Baixa Mogiana: Um polo crescente do handebol

Estudos apresentados nos últimos anos, apontam o handebol como a modalidade mais praticada na escola pública brasileira. Apesar da profusão entre crianças e adolescentes de todo o país, o esporte ainda não tem uma ‘epidemia’ entre os fãs, tampouco, espaço com transmissões em TV aberta. Mesmo com recentes conquistas internacional, a modalidade segue sendo a ‘prima pobre dos esportes coletivos’.

Mas, na Baixa Mogiana, não é bem assim. O handebol é uma das grandes forças entre as cidades e quando falamos de Mogi Mirim, Mogi Guaçu e Itapira, a importância fica ainda maior. Hoje, em cada um destes municípios, a modalidade está em uma esfera diferente. Em Mogi, as categorias de base femininas de um clube social estão em alta. Em Mogi Guaçu, o trabalho que chama a atenção é de uma escola pública que chegou a ir até para a Colômbia. Já em Itapira, o trabalho de mais de 25 anos proporcionou a formação de uma equipe adulta masculina que tem conquistado resultados importantes em nível estadual.

O desenvolvimento da modalidade na região passa pelas mãos de cada atleta, mas, há figuras que representam este sucesso. No mês em que se celebra o Dia do Professor, nada mais justo do que falar deles. Fábio Sartori, o Spaghetti, está desde 1991 a frente do handebol itapirense. Em Mogi Guaçu, desde 2004, o itapirense Vicente Bortoloci Ferreira é quem dá as cartas com a criançada da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Maria Diva. Já em Mogi Mirim, Bruno Camargo está a frente de um ousado projeto desde 2009, que já rendeu um título nacional na categoria infantil e a presença no Sulamericano, agendado para novembro.

Bruno é o mais jovem do trio. Teve Vicente e Spaghetti como espelhos e traçou metas para o handebol do Clube Mogiano, em Mogi Mirim. O trabalho com as meninas teve início em 2009, culminou em conquistas posteriores pela Lhesp (Liga de Handebol do Estado de São Paulo) e, neste ano, no título infantil do Campeonato Brasileiro.

Justamente por conta desta conquista, o Recanto foi convidado pela Confederação Brasileira de Handebol para representar o país no Campeonato Sulamericano Infantil, que acontece de 29 de outubro a 2 de novembro, em General Alvear, na Argentina. A competição é de seleções e, por isso, o Clube Mogiano será o Brasil na terra do ‘hermanos’. Além da anfitriã, Uruguai, Paraguai e Chile serão rivais na competição. E as categorias mirim e cadete, além da infantil, ainda estão no páreo por taças no Campeonato Paulista.

Para Bruno, a escalada rumo a este nível tem uma palavra: trabalho. “Quando nós começamos, o clube não tinha nem o ginásio de esportes ainda. Eu tinha um objetivo pessoal e cosnegui criar um objetivo para o clube. Claro que precisava  do mínimo de estrutura e de material humano, atletas. Coloquei uma perspectiva na minha vida em que, primeiramente, era fazer com que os sócios gostassem da modalidade, que fossemos aceitos dentro do clube e da cidade e que o clube fosse um celeiro de talentos”.

Os degraus foram alcançados. O título regional veio, seguido por conquistas estaduais e o Brasileiro, neste ano. O hand do Recanto também conseguiu colocar atletas em evidência e hoje possui crias que atuam em equipes fortes com o Pinheiros e o Corinthians e até nas seleções de base do país.

O Clube Mogiano também tem se tornado referência no Beach Hand, espécie de handebol de praia e a evolução é constante. Ainda assim, Bruno não pensa em ver o clube como uma potência no alto rendimento. “Os valores seriam muito mais altos. Preciso passar uma fase da vida com meninas de 8 a 16 anos e formar como atletas e pessoas, do que lidar com atletas já formados”.

SPAGHETTI

Em Itapira, quando se fala de handebol, se fala de Spaghetti. O treinador está a frente da modalidade desde 1991 e mais de 700 atletas já receberam suas orientações. Alguns foram longe, chegaram à Seleção Brasileira. Mas, em comum, todos se tornaram bons cidadãos. Profissionais respeitados em suas áreas, empreendedores e alguns ainda com uma relação com o esporte.

O adulto masculino conta com jogadores que há anos representam a cidade. Após o bronze nos Jogos Regionais, o time pode fechar o ano ao melhor estilo, com título. No campeonato da Lhesp, foram 10 vitórias em 10 partidas na primeira fase. O resultado garantiu à cidade o direito de ser sede da fase final. Os jogos serão no dia 27 de outubro, no ginásio Santo Breda (Lazer) e o duelo dos itapirenses por uma vaga na semifinal será às 16h30, contra Itatiba, uma das potências regionais na modalidade.

Apesar do sucesso do adulto, Spaghetti quer mais. Ele segue no trabalho de formiguinha, de escola em escola, buscando captar atletas para as categorias inferiores, que, atualmente, contam apenas com núcleos de treino, mas, estão fora de competições regionais. O feminino, que chegou a ser o ‘bicho-papão’ nos Regionais, hoje está inativo.

Há um caminho longo para a garantia de gerações futuras e o sonho do professor vai além do handebol. “Gostaria que houvesse um projeto de desenvolvimento do esporte como um todo. Na primeira crise, a primeira coisa que corta é o esporte. Nós vemos o esforço das Prefeituras para não parar, mas é difícil. O esporte tem que funcionar como meio de educação, de tirar o cara da rua. Mas, não para ele ganhar uma camisa e um lanche e voltar para a rua. É para ele estudar e voltar como um cidadão”.

O treinador elogiou o trabalho desenvolvido nas cidades vizinhas e relembrou que, em 2015, chegou a haver uma fusão entre as equipes sub21 e adulta masculina de Itapira e Mogi Guaçu. “Estamos sempre juntos, os três, em cursos. Acredito que a luta seja igual parta as três cidades e o que falta para evoluir ainda mais é o incentivador, é alguém que invista, que acredite na modalidade”.

VICENTE

Em Mogi Guaçu, o handebol possui duas frentes. Uma delas é com os professores da Secretaria de Esporte e Turismo (SET), Luciene Sporta e Paulo César, que disputa a Lhesp com as categorias sub21 e adulto masculina. Há também um trabalho que chama a atenção pela concentração em uma escola. A Emef Maria Diva, através da Secretaria de Educação, possui cinco modalidades na competição e, assim como a SET, avançou em todas para a segunda fase. A mirim e a infantil masculina foram para a Série Ouro e a cadete masculina, cadete feminina e infantil feminina jogarão pelo título na Série Prata.

O projeto teve início em 2004, quando a Maria Diva se destacou em competições escolares. O sucesso chamou a atenção e a Lhesp fez o convite em 2009 para ingressarem no torneio regional. Desde então, os alunos participaram também de outros torneios, como a Liga de Desenvolvimento de Campinas e a Liga de Mococa. Entre todas as categorias, cerca de 98% são de alunos da Emef. O contato quase que diário é um dos fatores que contribui para o trabalho de Vicente, que já movimentou mais de 2.000 alunos.

“Sou professor de sala de aula, mas faço o projeto porque me deram a oportunidade. Todo ano a gente senta e vê se continua e vai tocando, por enquanto, sem parada”. Vicente explica que o projeto consiste em algo que vai além das vitórias. A mentalidade é transmitir disciplina e outros valores importantes para as crianças. “O handebol tem oferecido oportunidades únicas para eles. No ano passado, fomos convidados a jogar um torneio na Colômbia com o time infantil e com certeza será algo inesquecível para eles. Nosso foco é esse, oportunizar essas crianças”, define. Mesmo que o foco não seja o acúmulo de taças, aos poucos, o projeto colhe seus frutos em quadra.

No ano passado, o time infantil faturou a taça na Lhesp e Vicente foi eleito o melhor treinador na categoria. Conquistas individuais que integram também a galeria de Bruno e Spaghetti. Porém, os três têm o mesmo pensamento. Mais do que gols e títulos, eles querem ajudar a criar bons cidadãos. O trio já deixou claro que está disposto a sentar e discutir projetos que possam aproximar ainda mais as três cidades. A Baixa Mogiana se torna, assim, aos poucos, um grande Polo do Handebol.

AGENDA

Neste mês de outubro, as equipes de handebol das três cidades estão com a agenda lotada. No domingo (21),o mirim masculino de Mogi Guaçu enfrenta Vinhedo pela semifinal da Série Ouro. O duelo será às 15h00, em Vinhedo e, no mesmo dia, já serão conhecidos os campeões. No mesmo dia, em Atibaia, o infantil feminino duela pela Série Prata com Tietê, às 9h30.

No sábado (27), o cadete masculino também atua pela Série Prata, desta vez, contra Vinhedo, em Rio Claro. Já em novembro, no dia 2, o cadete feminino segue a luta peça taça na Série Prata diante de Limeira, em jogo agendado para às 11h30, em Hortolândia. Já o infantil masculino, campeão em 2017, briga pelo bicampeonato no dia 4 de novembro, às 11h30, diante de Atibaia, em jogo marcado para o ginásio do Ceresc, em Mogi Guaçu.

O local receberá ainda, no mesmo dia, os duelos de Vinhedo x Rio Claro e Valinhos x Porto Feliz, pela mesma categoria. Em Itapira, no dia 27 de outubro, quatro partidas foram agendadas pela Lhesp. Itapira e Itatiba decidem a vaga na final da Série Ouro a partir das 16h30. Na outra semifinal, Tietê e São João da Boa Vista duelam às 17h45. Já a Série Prata contará com os encontros da Liga Paulista x Indaiatuba e Limeira x SET/Mogi Guaçu. A outra equipe da SET/Mogi Guaçu, a sub21, joga o playoff já neste sábado (21), a partir das 13h00, contra Cerquilho, na casa do rival.

Já o Clube Mogiano está concentrado em duas frentes. No sábado (21), tem rodada do Circuito Mirim da Federação Paulista de Handebol, em partidas contra Corinthians e Mesc, que valem a primeira posição e o direito de sediar os jogos finais em Mogi Mirim. Os duelos serão em São Paulo. Na terça-feira (23), tem a semifinal da Taça Estado de São Paulo, contra São José dos Campos, às 19h30, no Vale do Paraíba, na categoria infantil. Na quinta-feira (25), também em São José, às 19h30, será a vez da semifinal do cadete, mais uma vez diante da equipe do Vale. No dia 27, a delegação infantil embarca para a Argentina, para o Sulamericano.