Rodrigo Reis: da medicina para o futebol espanhol

“Meu sonho é jogar na Europa”. A frase é repetida por brasileiros, argentinos, argelinos ou marcianos. Os historiadores dizem que o futebol nasceu no Velho Continente, mas, nunca na história deste planeta desejos globais de atuar nos gramados europeus. Tem quem saia com 18 anos rumo ao Real Madrid. E tem histórias como a de Rodrigo Pedroso Reis. Nascido em 1995, na mineira Itajubá, desembarcou em Itapira em 2002.

Era ainda uma criança e, na cidade, de formou como cidadão. Filho dos médicos Giuliano e Érica Reis, sempre teve no futebol o seu grande sonho. “Desde que me conheço, sempre gostei de jogar. Já jogava na escola depois comecei a treinar no clube Santa Fé”. Aos 13 anos, Rodrigo foi para a base da Esportiva Itapirense. Depois, passou por outros clubes e chegou a atuar em quatro edições da Copa Itapira de Futebol Amador. O meio-campista defendeu as cores do Santa Fé e do Valencia e, quando estava no Morcegão, a vida sofreu uma reviravolta.

Aos 18 anos, desistiu da bola e partiu para a faculdade. Cursou quatro anos de medicina na Unimes, em Santos. Mesmo com os livros como ferramenta, não abandonou a bola e passou a disputar competições universitárias. Foi aí que o destino fez sua vida tomar um rumo diferente. “Fui campeão estadual de futsal e futebol e, se não fosse essa minha passagem, nunca teria chegado aqui. Ganhamos vários títulos, especialmente em 2017 e 2018, quando chamei atenção da empresa que me convidou a vir para a Espanha”.

Sem nunca ter atuado profissionalmente no Brasil, hoje Rodrigo defende o Club Deportivo Almuñecar City, que fica na região da Andalucia, conhecida no futebol pelos clubes Sevilla, Bétis e Málaga. A empresa A10 Academy foi a interessada no atleta, que foi um dos melhores no torneio universitário que disputava em 2018. No dia 1º de agosto, chegou em solo espanhol.

Passou 45 dias em testes, mas, em setembro, quando a temporada começou, a permanência era uma certeza. “Estava ansioso. Sabia que o nível e o estilo de jogo seriam bem diferentes do que eu estava acostumado no universitário. Tive um pouco de dificuldade na adaptação. O futebol aqui é muito mais rápido, os treinos são diferentes, acontecem em períodos menores de tempo, mas a intensidade é muito maior. Não é fácil sair de uma vida onde você está 100% focado em estudar e o treino é apenas algo para desestressar, para uma vida 100% foçada no esporte de alta intensidade”.

No início, as dificuldades habituais. Ficou entre os reservas do sub23 durante a maior parte da pré-temporada. “Mas, não desanimei. Fui trabalhando, conquistando meu espaço, e nessa primeira metade da temporada já superei minhas expectativas”. A transformação repentina em sua vida se assemelha aos melhores enredos de um filme de Hollywood ou uma série do Netflix.

“Realmente parece um roteiro de filme. Eu quase terminando a medicina e aparecer isso. Envolve muita coisa, mas, o mais importante, foi que fiz tudo do meu coração. Nunca joguei pela faculdade pensando que algo assim poderia acontecer. Então, o que era a minha diversão, de tanto que me dediquei e esforcei, tenho a chance agora de fazer disso minha profissão. Se foi sorte, destino, não sei. O que sei é que estou aqui agora e no que depender de mim, da minha força de vontade e dedicação, farei o que estiver ao meu alcance para viver esse sonho que é ser um atleta profissional de sucesso”.

O Almuñecar disputa o equivalente à sexta divisão espanhola. Hoje, é líder da 2ª divisão provincial, da região andaluza. O clube lidera a competição, com 34 pontos em 15 rodadas. Se o clube sonha com o acesso e o título, Rodrigo sabe que suas atuações podem levá-lo a um próximo e inesperado passo. “Até a metade da temporada tivemos seis jogadores negociados para divisões superiores da Espanha, além da Suécia e Finlândia. O presidente do clube sempre conversa com os atletas e já rolaram umas sondagens, mas nada oficial”. No trajeto da vida, Rodrigo Reis é um passageiro que não conhece o seu destino. E isso tem sido muito bom.

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