais são os planos para o Mandi. Há projetos para a base, mas, com a noção de que, sem futebol profissional, uma agremiação não sobrevive.

A EMPRESA

Para começar, é importante compreender qual é a empresa que está por trás desta parceria. O anúncio foi feito pelas redes sociais da ASB Sports Management. Esta aqui é a página do Facebook e esta a do Instagram. Já o site oficial é o www.aspalbrasil.com. Ou seja, ASB nada mais é que a abreviatura de Academia Spal Brazil. A empresa mantém vínculo com a Società Polisportiva Ars et Labor, conhecido como Spal (mais uma vez, uma abreviatura). O clube de Ferrara, uma cidade com pouco mais de 130 mil habitantes, situada no Norte da Itália, foi fundado em 1907 e refundado duas vezes, em 2005 e em 2012. Excluído da Serie D italiana em 2012, voltou no mesmo ano e iniciou uma arrancada que culminou com o título da Serie B em 2016/2017, chegando à elite da Itália na última temporada. O clube, que já contou com atletas como Fábio Capello, icônico técnico italiano, em sua lista de atletas, é um dos trunfos da ASB.

Em uma rápida pesquisa, é possível checar o CNPJ da Academia Spal Brazil Ltda (26.910.557/0001-53). A inscrição como pessoa jurídica indica que o endereço da empresa é a avenida Paes de Barros, nº 52, apartamento nº 4, no bairro da Mooca, em São Paulo (SP). A abertura ocorreu em 19 de janeiro de 2017, com a descrição da atividade como “agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas – CNAE 7490105”. O quadro societário conta, além de Serrano, com Edno Mendes Pinto.

No bate-papo com o GRANDE JOGADA, Serrano foi muito cuidadoso ao falar sobre eventuais parcerias envolvendo a Spal com o Mandi, mas não descartou uma relação no futuro. “É algo que a gente pode ajudar de maneira bem cautelosa. O negócio do Guaçuano funcionando de maneira profissional, de maneira organizada, nada impede de a gente trazer a Spal até aqui ou levar o Guaçuano até lá. De fazer intercâmbio de jogadores, disputar campeonatos na Itália, trazer investidores ou patrocinadores da Itália para cá”, frisou Serrano.

INVESTIMENTO

Todas as vezes em que Serrano falou sobre a atuação da ASB com o Guaçuano, ele deixou claro que a concepção é de parceria e não de investimento. Até mesmo quando foi colocada na conversa a questão da Spal, ele falou em investidores, mas quis deixar clara sua posição sobre esta alternativa. “Quando eu falo investidores, é um investimento pontual, coisa dentro da realidade, coisa possível e não chegar aqui e vender o clube para alguém, você entende? A partir do momento que você faz um contrato com um investidor é como se você tivesse vendendo o clube para ele temporariamente, arrendando o clube e isso não é saudável, então, tem que ser feito algo organizado dentro do sentido de dar oportunidade para os jogadores e profissionais do Guaçuano de poder jogar lá fora, de poder estudar lá fora, de poder trabalhar lá fora e vice-versa, de trazer gente para cá para conhecer o nosso trabalho. A ideia do Spal é essa realmente, ele quer que a gente tenha uma estrutura de trabalho para poder vender jogadores para eles”.

O QUE GANHARÃO COM A PARCERIA?

Com a promessa de assumir uma agenda de contribuição com o Guaçuano mesmo sem ter nenhuma relação prévia com o clube, como uma passagem como atleta ou relação afetiva com Mogi Guaçu, se tornou ainda mais obrigatória a pergunta. O que a ASB vai ganhar com a parceria? Serrano respondeu, dizendo que, a princípio, trabalhariam de graça. “A gente está fazendo realmente algo voluntário para o Guaçuano. Mas, qual é o nosso interesse financeiro? É poder também fazer a gestão de carreira dos atletas do Guaçuano, de poder atuar na gestão de carreira, comissão nas negociações, que é como a gente trabalha hoje. A gente faz a formação, a gente intermedia negociações e a gente, sendo um parceiro do Guaçuano, já vai ficar muito bom, é algo que a gente está familiarizado, algo que a gente sabe como fazer, porque a gente sabe formar jogadores, mas também sabemos vender jogadores. E trazer negócios. Quanto mais negócios a gente conseguir trazer, mais negócios a gente vai conseguir fazer”, explicou.

SITUAÇÃO DO GUAÇUANO

Para quem ‘cair de para-quedas’ no assunto, eis aqui um tema extra. Um resumo da situação do Guaçuano. O Mandi atuou embalado no futebol paulista. Em 2001, por exemplo, estava na Série B2-A, ou Série B3, equivalente à sexta divisão estadual. Em 2002, 2003 e 2004, esteve na Série B1-B (quinta divisão) e entre 2006 e 2011, participou da Série B-1 (hoje Segunda Divisão, espécie de Série A4). O acesso em 2011 levou o time a jogar a Série A3 em 2012, 2013 e 2014, ano do rebaixamento e o último em atividade profissional.

Ou seja, pela primeira vez no século, o clube passou por um hiato de inatividade. Pouco antes, em 2013, no primeiro ano da volta de Walter Caveanha à cadeira de prefeito de Mogi Guaçu, o Camacho, que é um estádio municipal, não atendeu às exigências da Federação Paulista de Futebol. As melhorias exigidas não foram executadas pela Prefeitura e o clube que atuar com portões fechados. Em campo, quase escapou da degola, um ano após lotar as arquibancadas do Camachão em uma campanha que beirou o acesso à Série A2. Em 2014, mais uma vez sem o estádio, teve que sediar as partidas em Itapira.

Mesmo com várias excursões de torcedores à cidade vizinha, o clube capengou em campo e foi rebaixado com antecedência. O descenso nunca se cumpriu porque a Prefeitura manteve a postura de não cumprir as exigências da Federação e o clube de quase 90 anos sumiu do mapa do futebol. Paulo César Sabino, então presidente, renunciou ao cargo, mas, conduziu Israel Lanza, o Tamborim, ao cargo. A eleição não teve a ata registrada e formalizada, mas, Lanza consta como presidente. Em 2016, não houve sequer uma eleição e, formalmente, o clube não possui uma diretoria consolidada. Este é um dos pontos questionados pela Federação que, para aceitar a retomada do clube, além de um estádio em condições de receber público, precisará receber os valores atrasados desde que o clube entrou em estado de hibernação.

ENTREVISTA

São muitos os tópicos desta entrevista e, para que a maior parte das dúvidas do torcedor do Mandi seja sanada, publicamos aqui a íntegra da entrevista  com um dos executivos da ASB Sports Management.

GRANDE JOGADA: Nas últimas semanas parece que as tratativas  com o Guaçuano caminharam bem. Como está a negociação?

Leonardo: Então, de uns três meses para cá calhou do Israel (Lanza, presidente do Guaçuano) retomar, né?! Ele chegou e falou para gente “oh Leonardo, se vocês não vierem para cá eu vou sair…  eu vou fazer o negócio acontecer tal”. Aí estivemos em Mogi Guaçu para conversar com ele. Foi bem na época que eu estava terminando meu curso de gestão esportiva no Rio de Janeiro, aí eu falei. “ah meu, agora vou estar mais tranquilo, dá para a gente voltar a conversar”. Aí foi onde tudo começou… isso foi na semana retrasada se não me engano. Estivemos aí, semana passada e agora começamos a levantar né, rastrear todos os problemas aí para ver o que a gente consegue fazer. No intuito até mesmo de assessorar o Israel em todos os problemas para fazer o Mandi retornar.

GRANDE JOGADA: Em relação a questão de data para me situar mais ou menos, essa conversa retomada que vocês estão concluindo, mais ou menos que mês?

Leonardo: Essa conversa foi semana retrasada. Deixa eu ver a data mais ou menos que a gente estava lá….

GRANDE JOGADA: Vocês anunciaram há mais ou menos umas duas semanas no Facebook.

