Cuidados especiais com bebês prematuros

Caroline Zacariotto Silva*

Bebês prematuros são considerados de risco para déficits no desenvolvimento motor, o que ocasiona a necessidade de acompanhamento nos primeiros anos de vida. Na medida em que o peso ao nascer e a idade gestacional diminuem e ocorre a associação de condições biológicas adversas, existe um aumento no risco de anormalidades no neurodesenvolvimento, principalmente para os que nascem com menos de 32 semanas de idade gestacional e com peso inferior a 1.500 gramas.

Embora haja manifestação de anormalidades neurológicas transitórias em 40 à 80% dos casos que desaparecem no segundo ano de vida, parece haver sequelas neurossensoriais graves e definitivas. Atrasos significativos de desenvolvimento também são evidenciados em 16% dos casos, ou seja, prejuízos no desenvolvimento aumentam com a redução da idade gestacional. Nesse sentido, fazer avaliações periódicas do progresso do desenvolvimento motor de cada criança é essencial na identificação dos desvios, o que facilita o encaminhamento para programas de intervenção precoce em prematuros a fim de melhorar a função motora.

Estudos demonstram que a intervenção dos pais no período equivalente ao termo dos bebês prematuros melhora o desempenho motor a curto prazo quando comparados aos que não recebem qualquer estímulo. Sendo que quando esses estímulos são fornecidos pelos pais a resposta é melhor do que quando feitos por terapeutas. Por conseguinte, este procedimento é totalmente viável e bem tolerado pelos recém-nascidos.

Os cérebros de bebês nascidos pré-termo são particularmente vulneráveis ​​a lesões pela rápida maturação cerebral no último trimestre. O desenvolvimento motor depende da experiência e da participação ativa, pelas quais as conexões sinápticas são refinadas e levam a mudanças na função e organização do cérebro.

Ambientes enriquecidos e estratégias de treinamento adequadamente direcionadas afetam o desenvolvimento cerebral e corticoespinhal e, assim, provavelmente influenciam a capacidade do cérebro de compensar os déficits após as lesões.

O período pré-termo e o primeiro ano pós-termo parecem ser essenciais para o desenvolvimento motor. Como resultado, as intervenções durante este período poderiam ser benéficas para otimizar o desenvolvimento motor de bebês prematuros.

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fisioterapia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

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