A origem de uma paixão em verde e branco

Contar a história do esporte como um todo já não é simples. Em um país como o Brasil, em que as autoridades permitem que um museu nacional seja destruído pelo fogo, levantar informações do que acontecia nos séculos passados é uma missão complicada. Ao tratar do aniversário do Clube Atlético Guaçuano e de como se deu a sua formação, é necessário falar de vários aspectos.

O primeiro deles é que Mogi Guaçu não possui um acervo histórico rico. Os primeiros jornais da cidade eram de municípios vizinhos e, justamente por este motivo, o Museu Histórico não possui uma vasta coleção de periódicos datados do início do Século XX como ocorre em Itapira ou Mogi Mirim. Em relação ao esporte local, é possível conhecer um pouco mais sobre a sua história, por exemplo, através do livro ‘Mogi Guaçu – Três Séculos de História’, do historiador Ricardo Artigiani.

Um dos primeiros times de futebol da cidade foi o Mogi-Guassú Sport Club. Repare na grafia bem diferente da utilizada nos dias atuais. É um dos sinais dos tempos. No dia 2 de julho de 1911, foi inaugurada a praça de esportes, “nos fundos da Olaria e perto do vale do Jacob”, com o duelo entre a equipe guaçuana e o Sport Club Itapirense. Este foi um dos primeiros espaços esportivos da cidade, que também contava com um campo improvisado na Praça Duque de Caxias, na antiga Estação.

Eram outros tempos e Mogi Guaçu basicamente se concentrava em sua atual região central. O futebol era completamente amador e a formação dos clubes nem sempre se davam de forma oficial. Justamente por isso, são encontrados registros de um time chamado ‘Club Athletico Guassuano’ antes mesmo de 1929. A primeira diretoria constituída da agremiação que se tornaria a maior representante da cidade, foi aclamada em reunião realizada há exatos 90 anos.

Naquela noite de terça-feira, 26 de fevereiro de 1929, 61 pessoas se reuniram no antigo Cine República, espaço cultural, localizado à rua Apolinário, na esquina com a rua Capitão Antônio Gonçalves Teixeira. O local em que hoje se encontra uma das lojas da Montreal Magazine marcou o início oficial do Mandi. Naquele dia, a diretoria foi eleita com Hermínio Bueno definido como presidente honorário e o capitão Agenor de Carvalho como vice-presidente honorário. Alexandre Augusto Camacho foi eleito como ‘presidente efetivo’.

A diretoria contou ainda em sua primeira formação com Júlio César Armani (vice-presidente), Ernesto Coelho Ferreira (secretario geral), João Stabille (secretário), Luiz Chiarelli (1º tesoureiro), Renato Bueno (2º tesoureiro), José Franklin Silva (diretor esportivo), Ricardo Artigiani (2º diretor esportivo), Ottilio Ognibene (orador) e Joaquim Rangel (fiscal de campo). Ainda foram escolhidos para o Conselho Fiscal, os farmacêuticos Oscar Bueno e João Pereira da Silva, além de José Franco de Paula, José Pinto Martins Junior e Aliçady Ribeiro.

Foi com estes nomes que o Guaçuano começou a dar seus primeiros passos oficiais. Antes, os amigos se reuniam para jogos de futsal e atividades como dominó. Havia até um sede própria, situada na rua 13 de maio. Um estatuto foi redigido e o clube se filiou à antiga Liga Paulista de Football e fez parte da Liga Mogyana de Football. O jornal ‘Correio Paulistano’ de 4 de julho de 1929, publicou que, no dia 30 de junho, o Athletico havia batido a Associação Atlética Itapirense, clube oriundo da fusão do Paulista com o Sport Club, antigas agremiações da cidade vizinha. Naquele domingo, o ‘Guassuano’ foi campo com Guarany; Ianin e Zito; Dão, Cido e Luiz; Pedrini II, Adhemar e Pedrini I; Orlando e Zico.

O esquema WM (2-3-3-2), eternizado pelo inglês Herbert Chapman. O Mandi nasceu seguindo a ordem mundial do futebol. E também queria ter a sua própria casa. Em fevereiro de 1930, o jornal ‘Diário Nacional’ publicou que a sua redação de esportes foi convidada a prestigiar a inauguração da nova praça de esportes do Athletico Guassuano. A diretoria da época, encabeçada por Alexandre Augusto Camacho, chegou a gastar 30 contos de réis para a construção de seu campo, isso sem contar o terreno, que foi doado pela Câmara Municipal. O espaço foi identificado na reportagem como “um dos pontos mais altos, de onde se avista o panorama da cidade”. Gramado um mês antes da festa inaugural, o campo contava com medidas oficiais e a festa inaugural teria como convidado um clube da Capital.

Em 1951, o projeto de Lei nº 77, assinado pelo prefeito Orlando Chiarelli, definiu que a então praça de esportes, chamada à época apenas como ‘Campo do Mandi’, passou a denominar-se ‘Estádio Alexandre Augusto Camacho’. Fato é que ali, nos idos de 1930, o Atlético, sob a batuta do homem que hoje dá nome ao estádio mais importante da cidade, já se consolidava como uma agremiação de sucesso. Nos anos seguintes, o clube se dedicou ao amadorismo, sendo campeão do Amador Regional em 1957 e 1958. Inativo entre 1959 e 1974, retomou as atividades para suprir a ausência profissional do Grêmio Esportivo Guaçuano, clube fundado exatamente no ano seguinte à paralisação das atividades do antigo Mandi.

Hoje, o futebol profissional da cidade também está parado. Neste aniversário de 90 anos, o Atlético Guaçuano tem inúmeros motivos para sorrir, mas muitos também para lamentar. A ausência em cinco temporadas seguidas é um dado negativo e inédito na trajetória de um clube nascido para propagar o esporte na comunidade e expandir o nome da cidade em todo o país. Que o momento atual seja apenas passageiro e que o Atlético dos Camachos, Buenos, Artigianis e de todo o povo renasça e esteja em plena atividade nesta nova década. Que venha a festa pelos 100 anos do querido Mandi da Mogiana.

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