Bruno Pelé e Turcão: Uma amizade artilheira

Profissional e amador. Uma das maneiras de dividir o futebol é a comparação entre o alto rendimento e os campeonatos locais. O nível técnico, obviamente, tende a ter uma respeitável diferença. Mas e quando as histórias se encontram? Hoje, o futebol amador vai muito além da faceta de ‘grupo de amigos do bairro que se reúnem para jogar o torneio da cidade’.

Aqui na Baixa Mogiana, não são os raros os casos de jogadores que estão em busca de um lugar ao sol profissional, mas que não abandona o vínculo amador. Kellyton, ex-Esportiva Itapirense e com passagem recente por Bragantino e Inter de Lages-SC, nunca negou os laços com o Valencia e o Vila Nova, em Itapira. Diego Pituca, guaçuano de nascença, já brilhou no futebol amador de Mogi Guaçu e de Itapira.

Em Mogi Mirim, os casos são até mais frequentes, até pela proporção maior que o Sapão costumou ter. Quantos ‘amadores’ hoje se sentem honrados por terem recebido um passe de um jogador como Leto? Um dos craques do Carrossel Caipira de 1992, atua até hoje, no Veterano. Amaral, volante com passagem recente por clubes como Grêmio, Vasco e Cruzeiro, é outro que enche de orgulho os colegas.

E as histórias que envolvem esta mescla de amador e profissional vão além, como a amizade de Bruno Augusto e Anderson Turco. Hoje rivais no Amador de Mogi Mirim, eles se conheceram em 2004, quando Bruno subiu para o profissional e Turco, que ainda nem carregava o apelido, foi contratado para o Paulistão de 2005.

“Formávamos a dupla reserva do Serrão, naquele baita time de 2005”, relembrou Bruno. O Sapo tinha o zagueiro Fábio Braz (que depois jogou no Vasco), o volante Diguinho (que posteriormente foi para o Fluminense-RJ) e o atacante Neto Baiano (que até hoje brilha no CRB). O entrosamento ia além da bola. “Eu dormia na casa do Bruno para poder encontrar minha namorada, que agora é minha esposa”, conta Turco.

“Se fosse dormir no alojamento, tinha horário para voltar. Então eu saía, namorava e depois ia para a casa do Brunão”, relembra Turco. A dupla teve seus momentos no Mogi. Bruno foi campeão do Paulista Sub20, em 2006, ao lado de figuras como Robinho, Gil e Lins. Já Turco, após marcar cinco gols na Série A1 de 2005, foi para o Turquia, onde se tornou ídolo. No Amador, ambos começaram juntos, mas separados. “Meu primeiro ano foi 2014, mas, eu era técnico do Santa Luzia e o Bruno jogava no Vila Dias”. Os dois times chegaram até a final e Bruno levou a melhor, ficando com a taça.

No ano seguinte, Turco jogou a Série C pelo Bela Vista, marcando cinco gols e Bruno foi para o Santa Luzia, passando o ano sem taças. Em 2016, Bruno ganhou a Série B com o Aliança e Turco jogou a Série C pelo Nova Santa Cruz, batendo na trave na briga pela taça, perdida diante do Fúria. Já em 2017, ambos chegaram aos clubes atuais. Bruno Pelé foi campeão na Série A pela Tucurense e Turco fez seus primeiros gols com a camisa do Santa Cruz.

Neste ano, ambos brigaram gol a gol pela artilharia. Antes da final (leia mais nesta página), Bruno tem 19 gols e Turco parou nos 16. O Santa Cruz está eliminado e a briga dos amigos artilheiros acabou por aqui. Quem pode tirar a ponta de Bruno parece ser apenas Vida Loka, que tem 15 gols e é o terceiro na listagem de goleadores do torneio. Uma briga que todos garantem ser sadia, sem importar a origem da história de cada um. Com ex-profissionais, candidatos a profissionais e amadores convictos, o futebol local vê histórias se entrelaçarem. E a amizade prevalecer!

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