E afinal de contas, game é esporte?!

Com o enorme desenvolvimento tecnológico que passamos nos últimos anos, jogos eletrônicos (games) vêm conquistando cada vez mais espaço na indústria do entretenimento. Atualmente, movimenta mais dinheiro do que a gigante indústria de cinema de Hollywood. Essa evolução proporcionou uma incrível visibilidade ao cenário, que combinada ao crescimento da conectividade mundial, deu origem a milhares de competições extremamente disputadas e recompensadoras.

Apesar de competições já existirem, muito populares no oriente, o termo “eSport” (Electronic Sports ou Esportes Eletrônicos) se popularizou recentemente. Desde então, incontáveis debates são realizados para discutir se eSports devem ser ou não Esportes. Primeiramente, é importante entendermos que ‘esporte’ e ‘esporte olímpico’ são categorias com definições distintas, e que todo esporte luta para tornar-se olímpico. O Comitê Olímpico Internacional (COI), por sua vez, não parece disposto a agradar a todos, visto que esportes controversos fazem parte, como o Tiro Esportivo, mas o segundo esporte mais popular do mundo, o Críquete, não é.

Uma rápida comparação entre Tiro Esportivo e Games resulta em enormes semelhanças: ambos requerem execução perfeita, concentração e esforços físicos similares. Então por que um é esporte, mas, o outro não? Games ainda apresentam vantagens sobre o primeiro, afinal necessitam de muito mais estratégia, trabalho em equipe (em alguns jogos), e são incomparavelmente mais populares e recompensadores.

Se fizermos essa comparação também com esportes mais populares, veremos que as semelhanças continuam: práticas diárias, centros de treinamento, técnicos, arenas lotadas, premiações, sonhos. O único detalhe faltante é justamente o esforço físico, o que é discutível, afinal quem joga competitivamente sabe que cansa MUITO, especialmente pela necessidade de pelo menos oito horas de prática diária. Porém, este é um argumento difícil de vender, afinal, muitos dos que tomam estas decisões nunca tiveram ou terão contato com os games, muito mais populares entre os mais jovens.

Dessa análise podemos concluir que, enquanto esportes controversos se mantenham considerados olímpicos, sempre haverá questionamentos sobre qualquer esporte que não faça parte do grupo, seja físico ou não. Por que judô, mas não kung-fu? Por que curling, mas não bocha? Por que tiro, mas não games? E o xadrez ainda vem por aí! Ao invés de questionarmos se eSport é esporte, por que não questionamos se eSport PRECISA ser esporte? Certamente eles não precisam das Olimpíadas para se popularizarem.

Por Diego Schiavi Marcatti, profissional de tecnologia e entusiasta de games