Mogi Mirim: Coreano vence Luiz na Justiça e reassume o clube

Não é de hoje que o GRANDE JOGADA tem insistido. Enquanto o Vail Chaves foi largado às traças, o novo estádio do Mogi Mirim Esporte Clube é o ‘Forunzão’. Outro ‘jogo’ importante aconteceu por lá nos últimos dias. A ação impetrada pelo presidente Luiz Henrique de Oliveira e distribuída em 16 de agosto para a 1ª Vara Cível da cidade, teve decisão em primeira instância publicada no final de setembro.

Nela, o juiz Emerson Gomes de Queiroz Coutinho deu ganho de causa a Diego Medeiros da Silva e Hyun Seok Choi, conhecido como Mário Choi, da HS Sports Agency. Na ação, Luiz Henrique pedia a reintegração do clube, que, através de contrato de arrendamento até o final de 2022, passou a ser gerenciado pelos empresários, sem mexer na configuração da mesa diretoria, com Luiz Henrique ainda mantido na presidência.

Diego e Choi se tornaram os novos terceirizados do clube. Após Eder Ferreira, através da BTS, trabalhar por pouco mais de um ano e meio na base e Márcio Granada e Alessandro Botijão assumirem toda a gestão do clube entre janeiro e maio deste ano, agora é a vez desta parceria que envolve o ex-jogador brasileiro e o empresário sul-coreano e mais um grupo de investidores que também envolve pessoas dos dois países.

Mário Choi, inclusive, conversou com exclusividade com o GRANDE JOGADA. Nascido no país asiático, ele mudou para o Brasil com 10 anos, com o sonho de se tornar jogador de futebol. Criou forte vínculo com profissionais do Circuito das Águas e hoje atua no ramo empresarial. O começo foi conturbado. O contrato de arrendamento, segundo Choi, foi assinado em 28 de maio deste ano, perto do fim da participação do Sapão na Série D do Campeonato Brasileiro. Granada e Botijão ainda teriam contrato até o fim do ano, mas, segundo relata Choi, foi passado ao seu grupo que a dupla já havia rescindido com o clube.

Assumiram assim um Mogi em frangalhos, rebaixado para a Segunda Divisão do Paulista e sem divisão nacional. Mais uma vez, Luiz Henrique terceirizou o trabalho que assumiu em 2015, deixando todas as contas na mão de Diego e Choi. A conta de luz, por exemplo, já passava dos R$ 20 mil. Em meio aos acertos para assumir o clube e iniciar o trabalho com garotos da base, visando a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o presidente ingressou na Justiça para tirá-los do estádio Vail Chaves e, em caráter liminar, até chegou a ter êxito.

Porém, na já citada decisão do juiz Emerson, o grupo de Choi obteve vitória. O magistrado afirmou que os documentos levados pelos corréus pareciam verdadeiros, atestando assim o contrato firmado, o que divergiu da informação passada por Luiz Henrique em sua acusação. “Havendo contrato que compreende a cessão das dependências do clube, a reintegração pode não prescindir de formal rescisão do negócio. Por tais e tantos motivos, revogo a liminar antes deferida”.

Com a decisão no fim de setembro, Choi e Medeiros retornaram ao clube e reiniciaram o projeto, que tem objetivos básicos, como a retomada do futebol profissional e outros mais ousados, como implantação de futebol feminino e futsal. “Antes de aparecer, temos que organizar, ajeitar as coisas, pois estava tudo bagunçado. Não adianta chegar falando, tem que fazer para começar a aparecer”

GRANA

Hoje, todas as contas estão sob a responsabilidade de Choi e Medeiros. As despesas com alojamento, energia, alimentação e tudo o que envolve o clube, passa pela conta dos sócios e dos investidores. O primeiro objetivo era participar da Copa Ouro, competição de base organizada pela Associação Paulista de Futebol (APF). A inscrição não vingou e o clube deve iniciar a ‘Era do Coreano’, como já batizaram pela cidade, com a presença na Copa Regional, que é organizada no Circuito das Águas e já foi disputada pelo Mogi, em 2017. O grupo conta com cerca de 25 jogadores e já é certo que não jogará a Copinha, em janeiro. Isso porque o prazo para regularização de atletas terminou em setembro e o clube não cumpriu o determinado pela Federação Paulista. Assim, a expectativa é pelo retorno do clube às competições da entidade máxima do futebol em São Paulo apenas em abril, com a Segunda Divisão do Paulista, competição que Choi garante: vai jogar. “Temos que disputar. O clube é muito grande para ficar fora”. Para isso, o estádio Vail Chaves precisa ser liberado e o gestor do clube frisou que passos já estão sendo dados neste sentido.

Apesar de estar no Brasil há mais de 20 anos, Choi ainda não se expressa com 100% de facilidade e confiança ao falar português. A timidez também pode ser de quem sabe que, assumir um clube sob total desconfiança, é uma missão complicada. O resultado da sua co-gestão com o sócio Diego Medeiros será avaliada, assim como foi com os demais que passaram e ajudaram a cavar ainda mais o poço em que o Sapo está afundado.

E mesmo com o pé no chão, aos poucos, Choi soltou que tem vários planos para o clube. “Não gosto de falar disso. Tem muita coisa ainda para resolver. Mas, pensamos sim, por exemplo, no futebol feminino, em trabalhar o futebol de salão (futsal), com crianças de 9 a 18 anos. Muitos atletas saem do futsal e achamos importante investir nisso”. Se vai colocar os projetos falados e até os não citados em prática, é questão de tempo. Mas, Choi finalizou a entrevista com uma verdade absoluta. “Tem gente que acha que é dono de um clube de futebol. Isso não existe. Nós passamos, o clube fica. Tem que ficar. É maior que a gente”.

Hoje, o Mogi está menor do que já foi. Rebaixado em série, passa por um momento de total interrogação, seja lá quem estiver pagando (ou ao menos tendo a obrigação de pagar) as contas. E voltando ao início da matéria, a aventura pelos gramados judiciais não terminou. Pelo contrário. Além das mais de 100 ações trabalhistas que o clube sofre, há ainda a expectativa de que a Justiça local publique em breve a decisão sobre o processo que pede o afastamento de toda a diretoria, comandada por Luiz Henrique. Algo que pode levar a uma nova eleição e até mesmo à abertura para o cadastro de novos sócios, devolvendo, aos poucos, o clube à população. No jogo da lei, Choi e Medeiros venceram a batalha mais recente, mas, o Mogi tem muito ainda a lutar.

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