Leonardo: Foi isso mesmo, foi isso mesmo. A foto que eu coloquei foi a foto de dois anos atrás, mas foi para registrar mesmo. Foi semana retrasada que a gente esteve aí, quando o Israel me chamou. Aí ele me passou toda a situação de como estava, o que ele queria e tal, aí falei “Israel, podemos fazer uma parceria para a gente te auxiliar na gestão, para você não ficar sozinho. Pela formação, nossa a gente vai te orientado e vamos desenvolvendo projetos em cima de cada problema aí para tentar resolver um a um, né?!”. Aí foi onde eu coloquei no Instagram que a gente fechou uma parceria para a gestão do Guaçuano. Essa foi só a primeira conversa, sem contrato, sem nada. Foi mesmo para eu ver qual era o objetivo dele, o que ele precisava fazer, o que ele queria. Até porque eu estava um pouco off de Mogi Guaçu, eu estava envolvido em outros projetos. Aí a gente falou, tá bom, vamos montar aqui umas prioridades, semana que vem a gente se reúne, começa a rastrear, falar com as pessoas envolvidas, rastrear todos os problemas e montar um plano de ação para cada um. E a semana passada estivemos aí justamente para isso… para ver a questão do estádio, para ver a questão da filiação do clube, a possibilidade de criar um projeto social envolvendo escolas para fazer captação para as categorias de base do Guaçuano. Fomos conhecer os campos também que têm na cidade e agora estamos na etapa de desenvolver alguns projetos e rastrear alguns problemas, principalmente o do estádio, porque sem o estádio nada acontece.

GRANDE JOGADA: Você falou em relação ao estádio. Vocês tiveram recentemente uma reunião com alguma autoridade, o prefeito, algum vereador, alguma coisa neste sentido?

Leonardo: Tivemos com o (Luís) Zanco, que é o presidente da Câmara, que é um vereador. Por que tivemos com ele? Porque, segundo o Israel, teria um laudo mais atualizado do estádio com as melhorias, com as alterações que precisam ser feitas no estádio e na verdade o intuito desta reunião foi unicamente para isto, para saber onde está este laudo técnico. A gente não sabe o tamanho do problema, pode ser pequeno… eu não faço ideia… pode ser um probleminha pequeno que rapidamente você resolve porque dependendo a gente cria alguma ação justamente para isto, para resolver este problema. A gente não sabe se a construção vai custar R$ 1 mil ou R$ 1 milhão. Eu vi o estádio do Mauaense, vi o estádio do Itararé, vi o estádio de Amparo… o Camacho é melhor e está interditado. Então, são coisinhas assim que, de repente, pode ser resolvido rapidamente, só que precisa de uma agilidade né?!  E, infelizmente, a gente depende de muita gente para fazer essas coisas, mas, vamos rastrear, porque  a ideia é fazer o negócio acontecer.

GRANDE JOGADA: Este aspecto do campo inclusive, um dos pontos principais e não sei se vocês estão com este intuito, de uma reunião com o prefeito, o Walter Caveanha?

