Exclusiva com Carlos Nelson: esporte em pauta

O prefeito de Mogi Mirim, Carlos Nelson Bueno, atendeu a reportagem do jornal GRANDE JOGADA para uma entrevista exclusiva. CNB completou 79 anos de vida na quinta-feira, dia 21, sendo quase 60 deles dedicados à ‘vida política’. Foi deputado estadual e federal. Prefeito de Mogi Guaçu e Mogi Mirim, cidade que retornou à administração a partir de 2017. Na entrevista concedida em seu gabinete, um dos temas abordados foi o Mogi Mirim Esporte Clube, que atravessa a pior fase de sua história centenária.

A agremiação convive com as declarações de seu presidente, Luiz Henrique de Oliveira, de que pretende construir um shopping na área do estádio Vail Chaves e de que fechará as portas do clube. Carlos Nelson deixou claro não querer falar muito sobre o assunto. Sabe que há discussões na esfera judicial e que o clube tem caráter privado, por mais que seja um patrimônio histórico e imaterial do Município.

Porém, foi enfático ao dizer que, caso haja uma possibilidade ou um risco de uma destinação diferente da área do que a atual, pretende entrar em ação. “É um assunto muito delicado. Mas, se por ventura, houver uma destinação diferente daquela área, eu, como prefeito, estando aqui, tendo apoio da Câmara, farei de tudo para que a obra seja mantida como está. Para servir à população”.

O prefeito completou que, caso haja uma nova destinação que não seja para o esporte, como já foi comentado, será uma enorme perda para a cidade. “E sendo uma perda, deverei evitar”. O estádio Vail Chaves foi inaugurado oficialmente em 29 de agosto de 1943. A área já era utilizada pelo Sapão, que recebeu a doação do Estado definida através de projeto de lei aprovado em 1947.

A lei chegou a ser revogada em 2006, mas, o entendimento de advogados consultados pelo GRANDE JOGADA é de que a doação segue intacta e que, o clube só perde a área caso a finalidade que resultou na doação seja extinta. Ou seja, se o clube sofrer uma dissolução, a área retorna ao Estado. Um assunto complexo e no qual o prefeito fez questão de afirmar. Nem ele ou um assessor a seu pedido debruçaram sobre o assunto do direito da área. “Não posso antecipar atitudes que não sei se terei condições de tomar”.

O que Carlos Nelson deixou claro é que, enquanto cidadão e apaixonado por esporte desde a infância, torce não apenas pela sobrevivência do clube, mas para que o Mogi Mirim volte à sua era de glórias. “Seria extremamente importante, motivo de uma grande comemoração, que o clube fosse resgatado da situação de insolvência pela qual está passando. Que se reerguesse e fosse capaz de manter uma direção que olhe, basicamente, o interesse da cidade, do coletivo”.

REGIONAIS

Em 2019, Mogi Mirim celebra 250 anos e o prefeito fez questão de ressaltar a criação de uma comissão que será responsável por inúmeros festejos durante todo o ano. No esporte, além de inúmeras competições locais, o prefeito confirmou o retorno da cidade aos Jogos Regionais. Ausente desde 2016 da maior festa do esporte regional, Mogi Mirim disputará a competição em Americana. “Temos até recursos orçamentários para isso. Foram destinados R$ 250 mil só para o apoio para a comitiva. É um esforço meritório do governo. Não podíamos condenar a cidade à inanição. É uma forma de mostrar que o esforço tem um objetivo. Não é para vilipendiar sobre o passado, mas garantir um resgate do futuro”.

NIAS

Outro assunto abordado pelo GRANDE JOGADA foi em relação ao NIAS (Núcleo Integrado de Assistência Social), situado no bairro Mogi Mirim II, na Zona Leste da cidade. Inaugurada em maio de 2012, a área não oferece condições de uso para a população praticamente desde o início de sua operação. “Foi um sonho onde eu errei”, afirmou o prefeito. O espaço foi construído como contra-partida a concessões feitas a dois empresários que apresentaram um projeto de construção de quatro torres no encontro das avenidas JK e 22 de Outubro, na Zona Norte.

“A forma mais conveniente foi receber no espaço em que está o NIAS uma área classificada como área institucional, com a construção de um centro esportivo, já que o da Vila Dias já estava superado, com um ginásio coberto apertado, um campo pequeno” recorda. Após a aprovação, o ex-jogador Rivaldo apareceu com o mesmo objetivo. Construir um conjunto de prédios próximo à Praça Floriano Peixoto (Jardim Velho), na região central. “Foi transferido a ele a tarefa de fazer. Mas, a concessão ao Rivaldo foi menor em valor e eu acho que a Prefeitura não acertou em tudo e fez um projeto mais simples de ser executado e muito difícil de ser mantido. Aí foi o erro”, enfatizou Carlos Nelson.

Durante a entrevista, o prefeito fez questão de ressaltar que, em seus primeiros oito anos de mandato, dispensou a maior parte do tempo a executar obras de saneamento. Em sua visão, a cidade estava atrasada em uma área vital e não se arrepende, ao contrário, se orgulha, em ter colocado Mogi Mirim em outro patamar quando o assunto é tratamento de esgoto. Também destacou a gestão na Saúde Pública, que, até hoje, segue como a prioridade de seu governo. Por outro lado, reconhece que teve uma gestão com mais obras esportivas em Mogi Guaçu, em que foi o responsável pela construção de vários centros esportivos, como o Furno, e também pela criação da MEG (Maratona Esportiva Guaçuana), competição que agita a cidade até os dias atuais.

Ponderou que viveu contextos diferentes e ressaltou ainda uma curiosidade pessoal. “Sempre fui de delegar, mas aqui não conseguiria de forma alguma ser mais autoritário do que lá, por mais que eu tenha um viés autoritário. Aqui, talvez por ser uma cidade em que eu convivi desde jovem, mas não nasci aqui, fui mais liberal e essa liberalidade foi fatal e o projeto (do NIAS) não ficou como eu sonharia se fosse eu o responsável pelo projeto. Ficou uma obra barata e dificílima de ser concebida”.

Pontuou ainda que “veio outro desastre”, a sua sucessão. Em sua visão, com Gustavo Stupp, o NIAS ficou quatro anos em total estado de abandono, agravando ainda mais a situação. “O mato toma conta, vira um depósito de lixo, a própria população desrespeita e hoje não se trata de fazer um novo NIAS. Trata-se de resgatar o respeito de quem perdeu o respeito”.

Crédito da imagem: Silveira Jr./Prefeitura

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *