Camacho, Bibi e a história dos presidentes do Mandi

O Clube Atlético Guaçuano teve 18 presidentes em sua história. O primeiro foi Alexandre Augusto Camacho, um dos maiores nomes da história da agremiação. Gerente da Caixa Rural de Mogi Guaçu na década de 1920, nomeado delegado de polícia em 1925, membro do Conselho Consultivo da Prefeitura em 1935. Camacho foi eleito presidente na assembleia que fundou oficialmente o Atlético, em 1929.

Foi um dos responsáveis pela construção do campo que até hoje é o principal de Mogi Guaçu. Espaço inaugurado em 1930 e que, em 1951, passou a levar seu nome. Camacho faleceu exatamente naquele ano, quando assumiu a presidência o senhor Euro Albino de Souza, um dos sócios da Cerâmica Chiarelli e ex-presidente da Câmara Municipal. Ele permaneceu no cargo até 1958, quando o clube paralisou as suas atividades.

Da retomada, em 1974, até 2016, outros 16 homens tomaram a dianteira do clube. Nenhum, porém, ficou tanto tempo quanto Admir Falsetti, o Bibi. Ele foi, ao lado de Peri Caveanha e Cássio, um dos três únicos atletas que atuaram pelos três clubes profissionais que a cidade já teve (Cerâmica, Grêmio e Atlético). Jogador do Mandi entre 1974 e 1977, chegou a vestir a camisa do clube enquanto vereador e vice-prefeito municipal.

“Em 1977, o time não ia nem disputar o campeonato. De última hora, entramos. O técnico era o Lilo, de Campinas. Fomos em 11 jogadores no ônibus. Saímos do Guaçu às 5h00 e chegamos em Cruzeiro, fui recepcionado pelo prefeito, me apresentou para todo mundo e me questionou se eu jogava. Eu falei que estava fazendo bico, que só tinha 11. Era dia de aniversário da cidade, o Cruzeiro tinha um timão. No primeiro levamos cinco bolas na trave. No segundo tempo, umas quatro ou cinco no peito do Zé Muié (goleiro do Mandi). E ganhamos o jogo de 1 a 0”, relembra Bibi.

Após a passagem como atleta, foi presidente do Guaçuano em 1981, 1988 e entre 1995 e 2007. Neste período, chegou a presidir o Conselho Deliberativo, entre 1991 e 1992 e 1994. Também foi membro do conselho em outras oportunidades e teve vida ativa dentro do clube. Entre as passagens marcantes, o acesso à Série A2, em 1981. Na fase final do Grupo Azul, o dérbi com o Mogi Mirim foi intenso. Na ida, empate em 1 a 1 no Camacho. Na volta, igualdade sem gols, no Vail Chaves.

Era o primeiro ano de Bibi como presidente do Mandi e também o primeiro de Wilson de Barros no comando do Mogi Mirim. Um duelo histórico nos bastidores e que tem uma revelação inédita feita por Bibi ao GRANDE JOGADA. Com os dois empates, era necessária uma partida extra, em campo neutro, para definir quem ficaria com a taça daquela fase. Sabendo que Barros jamais aceitaria jogar em Pinhal, Bibi propôs o duelo para o estádio do Ginásio Pinhalense. “Deixamos ele escolher o Limeirão. O pessoal da Federação me ligou e falou que ele queria jogar em Limeira, eu então falei, jogamos, mas tem que ser à noite. O Wilson não tinha como dizer não. O que ele não tinha ideia é que eu sabia que o goleiro do Mogi, o Paulinho, era daltônico e tinha dificuldades em jogos noturnos. Ganhamos a final de 4 a 3, com duas falhas do goleiro do Mogi”, relembra o ex-presidente do Atlético.

Bibi saiu em 1982, dando lugar a Joao Batista Lucas. Em 1987, Bibiano Francisco Eloy, ex-vereador e ligado até hoje ao futebol graças à história do Itaqui no Amador, encerrou seu mandato e ninguém queria ocupar a função. “Sobrou pra mim. Convidei o Luiz Carlos Martins, que tinha encerrado a carreira no Pinhalense e caíamos só na semifinal”, recorda Falsetti. Sebastião Queiroz foi o presidente a partir de 1989. Foi sob o comando dele que o Mandi conquistou o vice-campeonato da Série A3 de 1992. O acesso não foi consumado devido à falta de capacidade do estádio (algo semelhante aos dias de hoje). Em 1993 o Mandi ficou fora do campeonato, mas, retornou em 1994 com o apoio da Construtora Simoso e do então deputado Carlos Nelson Bueno, hoje prefeito de Mogi Mirim.

