Há 17 anos, o Mogi de Adilson Batista subia para a Série B

O estádio Vail Chaves hoje está em estado de abandono. Por mais que os novos gestores tentem dar um ‘tapa’ novo no clube, com a promessa da retomada do futebol profissional e de base, o local traz melancolia e saudosismo para quem ama o Sapão da Mogiana. Pensar que o local já foi palco de feitos vitoriosos e inesquecíveis para os mogimirianos.

Nesta quarta-feira (12), o Mogi Mirim completa 17 anos de uma de suas conquistas mais importantes. O acesso para a Série B do Brasileiro, em 2001. Por mais que o clube ostente troféus importantes, como a Série A2 de 1985 e de 1995, além do Torneio Ricardo Teixeira, em 1993. Porém, os acessos também chamam a atenção, principalmente os nacionais.

E tem muita história que o torcedor atual ou aquele mogimiriano que nem liga para o clube, não sabe. O Sapo começou a sua trajetória nacional ainda em 1988, dois anos após estrear na elite estadual. Como o regulamento mudava constantemente, chegou a jogar a Série B em outros anos, como em 1989. Em 1992, o clube chegou a desistir da disputa e, em 1997, foi, pela primeira vez, de fato rebaixado, após anos de certo protagonismo na segunda divisão nacional.

Em 2001, após a famigerada Copa João Havelange do ano anterior, o clube conquistou o primeiro acesso de fato. Jogou a Série C e subiu em campo, em uma fase em que a CBF parecia estar levando mais a sério as divisões de acesso do Brasileirão. Com Wilson Fernandes de Barros na presidência, o clube manteve seu espírito de apostar em técnicos novatos. Foi assim que projetou nomes como Vadão, Paulo Bonamigo, Argel e até Antônio Carlos, além dos recentes casos (já sem Barros), de Guto Ferreira e Dado Cavalcanti.

Adilson Batista foi a ‘bola da vez’ em 2001. O gaúcho de Adrianópolis havia recém-encerrado a carreira de atleta, com uma passagem pelo Corinthians, clube em que ganhou o Mundial de Clubes de 2000. Foi também o capitão da Libertadores de 1995 do Grêmio e reunia passagens pela Seleção Brasileira. Porém, como técnico, era uma incógnita. A partir de julho daquele ano, não seria mais, graças a um Sapão que também revelou bons valores dentro de campo.

A PRIMEIRA FASE

Na primeira fase, 65 clubes foram divididos em 10 chaves regionalizadas. Clubes hoje fora do cenário nacional, como o Corinthians-AL, antigo revelador de bons valores, como o meia Deco, e clubes que penaram para voltar à elite, como o CSA, que jogará a Série A em 2019 após mais de duas décadas fora da primeira divisão. O Brasiliense-DF, que no ano seguinte surpreenderia e com o vice-campeonato da Copa do Brasil, também estava entre os 65 escudos daquela Série C.

O Mogi Mirim entrou no Grupo I, ao lado de União Bandeirante-PR, Friburguense-RJ, Ituano-SP, Rio Branco-SP e Volta Redonda-RJ. Na estreia, no ainda chamado Wilson de Barros, fez 2 a 1 sobre o Volta Redonda-RJ. O clube ainda venceu outras cinco partidas na primeira fase, com destaque para os 4 a 1 sobre o União Bandeirante, em Mogi. Com seis vitórias, dois empates e duas derrotas, avançou para a segunda fase como líder da chave, com 20 pontos.

Na segunda fase, um grupo com muitos sulistas. O União Bandeirante se manteve como rival. O Brasil de Pelotas, hoje na Série B, também estava lá, bem como o Tubarão-SC e o mineiro Uberlândia. Entre muitas viagens, mais uma vez, a ponta do grupo ficou com o time de Adilson Batista. Foram duas vitórias, um empate e uma derrota em uma etapa que teve apenas um turno. E houve superação. O Sapo estreou com derrota por 2 a 1 diante do Brasil-RS e depois reagiu, com triunfos em casa sobre o Tubarão (4 a 0) e o União Bandeirante (2 a 0). Entre estes dois jogos, um importante empate sem gols com o Uberlândia, em Minas, selou o ponto necessário para a vaga.

Detalhe importante é que apenas um time por chave avançava para a fase final e o Sapo, mesmo líder, ficou quatro pontos a frente do último colocado, o Uberlândia, que somou três pontos. Etti Jundiaí, Atlético-GO e Guarany-CE também passaram, mas, nenhum somou menos pontos que o Sapo. Pelo contrário. O Etti avançou com 12 pontos. Ou seja, teve 100% de aproveitamento e era um rival a ser batido. Ou não obrigatoriamente.

FASE FINAL

No dia 25 de novembro, a saga pelo acesso começou para valer. O Mogi recepcionou o Guarany-CE, no Wilson de Barros, e meteu 3 a 0. Na segunda rodada, derrota em Jundiaí por 2 a 1 para o Etti, que despontava como o favorito a uma das vagas. Porém, na virada de turno, as coisas caminharam bem para o Sapo. No dia 2 de dezembro, o Mogi foi até o estádio Olímpico, em Goiânia, e bateu o Dragão por 4 a 2. Fora de casa, tropeço do Etti, que empatou com o Guarany.

As igualdades entre cearenses e o time que tinha o apoio da Parmalat deu fôlego ao Mogi, que voltou a vencer o Atlético-GO, em casa, por 1 a 0. O gol foi marcado aos 25 da etapa final, por Dênis, que posteriormente acrescentaria o Marques de seu sobrenome e faria sucesso em Atlético-PR e Santa Cruz-PE. No mesmo dia, um 9 de dezembro, Etti e Guarany empataram em 2 a 2 em Jundiaí. O Sapo assumiu a liderança e vislumbrou até mesmo o seu primeiro troféu nacional. Foi a nove pontos, contra oito do Etti. O Guarany, com cinco, ainda lutava, enquanto o Dragão, sem pontos, estava precocemente eliminado.

Veio então a rodada do acesso. E nem foi do jeito que o torcedor mais gosta. No Wilson de Barros, o Etti provou estar em ótima fase e ser o dono da melhor campanha, vencendo o jogo por 3 a 1. O clube, que voltaria a se chamar Paulista, anos depois, era comandado por Giba, ex-jogador do Corinthians e técnico do Santos, vice-campeão paulista de 2000. Falecido há nove anos, em decorrência de uma doença renal rara, o treinador comandou um Galo que ditou o ritmo do jogo mesmo em pleno estádio mogimiriano.

O time de Jundiaí criou duas boas chances de gol nos primeiros dez minutos. O Mogi, não se intimidou e levou perigo ao gol do Etti, mas o goleiro Artur (que recentemente defendeu a Chapecoense e teve destaque no futebol português) evitou a abertura do placar com boas defesas. A etapa final terminou empatada sem gols e o Etti abriu o placar aos 7 minutos, graças ao meia Marcinho (sim, aquele que depois defenderia Corinthians, Palmeiras, São Caetano e outros…). A cobrança de falta não poderia ser alcançada por Altieri e o arqueiro, cinco minutos depois, ainda veria Jean Carlos ser derrubado na área.

Wagner Mancini, hoje treinador de passagem por vários clubes da Série A, converteu e ampliou a vantagem tricolor. Aos 22, Ricardinho marcou o terceiro e selou o acesso do Paulista. O Sapão ainda descontou com o atacante Carlos, aos 28 minutos, mas insuficiente para reverter o quadro. Era preciso torcer para que o Guarany-CE não vencesse o Atlético-GO, em jogo realizado no mesmo dia. Horas depois, o Dragão venceu a primeira na fase final, meteu 3 a 1 no time de Sobral (CE) e confirmou o acesso do Mogi Mirim Esporte Clube para a Série B.

Na rodada seguinte, um Guarany ferido ainda ganharia do Sapo por 5 a 3, impedindo uma briga mais ferrenha com o Etti, campeão ao bater o Atlético-GO por 2 a 0, no Jaime Cintra. De qualquer forma, nem mesmo a derrota em casa impediu que o Sapão saboreasse um importante acesso. O time contava entre os destaques com o meia Ênio e o atacante Jó. Porém, três nomes daquele elenco brilharam em nível nacional. O zagueiro Chicão, nascido em Estiva Gerbi, rodou em outros clubes até chegar ao Figueirense-SC. Do Alvinegro Catarinense saiu com destino ao Corinthians, em 2008, e no Timão ganhou de tudo. Série B, Paulistão, Brasileirão, Libertadores e Mundial.

Quem também ganhou taças nacionais foi Zé Luís. Volante no Sapão, chegou ao São Paulo em 2007, e foi campeão do Brasileiro naquele ano e do seguinte, atuando improvisado como lateral-direito. Já o atacante Dênis Marques foi um dos craques do Brasileirão de 2004, em que o Atlético-PR ficou com o vice-campeonato, mas brilhou com nomes como Jadson, Dagoberto e Washington. O Mogi de 2001 seguiu brilhando através de seus craques em outras camisas e é uma das boas lembranças para quem sente saudade de ver o Sapão brigando por protagonismo no futebol brasileiro.

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