O Mogi Mirim vai retornar às origens?

O Mogi Mirim Esporte Clube não vai jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Também não sabe se jogará a última divisão paulista, já que o estádio está interditado há anos e existe muito o que corrigir. O clube está com o futebol terceirizado até 2022 em cessão que tentou ser revogada pelo presidente Luiz Henrique de Oliveira. E toda essa tragédia gira em torno do dirigente, mesmo que ele não esteja mais envolvido diretamente.

Na Justiça, os atuais gestores do clube, Diego Medeiros e Mário Choi conseguiram impedir a atuação direta de Oliveira. Em outras palavras, está proibido de entrar no estádio Vail Chaves. Ainda assim, a caneta está na mão do homem que ocupa a cadeira desde 2015 e é o protagonista de cinco rebaixamentos do Sapão em seis competições disputadas. Até o final do ano, a expectativa é para que o presidente esteja definitivamente longe do clube.

Um pedido de intervenção, com o afastamento de toda a diretoria executiva, está em trâmite na 4ª Vara Cível de Mogi Mirim, que está sob responsabilidade do juiz Rafael Imbrunito Flores. A ação de tutela cautelar antecipada é movida por um dos grupos que tenta devolver o comando do clube para a cidade. O representante legal é o ex-assessor de imprensa Geraldo Vicente Bertanha e uma das advogadas é a estrela do direito desportivo, Gislaine Nunes, famosa por ganhar inúmeras causas a favor de jogadores profissionais no início dos anos 2000.

O processo está em trâmite e uma das primeiras vitórias foi a prova de que Bertanha é, de fato, sócio do clube. Portanto, com direito de solicitar o que está nos autos. A ação pede, inclusive, que o empresário Cristiano Rocha assuma a função de interventor após o afastamento de Oliveira, tendo a missão de promover uma auditoria no clube e o recadastramento de sócios. Em um primeiro momento, a convocação de novos associados não deveria resultar em gastos. Seria a chance da cidade assumir de vez a dianteira de um clube à deriva.

Depois, uma eleição seria convocada para a escolha da nova diretoria. No momento, cogita-se de dois a três grupos para o pleito. De toda maneira, uma decisão da Justiça favorável pode colocar o Mogi em um novo rumo. Claro que as atrocidades financeiras e administrativas cometidas pela gestão Oliveira não serão sanadas da noite para o dia. Uma enorme dívida foi deixada e o clube despencou no cenário esportivo.

Porém, as coisas caminham para que a cidade reconstrua o clube que colaborou com o seu desenvolvimento. O Sapão pode voltar para o povo mogimiriano. Foi assim que o Sapo nasceu, em 1903. Foi assim que o Mogi foi reconfigurado, em 1932. E foi assim que o clube se manteve até o fim da gestão de Wilson Fernandes de Barros. Famílias como Chaib, Rottoli e Guerreiro antecederam a era gloriosa iniciada em 1981 e também fazem parte da história de conquistas. O Sapo está perto de voltar às origens e, se esta chance for dada, será a prova cabal. A cidade está ou não ao lado do seu querido clube?

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