As glórias guaçuanas em 90 anos de história

O Atlético Guaçuano nasceu na era amadora do futebol. O profissionalismo, em São Paulo, só ocorreu em 1933 e o processo foi lento. Em seus primeiros passos, o Mandi tinha uma agenda semelhante à gigante maioria dos clubes do interior. Realizava amistosos e acumulava taças de partidas únicas, ofertadas por autoridades locais ou das cidades que visitava. O Mandi foi um dos tantos times filiados à Liga Mogyana de Football, que reunia equipes de cidades como Mogi Mirim, Itapira e Aguaí.

O clube celebrou o seu primeiro grande título em 1957. No dia 30 de junho daquele ano, no estádio Alexandre Camacho, Atlético e Cerâmica fizeram o ‘Derbi de Mogi Guaçu’ na final do Setor 16 do Campeonato Amador do Estado de São Paulo. Os gols saíram no segundo tempo. Manã, aos 35 minutos e Arthur, aos 40 minutos, marcaram os tentos alviverdes diante do ‘Clube da Chaminé’. Naquela tarde, o Mandi foi a campo com Benjamim; Jarinho e Délvio; Zaque, Tatão e Sarcinelli; Manã, Jonas, Arthur, Clóvis e Nezinho.

Publicação do jornal ‘A Gazeta Esportiva’ destacando o título do Mandi em 1957 | Foto: Acervo da Biblioteca Nacional

No ano seguinte, o Mandi voltou a conquistar a competição regional. Depois, ficou inativo, retornando às atividades apenas em 1974. Controvérsias são levantadas pelos mais antigos. Uns, dizem que aquele foi o último ano do antigo Grêmio Guaçuano. Outros, que não era um torneio profissional. Fato é que os jornais da época cravam que o Mandi estava de volta e a Federação, em seus registros, dá toda a nota oficial ao torneio.

No ano seguinte, a Prefeitura, comandada à época por Carlos Nelson Bueno, realizou a iluminação do estádio. “Após um bom embate, fui atendido”, recorda o ex-presidente Bibi Falsetti, vereador à época. No dia 9 de abril de 1975, foi inaugurada a iluminação, com uma vitória histórica sobre a Ponte Preta, por 1 a 0, com gol de Babá Caveanha.

E 1975 entraria para a história por mais um título, desta vez, no profissional. O delegado de polícia da época, o Nan Bertini, em sintonia com o então presidente do clube, Luiz Roberto Martini, o Bertinho, pediram apoio ao prefeito para a disputa do campeonato. “O Carlos Nelson topou com a seguinte contra-proposta. O município bancaria tudo, mas, os portões seriam abertos ao público. Um fato inédito e a legislação permitia”, relembra Falsetti.

O forte esquadrão comandado por Nan, que contava com figuras como Toninho Bellini, Nelsinho, Luizinho Pasté, Du, Babá, Miguelito, Henrique Stort e tantos outros, perdeu apenas uma partida e venceu a Série Petronilho de Brito. Neste ano, porém, não houve acesso, tampouco o título da Terceira Divisão foi disputado. Em 1977, o Mandi voltou a conquistar a Série Petronilho de Brito, em time comandado pelo técnico Lilo, o homem que revelou o Mestre Dicá para a Ponte Preta.

Em 1981, equipe foi campeã do grupo ao vencer o eterno rival Mogi Mirim na decisão | Foto: Acervo da Página Torcedores do Mandi no Facebook

Outro feito importante na história alviverde foi registrado em 1981. Com Babá Caveanha como técnico e Bibi Falsetti na presidência, o Mandi conquistou o acesso para a Segunda Divisão (espécie de Série A2 atual). Curiosamente, o time começou com uma série negativa, mas depois chegou a aplicar goleadas históricas.

No Descalvadense, fez 7 a 0 fora de casa e 8 a 0 no Camacho. Também fez 7 a 1 sobre a Santarritense e chegou à fase final com créditos. Na final do Grupo Azul, dois empates com o Mogi levaram a partida para o jogo extra, com o Mandi vencendo o grande rival por 4 a 3, em Limeira. Na briga pelo título da Terceira Divisão, caiu em uma chave com Primavera, Bandeirante, Novorizontino e Tupã e a taça ficou com o Cruzeiro, que bateu o Mandi na última rodada por 4 a 0, em Cruzeiro.

No mesmo ano, além do acesso profissional, o clube ainda foi campeão da respectiva divisão no Estadual de Juniores, em equipe comandada pelo técnico Álvaro da Silva Domingues, o Índio. No aspecto profissional, os anos 1980 ainda tiveram campanhas interessantes, como a chegada à semifinal da Segunda Divisão (Série A3) em 1988, quando a equipe caiu após duelar em chave com Independente, União Barbarense e Velo Clube.

No dia 9 de dezembro de 1992, a vitória por 3 a 0 diante do DERAC confirmou um dos acessos mais celebrados. O Mandi ainda ficaria com o vice, após perder para o Oeste, em Itápolis. Mas, a festa estava garantida. O time contava em seu elenco com figuras emblemáticas, como Papinha e Humberto Suzigan. Na escalação, Garcia, Anísio (Joel Cassiano), Papinha, Sinomar e GilmarSilvinho, Donato e Humberto; Manó (Volpone), Bilão e Ismanir (Augusto).

A festa só não foi maior porque, em 1993, a Federação Paulista fez inúmeras exigências e o estádio não foi adequado para jogar a Intermediária. O clube voltou, mas sem a mesma força. Esteve até no quinto e sexto nível do estado e voltou a celebrar um acesso em campo em 2011. No dia 23 de outubro daquele ano, o time dirigido por João Batista, hoje técnico do Flamengo-SP, venceu o Votuporanguense por 2 a 0 no Camacho.

O Mandi foi a campo com Victor; Guilherme, André Luiz, Gustavo e Danilo; Sulivan, Roberto, Paulo Henrique e Felipe Bertoldo; Thiaguinho e Tiago Chulapa. A volta ao terceiro degrau do futebol em São Paulo estava consolidado. O Mandi voltou à A3 arrebentando, mas, perdeu o acesso na última partida e a história de glórias foi travada.