Puggina Mix: entre a nostalgia e a modernidade

Itapira é daquelas cidades que mantém viva a tradição de ter um Mercado Municipal. Situado na região central, em imóvel na esquina das ruas Campos Salles e Bento da Rocha, o prédio histórico abriga inúmeras lojas. Muitas delas estão fixadas há décadas, como a Puggina Mix. Hoje com este nome, a empresa tem um roteiro iniciado de forma mais específica, há 36 anos.

A base? Sempre o serviço de bomboniere. Em alusão ao pote em que crianças e adultos se esbaldam com guloseimas, estas lojas já foram coqueluche. Hoje, a Puggina Mix se mantém firme no ramo graças à diversificação e ao atendimento familiar que presta aos seus clientes. O início, por volta de 1982, teve como proprietário um campineiro, que repassou a loja para Plácido Coraça.

Anos depois, ao comprar uma armazém de secos e molhados (outro tipo de estabelecimento que remete a saudosos tempos), se tornou impossível a manutenção dos dois negócios e quem assumiu o box foi o casal Achilles Puggina e Ester Fray Puggina. Ambos seguem no local até hoje, mas, quem coordena é o filho, Paulo Edson Puggina, que tinha apenas 14 anos quando o local começou a funcionar, lá em 82.

GRANEL | Ampla variedade de balas e doces na bomboniere

A loja sempre foi recheado de balas, doces, chocolates, pirulitos e tantas outras delícias que marcaram e ainda marcam a infância de tanta gente. Porém, os produtos que marcam uma bomboniere já não atraem mais as crianças como anos atrás. Hoje, os garotos e garotas de outrora seguem como consumidores, em uma nostalgia que motiva ainda mais os proprietários do local a manter viva a tradição.

“Até um tempo atrás, uns 15 anos, a maioria dos clientes era de crianças. Mas, de uns anos para cá, passou para idosos. A criança, em geral, perdeu um pouco da essência do doce, porque entrou a tecnologia no lugar, por mais incrível que pareça. A venda hoje é maior para idosos, que vê os produtos e lembram que eles já existiam na infância deles e que têm até hoje. Quando reencontram os sabores da infância, empolgam e se tornam nossos fregueses.

No balcão, tem de tudo. Das deliciosas balas soft à tradicional bala chita. Chicletes, pirulito e outros confeitos seguem na lista de itens comercializados pela família Puggina. “Tem gente que vem aqui e não acredita que ainda tem essas balas. Dizem que procuram em supermercados e não acham. É muito legal ver o ar saudosista de quem procura esses produtos e encontra por aqui”, frisa Paulinho. O proprietário da bomboniere ressalta que a venda ocorre a granel, mantendo uma tradição de décadas.

Ainda em relação a comida, o espaço ganhou, há cerca de 15 anos, uma lanchonete, que fica no box ao lado. Ela é gerenciada por Achilles Puggina, pai de Paulinho. Nela, os clientes encontram salgados dos mais variados tipos, de assados a fritos. Os fritos, como coxinhas e risoles, aliás, são comprados e fritos na hora, mantidos sempre frescos.

OPÇÕES | São mais de 1.000 modelos de capinhas de celular

“Sempre chega ao fim do dia sem salgados”, destaca Paulinho, que frisa a venda ainda de bebidas, como refrigerante e sucos prontos, além de cerveja gelada, inclusive, de marcas que não são habitualmente encontradas, como a ‘A Outra’. Dos quitutes da lanchonete à banca de balas e outras guloseimas, o sabor vai além do paladar. Existe um ingrediente de saudosismo que mantém clientes, anos após anos, mesmo em um setor que, em muitas cidades, se tornaram apenas um retrato de parede.

Acessórios para celular viraram carro-chefe

Em meio a tantos itens que remetem ao passado, a Puggina Mix também sempre esteve de olho no futuro. A nomenclatura oficial é uma demonstração da evolução do estabelecimento. Tudo começou como Bomboniere Puggina. Depois, se tornou Lanchonete e Bomboniere Puggina. Com a diversificação dos produtos, uma mescla que é vista pelos stands e no balcão, a mudança precisava de um rebatismo e assim surgiu a Puggina Mix. “Vai colocando o que o povo pede e vai se adaptando, aumentando mercadorias, o espaço. Tivemos muita gente da área de horti e fruti que foi desistindo e a gente conseguiu autorização apara ampliar o espaço, colocando novas mercadorias”, afirmou Paulinho.

Nos corredores que ficam de frente com o box, telas tomadas pelo carro-chefe. As capas para celular, hoje, funcionam como marca registrada da loja.  E tudo começou, digamos, sem querer. “Um vendedor de Mogi Guaçu, que vendia doces, estava reclamando que estava difícil vender e procurando outras coisas. Um dia, eles chegou de São Paulo como uma caixa na mão com umas 20, 30 capinhas. Eu resolvi ficar com elas, pendurei em um cordão e na mesma semana vendeu tudo”.

VARIEDADE | De bonés a guarda-chuvas, local tem de tudo

Os celulares da época, hoje, são chamados de ‘tijolão’. Não eram todos que tinham, ainda, assim, chamava a atenção e se tornou uma boa opção de venda. Aos poucos, o número de aparelhos na mão da população cresceu e a demanda por capinhas também. “Hoje o Puggina Mix tem mais de 1.000 modelos. Temos dos lançamentos, dos mais antigos e até dos pré-históricos”, brinca Paulinho. De fato, é possível encontrar capas até para modelos que já foram referência em seu auge, como o Motorola V3. Além das capinhas, os clientes encontram películas de plástico, vidro e agora de silicone, lançadas para atender a demanda de celulares com telas curvadas.

“Os acessórios de celular são nosso carro-chefe, com certeza. E quando o cliente não acha o modelo que quer aqui, colocamos na lista e fuçamos São Paulo até encontrar”, frisa o comerciante. O Puggina Mix é hoje a maior referência nestes produtos na cidade, com uma ampla variedade. E não para por aí. Tem carregadores, cabos e baterias, além de outros produtos, como controles remotos e cabos para tomada. Quem dá uma volta pelo Puggina Mix, encontra ainda bonés e chapéus. Óculos de sol e adesivos. Guarda-chuvas, bolsas, chaveiros e até estojos escolares.

Para Paulinho, a manutenção do tradicional e a busca constante por novidades é um diferencial inegável de sua loja. Além disso, reconhece o tempo de serviços prestados à comunidade, o ponto conhecidíssimo e, claro, o atendimento. “Nós escutamos cada cliente. Não parece, mais 70% das pessoas não sabem mexer direito em celular. Nós atendemos com paciência, se querem cadastrar um chip, saber como funciona, nós explicamos. Este atendimento familiar, caseiro, cria uma corrente e as pessoas sempre voltam”.

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