“Aí mandaram recado para mim. Eu era do Conselho e, se eu não saísse, não ia ter apoio da empresa. Mas, não foi a Simoso que mandou, foi o Carlos Nelson”. Bibi recorda que deixou o Conselho para não prejudicar o clube. Em 1995, porém, em pleno campeonato, Queiroz renunciou ao cargo. Começou então um efeito dominó. Assim que a carta chegava ao ocupante da cadeira abaixo, um novo renunciante. O vice-presidente Luiz Mesquita Fialho também renunciou, assim como João Batista dos Reis, ex-vereador e então presidente do Conselho.

“Isso em uma quarta-feira. Dispensaram os jogadores  e tinha jogo no domingo pelo campeonato,  em Andradina. Sabe onde foi parar a carta? Na Gazeta Guaçuana. E aí pediram o que? Para entregar para mim na minha casa, onde moro hoje. Eu era vereador”, relembra. Neste momento da entrevista, Bibi faz questão de dizer que  tudo o que está falando, assina embaixo. “O que eu fiz depois disso? Primeiro, reuni os conselheiros emergencialmente. Liguei para o doutor João Zanforlim e falei para ele segurar um W.O em Andradina. Chamei de volta alguns jogadores, inscrevi outros, chamei o treinador Aleluia e terminamos o campeonato”, conta Bibi.

Em 1996, o Guaçuano começa uma era de 12 temporadas inteira com Bibi na presidência, a maior sequência dentro do período profissional do Mandi. Depois de anos no clube, afirma ter saído pelas críticas recebidas. “Ninguém queria assumir o Atlético. Falavam mal de mim, mas ninguém pegava”.  Em 2008, passou a gestão para Rodrigo Bueno e em 2009, Carlos Alberto Ferreira de Araújo, o Mosca, outro ex-vereador com passagem pela cadeira máxima do clube, realizou a transição com o grupo do então prefeito Dr. Paulinho (Paulo Eduardo de Barros).

José Máximo Filho assumiu a presidência e Amarildo Donizete Constantino era o homem forte da gestão. Com a parceria com o empresário Adilson Brito, o Mandi chegou ao acesso para a Série A3, em 2011. Depois, em 2012, o então advogado do clube, Paulo César Sabino, assumiu a presidência, renunciando em 2015, quando o ex-goleiro Israel Lanza, o Tamborim, tomou posse. A eleição de Lanza chegou a ser registrada, mas, jamais oficializada perante a Federação Paulista, que ainda ostenta na página do Guaçuano a imagem de Sabino como presidente. Após 90 anos de tantos e tantos nomes à frente do clube, hoje o Mandi não tem um patrono.

TODOS OS PRESIDENTES DA HISTÓRIA DO ATLÉTICO GUAÇUANO

1929 – 1951
Alexandre Augusto Camacho

1951 – 1958
Euro Albino de Souza

1974
Reinaldo Lucon (Nardinho)

1975
Luiz Roberto Martini

1976
Roberto Carlos Bataglini (Zito)

1977 – 1978
Dr. Dino Miachon

1979
Joaquim de Arruda

1980
Dr. Rafael de Souza

1981
Admir Falsetti (Bibi)

1982 – 1983
João Batista Lucas

1984 – 1986
Álvaro Nunes Barrio

1987
Bibiano Francisco Eloy

1988
Admir Falsetti (Bibi)

1989 – 1995
Sebastião Queiroz

1995 – 2007
Admir Falsetti (Bibi)

2008
Rodrigo Bueno

2009
Carlos Alberto Ferreira de Araújo (Mosca)

2010 – 2011
José Máximo Filho

2012 – 2015
Paulo César Sabino

2015 – 2016
Israel Lanza

2017 – 2019
Sem presidente

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