Caio Zampieri: do Campano para o mundo

O Brasil já esteve no topo do tênis mundial. Em 2000, Gustavo Kuerten assumiu a liderança da ATP (Associação de Tenistas Profissionais). Uma marca nunca imaginada e que ajudou a dar propulsão a uma modalidade que sempre sofreu com a caricatura de elitista. São raras as praças esportivas públicas que dotam de uma quadra da modalidade. É por isso que o centro esportivo Antônio Campano, em Mogi Guaçu, é tratada como uma das mais completas da região.

O espaço é, de fato, poliesportivo. E foi ali, naquela quadra, que Caio Zampieri deu as suas primeiras raquetadas.

Nascido no Jardim Murilo, em Mogi Guaçu, ele viveu boa parte da infância na Vila Champion. Chegou a jogar tênis também no clube da, hoje, International Paper, mas, foi no Campano, que tudo começou. “No esporte, meu primeiro contato foi com o futebol. Mas, eu era muito ruim. Gostava de fazer de tudo, fui campeão de vôlei da cidade pelo SESI, mas o tênis apareceu para mim de uma forma muito forte quando meu pai começou a jogar no Campano”. Ao lado do irmão, Marcos, que também se tornou profissional, brincava com a bolinha sem imaginar que o tênis se tornaria o seu ofício.

Aos poucos, passou a se dedicar às competições. As primeiras, ainda no Campano. Depois, quando a família mudou-se para Curitiba (PR) e posteriormente em Poços de Caldas (MG). Aos poucos, começou a rodar pelo país e a construir uma história marcada pela insistência, qualidade e uma pitada de imponderável.

Em seu primeiro Future (categoria de entrada dos atletas profissionais), em São Paulo, entrou em uma lista de espera para entrar no qualifying. “Precisava que alguém desistisse ou não aparecesse. O primeiro jogo foi às 8h00 e fiquei até as 22h00 esperando. Meus pais queriam ir embora, mas eu sentia que ia jogar. E, no último jogo, abriu a vaga. Joguei e ganhei a primeira partida. Depois perdi o segundo ‘qualy’, mas foi demais aquilo”.

Ele ainda tinha 15 anos e muita coisa o esperava. Passou a atuar mais vezes em Futures, fez seus primeiros pontos na ATP, até que em maio de 2005 chegou o seu grande momento. Ele foi campeão do Chesf Open Internacional de Tênis, mas, chegar até o ponto mais alto, teve muita conturbação.

Por problemas financeiros, não poderia sequer embarcar para Recife (PE). Mesmo ciente de que a vida na classe média lhe proporcionava condições importantes, estava cansado de não ter dinheiro próprio e de não conseguir viajar para as competições que precisava. “Cheguei a tirar tudo o que era de tênis do meu quarto e falar em casa que eu tinha desistido”.

Foi aí que o pai e o irmão entraram em cena e parcelaram no cartão de crédito a passagem para a capital pernambucana. Quando chegou lá, era somente mais um jogador recém-saído da categoria infanto-juvenil, batalhando pelos pontos no ranking da ATP.

Depois de vencer os dois jogos do qualificatório, o guaçuano passou pelo duelo regional com o mogimiriano Gabriel Pitta, Carlos Cirne Lima (SP), André Ghem (RS) e Rodrigo Guidolin (SP), até encontrar com Felipe Lemos na decisão. O carioca vinha do título do Future de Chetumal, no México e era apontado como favorito, mas Zampieri venceu por 7/6 (7/2) e 6/4. “Fui ganhando confiança durante a competição e aquele título me transformou. Ninguém esperava, nem eu. Quando tocou a música do Queen, ‘We are the champions’, desmontei em lágrimas”, relembra o agora ex-tenista.

A carreira tem muito mais histórias. Em 2004, antes mesmo do primeiro título em Future, foi convocado para representar o Brasil na Copa Davis ao lado de outras promessas, após o boicote de Guga e outros atletas da elite à CBT (Confederação Brasileira de Tênis) devido aos escândalos que envolviam o então presidente, Nelson Nastás. “Enfrentamos a Venezuela e tenho certeza que foi a mesma sensação que os jogadores de futebol têm em representar a Seleção, o país. Foi sensacional”.

Zampieri teve outras duas convocações para a Copa Davis, além de participações em qualifyings de Grand Slams, presenças em jogos de ATP 250, finais em Challengers e inúmeras taças em Futures. Hoje, trabalha em uma academia nos Estados Unidos ao lado de uma das maiores lendas da história da modalidade, o norte-americano James McEnroe. Os conhecimentos da modalidade quer conheceu no Campano e aperfeiçoou pelo mundo, são repassados adiante. Assim como a esperança de que novos ‘Zampieris’ possam surgir nas quadras de uma das praças esportivas mais importantes da Baixa Mogiana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *