Guaçuano comemora 43 anos de um grande título

Há exatos 43 anos, o Clube Atlético Guaçuano alcançava uma das suas grandes glórias na história do futebol. No dia 28 de setembro de 1975, o Mandi empatou em 0 a 0 com a Laranjarense, em Laranjal Paulista e faturou o título da Segunda Divisão de Profissionais. Um feito relembrado em detalhes pelo GRANDE JOGADA a poucos meses da celebração dos 90 anos do CAG, que serão completados em 26 de fevereiro de 2019.

Em 1975, o futebol paulista contava com três divisões. Na elite, além dos gigantes, estavam clubes como o extinto Saad e a Ponte Preta, rival derrotada por aquele Guaçuano de 75 na inauguração do sistema de iluminação do estádio Alexandre Augusto Camacho. Em um segundo nível, chamado de Divisão Intermediária, estavam agremiações hoje desativadas, como o Palmeiras de São João da Boa Vista e o Vasco da Gama de Americana, além de clubes como Inter de Limeira e Santo André.

Já o terceiro degrau estadual era, à época, chamado de Campeonato da Segunda Divisão de Profissionais. O Guaçuano foi o vencedor em sua série, batizada de Petronilho de Brito, em homenagem ao irmão do ex-centroavante de Flamengo e São Paulo, Waldemar de Brito. Após disputar 16 partidas (veja os resultados em tabela ao lado), o Mandi sagrou-se campeão exatamente no dia 28 de setembro. É hora de viajar no tempo e relembrar a histórica trajetória do Esquadrão Alviverde.

 

PERSONAGENS

O mandi disputou, em 1975, seu segundo torneio profissional. Em 1974, assumiu a vaga do antigo Grêmio Esportiva Guaçuano. O GRANDE JOGADA teve acesso a registros oficiais da Federação Paulista de Futebol, que apresenta as campanhas de várias temporadas dos clubes de Mogi Guaçu. O Grêmio fez seu último jogo pelo estadual em 3 de dezembro de 1972, quando empatou em 2 a 2 com o Independente, no Camacho.

Em 1973, a cidade ficou ausente, retornando em 1974, quando chegou até a segunda fase. Em 1975, o CAG fez ainda mais bonito. Com uma verdadeira ‘seleção regional’, contou com atletas de Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Itapira, Santo Antônio de Posse e Espírito Santo do Pinhal. O presidente era Humberto Martini, conhecido como Bertão. A diretoria contava com o trabalho incansável de Humberto de Barros Franco Filho, o doutor Bertinho. “Ele era delegado de polícia, uma liderança ímpar”, relembrou Nelsinho, defensor do time de 1975 e residente em Itapira. Também itapirense, Toninho Bellini frisou que o diretor tinha um relacionamento muito bom com todos os jogadores e que acompanhava o time nos treinos e jogos. “Isso marcou muito também. A amizade entre os jogadores, a liderança do doutor Humberto. Tudo isso marcou muito mesmo. Era um time de amigos”.

O time era comandado em campo pelo vitorioso técnico Pedro Paulo da Silva, o popular Nan, que já possuía renome e foi contratado por Bertinho mesmo após ter montado a base de uma das maiores equipes da Ponte Preta. Ou seja, tudo caminhava para uma campanha histórica. Henrique Stort, ex-atleta e dirigente do Mogi Mirim EC, fez parte do elenco de 1975 e foi campeão pelo Mandi. Para ele, o Mogi 70, poderoso esquadrão do Sapo e o time campeão estadual do Guaçuano foram os maiores que ele defendeu na longa carreira.

“O Guaçuano de 1975 era um time espetacular. Taticamente perfeito, muito bem treinador pelo Nan. O elenco era maravilhoso, com jogadores de qualidade em todas as posições e que, certamente, jogariam hoje em qualquer time de bom nível no futebol brasileiro”, frisou Stort. Ele destaca a organização encabeçada por Bertinho e Nan, que fazia com o que o time, mesmo reunindo atletas de várias cidades, treinasse o máximo possível.

Luizinho Domingues, um dos três goleiros do elenco guaçuano de 75, frisou que eram no mínimo de dois a três treinos por semana. O ex-arqueiro teve passagem interessante na campanha. Disputou o primeiro jogo, no dia 1º de junho, quando o Mandi perdeu para o Mogi Mirim, no Vail Chaves. Depois, na vitória por 1 a 0 diante do Itapira Atlético Clube, sofreu um grave entorse no tornozelo e precisou ser retirado de ambulância.

“Foi no finalzinho do jogo. Achei que tivesse quebrado o tornozelo. Me tratei, recuperei, mas o Zé Muié tinha assumido a posição”. Porém, na reta final, Zé Muié sofreu uma séria lesão na perna. Coradi, que era de Itapira, fez alguns jogos, mas, na última partida, o titular foi Luizinho. “Talvez pela experiência o Nan preferiu me escalar. Éramos todos goleiros de bom nível e pude ajudar a segurar o empate com o Laranjalense. Se o duelo foi marcante pelo título, Nelsinho relembra o dissabor de enfrentar o Itapira AC, time da sua cidade natal, na segunda rodada. “Fiquei na reserva, o jogo foi 1 a 0 para nós e me senti bem desconfortável lá”. O duelo ocorreu em Mogi Guaçu e a vitória guaçuana veio através do gol do volante Nei. Para ele, assim como para todos os entrevistados, a união fez a diferença. “A cidade abraçou a ideia. O estádio estava sempre lotado. Foi muito legal ver o Guaçuano ser guindado a uma posição de destaque no futebol profissional.

O time-base escalado por Nan contou, em sua maioria, com Zé Muié; Henrique Stort, Nelsinho, Zé Márcio e Silvinho; Toninho Bellini, Nei e Babá Caveanha; Vandir, Du e Miguelito. O elenco ainda tinha os goleiros Luizinho Domingues e Coradi, Salvador, Saltorão, Brasinha e outros nomes. Titular praticamente em toda a campanha, Toninho Bellini teve no Guaçuano seu primeiro contrato profissional. Ele, que também passou por Guarani e Rio Branco-SP, era um dos grandes pilares do Mandi e fez questão de lembrar a alegria que foi poder atuar ao lado do famoso guaçuano Babá Caveanha, 20º maior artilheiro do São Paulo, com 94 gols em 211 partidas. “Era um jogador de Seleção Brasileira (foi convocado em 1968). Era muito inteligente, um líder, o mais experiente”.

Mesmo com o título de 1975, não houve acesso para a Intermediária de 1976 e o Mandi mais uma vez jogou a Segunda Divisão. O clube voltou a celebrar glórias, como o título do Grupo Azul da Segunda Divisão de 1981, com uma histórica vitória de 4 a 3 sobre o Mogi Mirim em um jogo desempate realizado fora das duas cidades. Em 1992, veio o vice-campeonato da Segunda Divisão, após um quadrangular com Oeste, Derac e Paraguaçuense. No ano seguinte, a falta de capacidade do Camacho impediu a chegada à principal divisão de acesso do estado. Um problema faz parte do cenário atual de um clube que tenta reviver os tempos de glória. Uma época em que o Esquadrão Alviverde mostrava toda a força de Mogi Guaçu.

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