Os seis anos do acesso do Mogi para a Série C

No dia 23 de setembro, o Mogi Mirim celebrou seis anos de uma de suas mais importantes conquistas. Em 2012, o Sapão retornava à Série C do Campeonato Brasileiro. O clube ficou ausente entre 2005 e 2011 das competições nacionais. Metade do período ainda com Wilson de Barros na presidência. A outra metade, já com Rivaldo, que assumiu o clube em 2008.

A temporada foi mágica para o clube. No Paulistão, a boa campanha na primeira fase rendeu uma vaga nas quartas de final, em que o time foi eliminado para o inspirado Santos de Neymar, Ganso & Cia. No Troféu do Interior, vitórias sobre Oeste e Bragantino e um título conquistado por um time que contava com figuras como o goleiro Anderson (hoje no Bahia), o zagueiro Lucas Fonseca (também no Bahia), o volante Renê Júnior (hoje no Corinthians) e o atacante Hernane Brocador (hoje no Sport).

No banco de reservas, o comando era de Guto Ferreira. Com passagens marcantes por Ponte Preta, Bahia e Internacional-RS, o atual técnico da Chapecoense assumiu o Sapão em 2011 e deixou o clube em um salto da Série D para a Série A, ao assinar com a Ponte Preta logo após o acesso em Cianorte.

Em entrevista exclusiva ao GRANDE JOGADA, o treinador falou sobre o feito e relembrou as dificuldades que antecederam a competição. “Foi um acesso muito difícil. Logo após o título do Interior, perdemos 70% do elenco. Os jogadores foram jogar a Série B e a Série A do Brasileiro. De titular ficaram só o Val e o Roni. E o Val saiu e voltou. Ficaram alguns reservas, mas, do plantel, perdemos muita gente. O que ajudou é que houve o impasse entre ABC-RN e Rio Branco-AC e esse impasse atrasou em um mês o campeonato e nos deu a possibilidade de remontar o grupo.

Chegaram figuras como o volante Juninho, titular do América-MG no atual Brasileirão e oriundo do Rio Verde-GO. O elenco ainda contava com o atacante Dudu, que passou posteriormente pelo Figueirense e hoje é um dos melhores jogadores da Liga Sul-coreana e o goleiro Bruno Grassi, que era o terceiro goleiro daquele time e recentemente esteve no grupo gremista campeão da Copa do Brasil, Libertadores, Recopa Sulamericana e Gaúchão.

Guto Ferreira, porém, destacou que o time, mesmo após uma boa estreia, começou a patinar. A zaga não encaixava e dois reforços foram importantes. “Chegou o Mauro, que foi um dos grandes líderes daquele time e com o Luís Gustavo nós encaixamos”. Na primeira fase, o Mogi estreou com uma vitória de 2 a 1 sobre o Cerâmica-RS em casa e depois fez 3 a 2 sobre o Marília, como visitante. Na sequencia, 0 a 0 com o Cianorte em casa, derrota por 2 a 1 para o Concórdia-SC fora e vitória em Mogi sobre o Concórdia por 3 a 1. Em Cianorte, empate sem gols com o rival, depois, empate em 1 a 1 com o Marília, em casa e um empate sem gols com o Cerâmica, em Gravataí (RS) rendeu a classificação.

Só que o mata-mata foi ainda mais insano. Diante do Metropolitano, em Mogi, derrota por 1 a 0. O gol qualificado fora de casa fazia parte do regulamento e, na volta, com gols de Val e Roni, o Sapo venceu por 2 a 1. Chegou as quartas de final, a fase de acesso. Lição aprendida? Que nada. Logo aos 7 minutos, Reinaldo (ex-Esportiva Itapirense) abriu o placar para o Leão do Norte. Aos 42 da etapa final, Thiago ampliou. O ainda Romildão vivia um drama. “Estávamos perdendo por 2 a 0 para o Cianorte, com um a menos (Fernando foi expulso aos 22 do primeiro tempo). Faltando três minutos para acabar o jogo, tivemos um pênalti e o Franciel fez o gol”, relembra Guto Ferreira. O Mogi então partiu para o Paraná com a missão de mostrar ser “o time da virada”. Guto escalou o time com Alex Alves; Morelândia, Luís Gustavo, Maurão e Piauí; Juninho, Valdo, Itallo e João Paulo; Roni e Nando. O Cianorte, comandado por Paulo Turra, hoje auxiliar técnico de Felipão no Palmeiras, contava no time titular com o experiente Alexandre Luz, ex-zagueiro do Palmeiras e no banco de reservas com o atacante Henrique Dourado, que depois passaria pelo Mogi e que hoje defende o Flamengo. O Mogi abriu o placar logo aos 14 do primeiro tempo, com Roni, de pênalti. Na etapa final, Diego Dedoné, aos 6 minutos, deixou tudo igual, para delírio 1.700 pagantes no Albino Turbay. Porém, aos 12, após cobrança de falta, João Paulo desviou e desempatou a favor do Sapão. O resultado deixava o duelo em 3 a 3 no agregado. O Cianorte perdia a invencibilidade e a decisão do acesso foi para os pênaltis.

Foi a hora em que brilhou a estrela do goleiro Alex Alves, hoje no Bragantino e que também falou com o GRANDE JOGADA. “Foi um marco muito importante aquele acesso na minha carreira. Pude fazer ótimos jogos, superar inúmeras dificuldades, como a classificação no Rio Grande do Sul em um jogo de 0 a 0 debaixo de muita chuva. Os jogos de mata-mata, em que perdemos todos os primeiros jogos e tivemos que reverter fora de casa e o acesso, que veio na disputa de pênaltis”.

Alex defendeu duas cobranças e o Sapo retornava à Série C, competição em que foi coadjuvante em 2013, mas que conquistou o acesso em 2014. Hoje, o Sapo não tem mais divisão nacional e vive a incerteza até mesmo da continuidade, com ameaças de falência oriundas de más gestões consecutivas. Fica a lembrança de um grande time e de um acesso conquistado na raça. Há seis anos, um grupo representou com bravura o escudo mogimiriano. O Sapão de 2012 recolocou a cidade no mapa nacional do futebol. Que sirvam de inspiração para futuras batalhas!

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