Exclusiva: Ingo Hoffmann, o maior campeão da Stock

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O Autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu, sediará, pelo terceiro ano consecutivo, uma etapa do Campeonato da Stock Car, a principal competição do automobilismo na América do Sul. Em 2019, a corrida acontecerá mais cedo, no final de semana do domingo, 5 de maio. O calendário oficial foi publicado em dezembro e Mogi Guaçu será sede da segunda etapa. A abertura será no dia 7 de abril, em Tarumã, no Rio Grande do Sul. No total, serão 12 finais de semana da competição que teve Daniel Serra como vencedor em 2018.

Para entrar no clima deste grande evento, o GRANDE JOGADA começa o ano com um convidado mais do que especial. Ingo Ott Hoffmann é o maior ganhador da história da Stock Car. Em entrevista exclusiva, ele falou sobre a carreira, projetos e a relação com Mogi Guaçu. Mas, antes da palavra de um dos maiores pilotos da história do país, é importante apresenta-lo com honrarias. E números, claro.

Ingo Hoffmann detém vários recordes quando o assunto é Stock Car. Além dos 12 títulos, sete a mais que o segundo no quesito, Cacá Bueno, o paulistano tem 77 vitórias e 60 pole positions na história da competição. Estatísticas que, para serem derrubadas, precisarão de muitas temporadas.

O atual campeão, Daniel Serra, por exemplo, tem 18 vitórias e 14 poles, além de dois troféus. Ingo foi o segundo campeão da Stock. Após Paulo Gomes (outra lenda) faturar a taça em 1979, Hoffmann foi campeão em 1980. A galeria foi ampliada com os títulos em 1985, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998 e 2002. O piloto é o recordista de títulos seguidos, com seis, entre 1989 e 1994, além de ter disputado todas as temporadas desde a estreia da categoria, em 1979, até 2008, seu ano de despedida.

Aos 65 anos, Ingo é um dos maiores especialistas em automobilismo no Brasil. E não apenas sobre Stock. Ele foi o nono brasileiro a dirigir um fórmula-1. Em 1976, estreou pela Copersucar-Fittipaldi no GP do Brasil e ficou com a 11ª colocação. Também competiu na temporada seguinte, totalizando sua passagem pela elite do automobilismo mundial com seis corridas. Recentemente, assumiu a função de coordenador do Mitsubishi Drive Club, sendo responsável por cursos de pilotagem e técnicas de direção exclusivos no Velo Città. Hoje em dia, não possui mais um trabalho específico e fixo, sendo contratado, eventualmente, para orientar os “apaixonados que querem pilotar em um autódromo”.

Para ele, o circuito guaçuano está no topo do país. “O Velo Città é, com certeza, o melhor autódromo do Brasil no momento, em termos de traçado, manutenção e beleza. Conheço muitos autódromos pelo mundo, mas nenhum tão bonito, bem tratado e com um traçado tão técnico como este. O piloto tem que saber posicionar o carro muito bem para conseguir tempos de voltas ideais”.

INSTITUTO
Além da alta velocidade, o ex-piloto também tem uma relação forte com o social. O Instituto Ingo Hoffman é uma entidade beneficente sem fins lucrativos, que leva o nome do piloto Ingo Hoffmann, um dos grandes ídolos do automobilismo nacional, presidente da entidade. Fundado em 2005, o instituto tem a missão de oferecer mais conforto e qualidade de vida às crianças em tratamento do câncer e suas respectivas famílias.

Em parceria com o Centro Infantil Boldrini, hospital referência mundial no tratamento do câncer infantil, o Instituto Ingo Hoffman é responsável pelo projeto Casa da Criança e da Família, que abriga as crianças em tratamento intensivo e que não têm condições de serem mantidas por suas famílias fora de suas casas. Localizado em Campinas, no interior de São Paulo, o Instituto proporciona todo o suporte necessário para as crianças, como acompanhamento individual, emocional, além de oferecer um espaço que,além da moradia, inclui ampla área para interação e realização de eventos.

BATE-BOLA COM INGO

Ingo, gostaria que fizesse um balanço da sua carreira como piloto. Faltou alguma coisa?

Estou plenamente realizado com a minha carreira. Corri na Europa nos anos 70, de Formula 3, 2 e Formula 1, que é o ápice da carreira para qualquer piloto. Voltei a correr no Brasil no final dos anos 70, onde corri por 30 anos ininterruptamente na Stock Car e conquistei 12 títulos, o que me deixa muito orgulhoso. Corri também no Rallye Cross Country, em que ganhei um campeonato, e onde tive o maior prazer na pilotagem.

Qual a importância para o circuito e para a Mogi Guaçu de ser uma das sedes da temporada da Stock Car? 

Acho que a importância é muito grande, principalmente para Mogi Guaçu. A corrida é de extrema importância no calendário nacional, o que dá uma grande exposição para a cidade.

Além da Stock, há alguma novidade que possa ser aberta ao público em um futuro próximo?  

Em termos de autódromo, não acredito que tenha, uma vez que ele foi construído para ser um autódromo particular. Portanto, ele não tem a infraestrutura para atender um publico muito grande.

Fale também sobre o Instituto Ingo Hoffmann. Como é o trabalho desenvolvido, quantas crianças são atendidas?

O IIH foi criado em 2005 e ele é uma Casa de Apoio a crianças e familiares. Ele fica junto ao Centro Infantil Boldrini, em Campinas, onde temos 30 chalés que abrigam 30 famílias que têm as crianças em tratamento no Boldrini. Começamos a abrigar as famílias em abril de 2007, quando terminaram as obras e, de lá até os dias de hoje, já abrigamos ao redor de 11.000 crianças com seus pais, o que dá um total de 33.000 pessoas.

Post Author: Lucas Valério

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