O maior campeão da Libertadores mora aqui!

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Na última semana, a Conmebol definiu os grupos da Copa Libertadores da América de 2019. E não importa qual clube sairá vencedor e se um dos times daqui ficará com a cobiçada taça. Há uma certeza. O jogador brasileiro com o maior número de conquistas na história da competição sulamericana seguirá sendo um guaçuano. Vitor tem quatro conquistas. As primeiras, em 1992 e 1993, foram pelo São Paulo. Depois, em 1997, foi campeão com a camisa do Cruzeiro e, em 1998, venceu pelo Vasco da Gama.

O número é tão absurdo que ele tem apenas duas taças a menos que o argentino Francisco Sá, recordista no quesito, que faturou seis Libertadores (quatro pelo Independiente-ARG e duas pelo Boca Juniors-ARG). Quer mais? Se Pelé, Zico e Ronaldinho Gaúcho somarem as suas taças, eles apenas empatam com Vitor. Pois é, este guaçuano, filho dos alagoanos Hermes (já falecido) e Rita Maria, é o oitavo filho de uma família de 10 irmãos. A maior parte nasceu em Leme (SP), mas, Vitor tem Mogi Guaçu como sua cidade natal. A vida começou no numeral 760 da rua Mococa, onde vive, até hoje, a mãe.

O ainda franzino Claudemir (seu primeiro nome e como era chamado na infância), era, como o próprio intitula, um “neguinho de canela fina”. Gostava de ver a Seleção de 1982, mas jamais imaginava que seria companheiro de Cerezo, um dos ícones daquele time ou treinado por Telê Santana, o criador do timaço que encantou o mundo no início da década de 1980. E tudo o que conquistou tem relação com a cidade em que nasceu e vive até hoje.

Começou a jogar bola no campo do Cerep, nas imediações do seu bairro, o Itacolomy. Era treinado por Álvaro da Silva Domingos, o Índio e foi pelas mãos de um dos maiores nomes do esporte guaçuano que Vitor chamou a atenção de outros clubes. “Joguei um torneio pela Prefeitura em Itapira e foram me ver jogar. Eu atuava de zagueiro, tinha físico para atravessar o campo, fazer gols, dar passes. Eu já me destacava entre os garotos”.

Surgiu então o convite para jogar na Ponte Preta. Sofreu com a logística, já que seguia estudando e morando em Mogi Guaçu e viajando para Campinas treinar. “Eu tinha uma liberação da escola para sair 20 minutos mais cedo, pegava o ônibus correndo e seguia meu sonho”. Na base, também passou pelo Guarani e antes de chegar ao São Paulo, chegou a conciliar os treinamentos com a colheita de algodão junto com os pais.

Vitor superou as limitações da vida simples em Mogi Guaçu e se tornou um dos grandes nomes do futebol nacional. Maior campeão do principal torneio do continente, também tem estaduais e uma Copa do Brasil pelo Corinthians, além de passagens pelo Real Madrid e pela Seleção Brasileira.

BATE-BOLA COM VITOR

Como você foi parar no São Paulo?

Fui embora do Guarani em 1988 e o Dadá (que trabalhou na base do clube) disse para eu ficar tranquilo, que ia me colocar no São Paulo. Não contei nada para a minha família, não queria decepcionar com a saída do Guarani e na segunda-feira fui na vizinha ligar e ele disse que era para eu me apresentar na terça-feira no São Paulo, fazer avaliação. Dois dias de treino, estava aprovado. Em 1990 joguei a última Copinha, o Telê estava vendo e me subiu.

Qual o papel do Telê Santana na sua trajetória profissional?

O Telê Santana foi meu pai no futebol. O meu pai, quando comecei a jogar, ele era carpinteiro, trabalhava em Itapira e era molequinho e quando passei a jogar, ele não sabia o que era futebol. Esse cara (Telê) que me ensinou, que olhou o meu potencial. O Telê foi o meu pai e o São Paulo uma escola.

Mas a concorrência com o Cafu no time de cima era pesada não é?

O Cafu, para mim, foi um exemplo. Muita gente da imprensa me elogiava, mas falavam que era uma pena, porque meu concorrente era o Cafu, um cara de Seleção. Mas ele era um irmãozão. Eu ficava no banco e ele simulava contusão, para eu entrar e pegar o bicho integral. Até que uma vez ele se machucou e era para voltar em um mês. Voltou em 15 dias. Eu fiz quatro jogos e arrebentei, mas eu sabia que, com a volta dele, eu era banco. Só que aí cheguei no vestiário, nada de colete para mim e quem pegava o colete era reserva e deram para o Cafu. Entrei em campo e não joguei nada. Continuei mal até que o Cafu entrou no lugar acho que do Palhinha e aí nós voamos pela direita, o Cafu foi deslocado para o meio e eu virei titular.

Foi um erro ter ido para o Real Madrid em 1993?

Foi sim, porque em todos os times que fui depois do Real, sempre foi por interesse de presidente, treinador, jogador. Mas, o Cerezo, que já tinha jogado na Europa, me que, se fosse eu, não iria emprestado, iria vendido, que eu deveria esperar o fim do ano. Porque tem adaptação, porque passa rápido e que eu deveria torcer para não me machucar. Fui até bem no primeiro jogo-treino, contra a Internazionale, falavam que não precisavam mais do Cafu, mas, depois de oito meses, sem jogar muito, acabei voltando.

Post Author: Lucas Valério

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