Sul-coreanos falam sobre projetos no Mogi Mirim

O Mogi Mirim Esporte Clube estará inativo no futebol profissional em 2019 e isso já não é uma novidade. O que poucos sabem, de fato, é quem está por trás do clube, quais seus projetos e porque o clube ficou fora do estadual mesmo se preparando desde outubro do ano passado. A reportagem do GRANDE JOGADA foi recebida no estádio Vail Chaves por André Ko, 42 anos, e Denis Ahn, 41 anos.

Empresários de vários setores, sobretudo, de importação, eles nasceram na Coréia do Sul e chegaram ao Brasil com 10 anos de idade. As famílias se estabeleceram em São Paulo e após percorrem caminhos diferentes, estão unidos com o projeto de tocar o futebol do Mogi Mirim EC. A relação de ambos com o futebol é diferente. André nunca chegou perto de ser profissional e hoje é um dos diretores da Associação de Futebol dos Coreanos do Brasil. Já Denis tentou a vida no futebol defendendo, ainda jovem, clubes como o Grêmio Santanense, Francisco Beltrão e o Coritiba.

A carreira jamais decolou e no ano passado as histórias deles se cruzaram com o Mogi Mirim. Eles foram convidados para serem investidores do clube em projeto apresentado pelo também sul-coreano Mário Choi. Ao lado do brasileiro e ex-jogador Diego Medeiros, Mário assinou o contrato de terceirização do futebol do Sapo em 25 de maio de 2018. Passaram a ser os responsáveis pela gestão do clube. Meses depois, passaram por uma briga na Justiça com o presidente Luiz Henrique de Oliveira, que saiu derrotado.

André é amigo de infância de Mário e também conhecido de Diego, que chegou a ser técnico da Associação de Futebol dos Coreanos do Brasil em uma competição oficiais de decentes de sul-coreanos, que ocorre anualmente na Coréia do Sul e que este ano terá a capital Seul como sede. Deste vínculo, surgiu o convite, aceito em agosto de 2018, quando contribuíram, inclusive, com as despesas judiciais da vitória sobre Oliveira no tribunal.

Porém, em outubro, observando a necessidade de uma presença mais direta e quase que diária no clube, André e Denis entraram ‘de cabeça’ no projeto. “A gente não sabia que tinha todo este imbróglio aqui. Achamos que era cumprir o contrato e tocar o clube. Depois que entramos, de agosto para cá, vimos todo o processo judicial e que não era tão fácil”, explicou Denis. O acordo assinado com Oliveira tem validade até 2022.

E os sul-coreanos querem cumpri-lo até o final. Hoje, porém, o que eles mais querem é que possam ter um presidente para dar validade ao trabalho desenvolvido. A exclusão do Sapão da Segunda Divisão do Paulista passa por este imbróglio. André e Denis explicaram que buscaram a assinatura de Luiz Henrique de Oliveira para efetuar junto à Federação o interesse em jogar o estadual e que não tiveram sucesso.

Se Oliveira tivesse assinado o ofício, o clube teria grandes chances de estar em plena preparação para a Bezinha. Os investidores garantem que estão com a verba para acabar com a interdição do estádio Vail Chaves, mas, que precisam da certeza de que entrarão em campo para cumprir as exigências das autoridades. Os sul-coreanos disseram que chegaram até a requisitar a assinatura como presidente a Rogério Manera, eleito para o cargo em eleição promovida por um grupo de associados que são oponentes de Oliveira.

“A verdade é que estamos órfãos. Precisamos de um pai para poder tocar o futebol do Mogi. Tenho certeza de que, tendo o respaldo de um presidente, vamos fazer muita coisa boa pelo clube”, frisou André. Ele fez questão de levar a reportagem do GRANDE JOGADA para conferir a situação atual do estádio. Mostrou que alguns setores já estão passando por reforma, como a revitalização da pintura do muro que ostenta os dizeres “Campeão do Interior de 2012”, abaixo do tobogã. “Quando pegamos isto aqui estava abandonado. Parecia um cemitério, tudo aberto. E vai virar um cemitério de vez se não houver uma união pelo Mogi”, completou André. O empresário fez questão de reconhecer que a gestão de Luiz Henrique de Oliveira traz uma herança complicada para investidores de fora. ‘Muita gente da cidade deve pensar que estes ‘olhos puxados’ são mais uns aventureiros. Nós só queremos tocar o futebol do clube, promover intercâmbio com a Coréia do Sul, pois, sabemos que há um mercado muito grande a ser explorado lá fora. Na Coréia, só conhecem o Santos e o Pelé quando se fala em futebol brasileiro e queremos colocar o Mogi neste mapa”, frisou Denis. Ao ser questionados se desejam assumir a presidência, ambos foram categóricos. “Não, não somos nem da cidade. Não precisamos”, afirmou André. “O clube não é nosso, ele é da cidade e o presidente tem que ser alguém quem conhece a presidência e não temos experiência para isso. Daqui uns 10 anos, com experiência e vínculo e receber o convite, podemos pensar. Mas, de momento, de jeito nenhum”, frisou Denis.

SONHO

Ainda em 2019, o sonho dos sul-coreanos é colocar o Mogi Mirim na Segunda Divisão do Campeonato Paulista Sub20. Sabem da dificuldade, mas, para isso, contam com o precedente aberto pela Federação Paulista que, por exemplo, em 2017, permitiu que a Esportiva Itapirense disputasse a competição mesmo sem competir em torneios profissionais naquele ano. Ao final da temporada, a Vermelhinha foi a campeã e ainda garantiu vaga na Copa São Paulo de 2019.

Porém, para ingressar de verdade no estadual Sub20, os dirigentes sabem mesmo é que precisam do respaldo de um presidente e hoje, nem mesmo Oliveira, que assinou contrato com eles, lhes dão isso. Afastado da CBF por calote, o presidente não dá as caras no Vail Chaves há mais de seis meses. Enquanto isso, o torcedor não tem sequer a oportunidade de analisar o trabalho dos gestores do futebol.

O elenco sub23 foi dispensado recentemente após a não inclusão do clube na Bezinha. Além disso, uma parceria com o Jabaquara, que visava a permanência do grupo em atividade, foi desfeita após estar 99% certa. André e Denis afirmam que o time de Santos ‘deu para trás’ após receberem informações sobre a recente má gestão do Mogi Mirim. Uma marca cravada na história do clube desde 2015.

André e Denis ainda explicaram que, apesar do vínculo com a Associação dos Coreanos do Brasil, a entidade, com sede no bairro do Cambuci, não tem ação direta com o clube. Denis é vice-presidente da Associação e frisou apenas que a boa relação com empresários estabelecidos no país e também empresas situadas no país asiático podem beneficiar o clube. Ele citou que a ideia é captar recursos para a manutenção do clube, tornando o Mogi Mirim autossuficiente.

Ao ser questionado sobre empresas de grande porte, Denis, descartou a possibilidade de patrocínio de marcas como LG e Samsung, explicando que ambas não querem mais investir no futebol brasileiro após as passagens, respectivamente, por São Paulo e Corinthians. Porém, empresas do setor de energéticos e até montadoras de carros estão entre potenciais parceiras do clube caso o projeto traçado pelos investidores possa ser colocado em prática.

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