Leonardo: Pelo que eu percebo, a Prefeitura não tem nenhuma verba disponível para fazer qualquer tipo de melhoria e eu também, Lucas, falei para o Israel. “Israel, a gente não pode contar com Prefeitura. Nessa altura do campeonato, está há cinco anos parado o clube que é o entretenimento da cidade, o time da cidade, uma torcida apaixonada, torcida organizada ali… a gente pode contar com isso.. Vamos ver qual é o problema, vamos montar o cenário A, B e C, montar o plano de ação encima deste problema aqui e vamos ver o que a gente consegue. Como eu não conheci o prefeito e não tenho informações para falar sobre ele, eu imagino, como gestor de esporte, que historicamente, como ajudaram o Guaçuano, a Prefeitura sempre colaborou e a contrapartida sempre foi ao contrário. Sempre foram problemas. Sempre pedindo dinheiro para a Prefeitura e a contrapartida,  nunca deram nada em troca, pelo contrário, acumularam dívidas. Eu imagino que, se a gente chegar com um projeto profissional para o prefeito, pode ser que ele tente fazer alguma coisa. Eu parto desse princípio, vamos falar “o Guaçuano vai funcionar assim, assim, assim, você querendo ajudar vai ser bom, vai ser bom para a cidade. Você não querendo, a gente vai para a iniciativa privada e a gente vai”. Porque em cima disso que a gente pretende fazer. Eu estava conversando com o Israel e com o vereador, a gente quer fazer um projeto social envolvendo as escolas e os principais campos aí da cidade que é para fazer uma captação né. Vamos fazer uma avaliação com jogadores sub15 e sub17 das escolas, visando disputar uma Copa Ouro da Associação (Paulista de Futebol – APF), agora em fevereiro e usando os campos disponíveis aí de Mogi Guaçu. Mas, para quê? Com o intuito do quê? Primeiro: dar oportunidade para as crianças de Mogi Guaçu de entrar em um processo realmente de desenvolvimento de talentos. De repente para quem tiver pré-disposição ao esporte de rendimento poder ter essa porta através do Guaçuano. E segundo, para a marcar do Guaçuano voltar a ter credibilidade junto com patrocinadores para também incentivar, estimular eles a querer ajudar, vendo que é um projeto voltado para a sociedade e não só para o clube em si. E o terceiro também criar uma união de todas as partes, porque o que eu estou vendo de longe é que há algo muito quebrado entre tudo, entre a área política, administrativa, técnica, sociedade e tem algo quebrado assim que eu vejo que a única cidade que eu vi, de verdade, no interior de São Paulo, que eu vi condições de o futebol ser autossustentável, foi Mogi Guaçu. Tem uma estrutura fantástica, os campos que vocês têm cidade nenhuma tem. Tem um pouquinho de apoio da Prefeitura, que é um protocolo que já há entre os clubes e a Prefeitura. Tem muitos talentos na cidade. Tem empresas enormes para patrocinar. Precisa de um projeto profissional para ele se autossustentar. Se amanhã não está o Israel Lanza, está outra pessoa. Tem que dar continuidade. Se amanhã não está a ASB, que é a minha empresa, estará outra. Enfim, continua funcionando, a engrenagem continua rodando lá e vai ser bom para todo mundo na cidade.

GRANDE JOGADA: A ideia, a concepção dessa parceria não é da ASB estar assumindo o comando do Clube Atlético Guaçuano, é de fazer um trabalho de assessoria administrativa com o clube e a ideia seria que o clube continuasse na mão de pessoas da cidade, não o Leonardo Serrano ser o presidente do Clube Atlético Guaçuano daqui um tempo?

Leonardo: Exatamente! Na verdade, é usar nossa expertise e nosso know-how para auxiliar o Israel nessa parte. É criar um plano de marketing e um plano de gestão, deixar uma engrenagem funcionando perfeitamente ali. Com prestação de contas, com tudo que o futebol pede, tudo que uma empresa precisa mostrar e que o futebol pede com regras, com normas e é isso que a gente pretende dar, essa assessoria para o Israel para ele poder dar o start.

GRANDE JOGADA: Ele colocou para vocês que a atual situação da diretoria? A única resposta da Federação quando nós questionamos a situação do Guaçuano foi que este aspecto está pendente. Não sei se vocês têm ciência disso, de que é um dos passos que vocês precisam dar.

Leonardo: Esse é o segundo ponto que a gente falou, que é a respeito da filiação. O Guaçuano corre o risco de perder a filiação da Federação se não fizer as regularizações necessárias, esse da diretoria é um dos pontos. Então, assim, é o ponto que está mais fácil porque ele resolve esse problema da diretoria, ele apresenta, é só apresentar o documento na Federação e pagar o que deve lá e é um negócio que está muito simples.

GRANDE JOGADA: É muito mais fácil do que pagar uma filiação que é muito mais caro…

Leonardo: Pagar filiação pelo amor de Deus. Tem que montar outro clube, é mais fácil montar outro né. Então, esse ponto é o que está mais fácil, mas o estádio é o que pode barrar tudo. A gente pode fazer qualquer projeto, mas o estádio não estando liberado não adianta nada você tentar fazer o projeto, tentar jogar fora de Mogi Guaçu é uma judiação. Não tem cabimento.

GRANDE JOGADA: Um outro ponto muito importante Leonardo é… a ideia toda, toda a concepção da estrutura de base, é fundamental. Todo este aspecto de trabalho de base, de fomento da comunidade, principalmente. Mas, clube de futebol sem o profissional é complicado. A ideia de vocês nesta parceria é a de trabalhar para que em 2019 o Atlético Guaçuano dispute a Segunda Divisão do Campeonato Paulista?

Leonardo: Então vamos por partes. Primeiro vamos para a parte do sub9, sub11 e sub13. Por que que eu citei sub15 e sub17? É porque são as idades em que a gente consegue disputar a Copa Ouro agora em fevereiro e já pensando no Campeonato Paulista (das respectivas categorias) caso o Camacho reabra. E eu também passei pro Israel que a gente não pode abrir o leque total, por exemplo, porque o importante do trabalho de formação é desde a base, desde o sub8, sub10 porque o forte do nosso projeto realmente é a formação né. O foco do projeto é na formação para alimentar o profissional, para o futebol se autossustentar. Então, a atenção vai ser dada toda para esta base depois que a gente conseguir dar o start. Mas o start, por que eu falo de 15 e 17? Porque o 15 e o 17 é uma idade que você já consegue fazer negócios e angariar recursos para o clube. A médio e a longo prazo a ideia é ter um projeto Mandizinho, para fazer toda a formação através de escolinhas até o sub11 aí em Mogi Guaçu. Para alimentar o Guaçuano, sempre com o intuito de captar jogadores desses projetos. Agora, você tocou num ponto importante, o torcedor de futebol ele não quer saber, ele quer ver o time profissional jogar. Ele não quer saber da conta que tem que ser paga, ele não quer saber o que está por trás na gestão, ele só quer ver o time jogar. Então, você tocou num ponto que é importante, não adianta a gente fazer nada, começar qualquer coisa se o time profissional não estiver jogando. Então, o trabalho é pautado todo em fazer o profissional jogar para conseguir fazer todas as outras, abrir todos os outros caminhos de base. Mas, eu só citei o 15 e 17 porque, caso o Camacho não se resolva, pelo menos haverá o fato de disputar uma Copa Ouro com possibilidade de ganhar, porque o trabalho vai ser feito para isso. Ganhar uma Copa Ouro e mostrar para as autoridades aí de Mogi Guaçu que eles vão precisar apoiar porque indo bem em uma Copa Ouro, se as coisas acontecerem, com certeza vai forçar todo mundo a se mexer. E o vencedor do sub17 é o futuro profissional de Mogi Guaçu. Na verdade, isso vai fazer a coisa se movimentar, esse projeto social também tem o intuito disso, de fazer todo mundo, as autoridades, olhar para o futebol da cidade da maneira correta.

GRANDE JOGADA: Vocês têm alguma reunião agendada, vocês têm alguma pauta em discussão? Quando que vocês devem retornar para cá?

Leonardo: Olha, a etapa que eu estou agora é… em tempo real vou te passar… Estamos aguardando o Israel Lanza que ficou de levantar este laudo, a gente vai pegar este laudo, vamos ver a validade dele porque se estiver velho você vai precisar tirar um outro laudo. Aí vamos ter uma reunião com as autoridades aí de Mogi Guaçu para a gente chamar os peritos de cada área para cada um dar sua opinião junto com alguém da Federação. “Olha, está de acordo? Então é isso que precisa fazer?”. Aí a gente começa a fazer os orçamentos, vamos levantar o orçamento. Ah, então a reforma que precisa fazer aqui no Camacho é R$ 200 mil, por exemplo. Aí a gente vai a primeira coisa falar com o prefeito para saber como está a situação, o que que dá para se fazer. Se ele falar que não, vamos para a iniciativa privada e vamos tentar fazer um acordo, mas para que este negócio saia, para que este negócio ande. Este é um dos pontos que a gente está esperando do Israel. E, em segundo lugar, a gente já está desenvolvendo por aqui esse projeto, já está mapeando as escolas perto dos principais campos aí de Mogi Guaçu, o campo do Pelezão, do Paulista, o Campano, o Furno, que a gente pretende pegar os alunos das escolas próximas e fazer um projeto chamado “Bom na Escola, Bom de Bola”, que seria voltado para a parte social e para a parte de esporte educacional e esporte de rendimento. Isso é uma ideia tá, é uma ideia do que eu vou mostrar. Eu estou montando a apresentação, estou na metade dela eu termino nos próximos três, quatro dias aí e eu pretendo mostrar para o Israel, mostrar para o vereador (Zanco), para todo mundo envolvido aí e caso eles aprovem a gente começa a por em prática agora em outubro. Então a gente trazer essas crianças da escola que têm pré-disposição para o futebol, em duas semanas a gente faz uma seleção delas em cada campo. Vamos dividir em três equipes de treinadores aqui para poder fazer, como se a gente fosse montar seis times em seis bairros diferentes.

GRANDE JOGADA: Os treinadores seriam de vocês ou o Guaçuano iria arrumar?

Leonardo: Não, a gente vai levar só o nosso especialista técnico aqui. A gente pretende fazer tudo com as pessoas da cidade. A gente quer que vocês se envolvam com o negócio. A gente que está vindo de fora dá um start, mas aí a gente quer um estagiário de educação física, pessoas que querem trabalhar no futebol que possam auxiliar nisso aí dentro de um planejamento. O cronograma nosso de treinamento é esse, a metodologia nossa é essa, tem que ver a parte educacional e tem que ver a parte do rendimento também. Então, dividir em três equipes e começa. Nas duas primeiras semanas é feita uma seleção, nas duas próximas começa a desenvolver o trabalho e organização para, no final disso, fazer um torneio. Então, esse torneio seria no final de novembro, entre as seis equipes e dentro deste torneio escolher os jogadores que podem representar o Guaçuano no ano que vem. Nisso a gente queria envolver alguns patrocinadores já porque a gente, no meu leque de contatos, temos patrocinadores que podem patrocinar este projeto. Só que eu quero que tenha primeiramente oportunidade para quem é da cidade fazer isso. Eu vou apresentar o projeto também para os patrocinadores porque a ideia é de que, cada um apadrinhe uma escola, então quem puder apadrinhar este time aqui, um valor. Patrocinador, este time é seu, ele vai levar o seu nome no campeonato, vai jogar pelo seu nome, você quer? Não quer tá bom, vou apresentar para alguém de fora. Então, a ideia é de que seja feito tudo aí pela cidade. No final, fazer esse torneio justamente para poder captar jogadores, envolver os patrocinadores, estimular as autoridades da cidade e tentar, aos poucos, trazer o Guaçuano de volta.

GRANDE JOGADA: Nesse aspecto, você tocou aí nessa questão de captação. A ideia suas é trabalhar na capitação de patrocinadores ou em algum momento vocês vão colocar dinheiro, injetar dinheiro no clube?

Leonardo: Então, a ideia de injetar dinheiro, o Guaçuano não precisa disso. A partir do momento que você injeta dinheiro, eu estou agindo como investidor. Eu coloquei R$ 1 milhão, eu vou ter querer ver R$ 1,2 milhão, R$ 1,3 milhão em algum período. O investidor trabalha desta forma. Só que assim, vendo a situação do Guaçuano não tem necessidade do clube se amarrar a qualquer tipo de investidor e ficar na mão de investidor, isso não dá certo em futebol. Você pode fazer algo pontual com investidor, mas, o Guaçuano tem condições de se autossustentar, sem ter que ficar na mão de ninguém, não precisa ficar amarrado com qualquer outro tipo. Dá para se fazer algo estruturado para que vocês continuem sem precisar se amarrar. Desses clubes grandes, clubes pequenos que tiveram investidores o sucesso foi durante dois anos, três anos, até o investidor sair e deixar um buraco no clube, foi o que aconteceu em Mogi Mirim, aí do lado, com o Rivaldo. Então, a gente sabe que isso não funciona. Tem que criar um mecanismo para que o negócio se pague e o ponto do negócio é justamente esse, a partir do momento que você coloca investidor no negócio ele quer retorno.

GRANDE JOGADA: A ideia seria ter alguém de vocês aqui ou vocês ficariam mais por aqui?

Leonardo: Na verdade, eu mudo para aí. Eu vou deixar minhas coisas aqui e vou para uma casa aí e vou ficar no dia a dia com vocês. Eu tenho outras empresas aqui que hoje já consigo deixar com a minha família tocando e eu entro de cabeça no futebol aí com o Guaçuano. A ideia é essa. A ideia é entrar de cabeça. Antes eu não tinha feito isso também porque não tinha condições, eu estava envolvido em vários outros projetos e hoje eu já consigo. Falei para o Israel, hoje eu consigo dar conta, eu deixo as coisas de lado aqui e vou te ajudar aí. Vamos dar fazer o negócio acontecer.

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