A segunda pele de um legítimo guaçuano!

A paixão pelo Clube Atlético Guaçuano brotou em Samir Gimenes ainda garoto. Aos 13 anos, passou a acompanhar de perto os jogos do Mandi no histórico estádio Alexandre Augusto Camacho. “Em 1991, conheci o time em campo nesta sequência de times bons que foram feitos de 1988 e que culminou, em 1992, com o elenco que conseguiu o acesso”.

Após ver o primeiro jogo profissional justamente com um clube da cidade no gramado, Samir jamais abandonou seu amor alviverde. Em 1992, fez parte da TUMA (Torcida Uniformizada do Mandi), criada pelo Lago, um dos mais fanáticos torcedores do clube. Anos depois, em meio a alegrias e tristezas, o amor levou Samir a brigar pela história da agremiação que completa, em 2019, 90 anos de vida.

Em 2009, comprou a primeira camisa do clube e, hoje, a coleção conta com incríveis 45 uniformes do Mandi. O Guaçuano nunca teve muita tradição em vender camisa para a torcida, mas, o projeto à época contou com a comercialização no Camacho. “Quando eu comprei essa, eu não tinha intenção nenhuma de conseguir as outras”, relembra.

Foi aí que o torcedor começou a pensar. O Mandi nunca teve um memorial ou algum espaço que preservasse a história. “Antes da coleção, criei uma página no Facebook, em que coleto reportagens antigas, desde a profissionalização, que foi em 1975, até os dias de hoje. Tem muita foto, matéria e, por consequência, começou a surgir o interesse e eu via as camisas antigas e comecei a correr atrás”.

Através de colecionadores de outras cidades e até mesmo de ex-jogadores do clube, Samir foi ampliando o acervo. “Hoje são 45 camisas, todas diferentes uma das outras. De 2009 até os anos seguintes, eu fui comprando na própria cidade. Mas, as antigas, deu muito trabalho. Os ex-jogadores ainda tinham o sentimento pela camisa, por ter jogado no clube. Fiquei o enchendo o saco até aceitarem vender”, brinca Samir, que conseguiu várias camisas com colecionadores no Mercado Livre.

A camisa mais cara da lista é uma da temporada de 1988. Para Samir, a mais linda de todas. “Tenho a verde e a branca. A verde, consegui de um rapaz de São Paulo e ela está impecável e, na época, custou R$ 280”. Samir também gastou o poder de persuasão para convencer ex-atletas a vender camisas. Conseguiu a de 1992, do ex-lateral Anísio e até ganhou uma do ex-atacante Bilão, de 1996. Mas, a história mais complicada envolveu o ex-goleiro Garcia. “Ele havia presenteado a mãe, mas ela, vendo o meu empenho em conservar a história do clube, preferiu ver a camisa na coleção do que na gaveta”, conta, com orgulho, o torcedor.

No vasto acervo, a camisa mais antiga é da temporada de 1978. Já a mais nova, é de 2014, o último em que o Mandi disputou uma competição profissional. Com tanta história guardada, Samir garante que a coleção não preenche um ego pessoal e tem como motivação a conservação de um patrimônio histórico de Mogi Guaçu. “Hoje em dia, a molecada de hoje vangloria jogadores da Europa. Usam camisas de clubes como Real e Barça e sequer sabem a história dos clubes da sua cidade”, frisou.

Samir tem como referência um memorial do Velo Clube, de Rio Claro, com troféus, camisas e fotos. “O Guaçuano nunca teve nada disso. A história nunca foi preservada e parti disso. O meu sonho era, se o clube estivesse forte, disputando, era conseguir ter este memorial no próprio estádio, para que as gerações mais novas vejam o que o clube foi. E o Guaçuano tem uma história muito bonita”, completou.

Atuante no GAM (Grupo de Apoio ao Mandi), que conta com 21 pessoas, ele é um dos que seguem na luta pela volta do Guaçuano ao cenário profissional. O grupo faz oposição à atual diretoria e já realizou eventos importantes, como a festa pelos 25 anos do acesso de 1992, com um jogo beneficente, que teve alimentos doados à FEAG. “Não estamos batalhando pelo Mandi com interesses pessoais. Nosso único desejo é a volta do clube”. E, se um dia diretores e autoridades locais ajudarem a brigar por este patrimônio, quem sabe, o sonho deste torcedor se torne realidade e um memorial seja, de fato, construído. Para que os mais velhos possam relembrar as glórias e os mais novos possam saber o tamanho do tradicional Clube Atlético Guaçuano.

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