Gestores falam em projetos e atacam LHO, Manera e Rivaldo

O estádio Vail Chaves nasceu como palco de jogos. Foi assim nas duas primeiras décadas, entre 1933 e 1953, quando o clube viveu no amadorismo. Foi assim entre 1954 e 2018, anos em que o clube se consolidou no cenário profissional. Entre uma parada e outra, de 1977 para cá, o Mogi jamais ficou sem jogar profissionalmente. E este é sempre um tema a ser lembrado, sobretudo, por se tratar de um clube que construiu uma rica história jogando futebol e não com ações na Justiça.

Hoje, porém, o cenário é bem diferente. A derrocada, que teve início com o ex-presidente Rivaldo, que chegou a colocar o clube à venda na internet, se consolidou com Luiz Henrique de Oliveira. O carioca radicado em Guarulhos sumiu. Terceirizou o clube três vezes sem dar satisfação sobre onde o dinheiro recebido pelas negociatas foi parar. Na última das três terceirizações, o Mogi ficou sob a responsabilidade de Mário Choi e Diego Medeiros, empresários que assumiram o futebol do clube em maio de 2018. Eles passaram, meses depois, a contar com o apoio dos investidores André Ko e Dênis Ahn e, há pouco mais de um mês, com o lutador de MMA e empresário, Jaime Marcelo.

Os três gestores receberam o Grande Jogada na área burocrata do estádio que já pulsou pelo futebol. André, Dênis e Jaime falaram sobre vários assuntos. Desde os planos para manter o clube em atividade, passando pela liberação do estádio para jogos e alojamento, até críticas ao presidente Luiz Henrique de Oliveira, a Rogério Manera, um dos representantes do Grupo S.O.S Mogi Mirim e a Rivaldo, ex-jogador e ex-presidente do Sapão. A reportagem entrou em contato com os citados. O advogado de Rivaldo, Bettelen Dante Ferreira, agradeço a oportunidade, mas afirmou que ambos não têm “mais nada para falar sobre Mogi, Luiz Henrique, etc”. Rogério Manera ironizou as declarações e também não quis se manifestar. Já Luiz Henrique de Oliveira não atendeu as ligações feitas pela reportagem. De toda forma, o espaço está aberto para os citados.

Confira as palavras de Jaime, André e Dênis

MOGI EM ATIVIDADE

A gente pensou em uma maneira de manter sempre vivo o Mogi e uma das maneiras foi inscrever a equipe na Associação Paulista de Futebol. É liberado, mas, vamos optar por colocar nos moldes como da Bezinha, colocar jogador sub23. A Copa Nacional acontece de 13 a 21 de julho, se der tempo, vamos. Apesar do nome, é estadual. Independente deste dar certou ou não, entre 19 de outubro a 8 de dezembro, tem a Copa Bandeirante. A meta são estas duas competições. Caso contrário, só a de outubro. E, em agosto, tem a Segunda Divisão do Paulista Sub20 e a ideia é disputar. Estamos trabalhando pra isso.

TORNEIO INTERNACIONAL

Nós queremos formar uma espécie de Mundialito. Nós queremos colocar equipes da Alemanha, Portugal e Angola e possivelmente, o Dênis e o André, vão ver alguma coisa da Coreia (do Sul) e equipes do Brasil também. Durante um mês, vamos fomentar o comércio local e estimular o turismo. A fase final teria alguns jogos aqui no estádio (Vail Chaves), mas a ideia é usarmos campos de Mogi Guaçu e de Mogi Mirim e, quem sabe, de Itapira. Campos municipais, em composição com as prefeituras. Pode ter jogos no Tucura, no Campano, Furno. São estádios que dá. Vamos receber cerca de 200 atletas, além de comissão técnica, pessoas para assistir, pessoas de fora. Vamos aquecer a economia da cidade.

Já estamos trabalhando isso. Primeiro, estávamos focados na liberação do estádio, resolveu, vamos para a organização do torneio. A previsão de realização é para daqui dois meses. Fim de junho e começo de julho e duração de 20 dias a um mês. A ideia talvez seja trabalhar com um mínimo de 16 equipes.

A LIBERAÇÃO DO ESTÁDIO

Os bombeiros ainda virão aqui (na terça-feira, dia 2 de abril) e é o último passo. Não tem mais nada para fazer no estádio. Temos, depois de muitos anos, a ART ( Anotação de Responsabilidade Técnica) devidamente emitido. Temos o documento do corpo de bombeiros, que já endossou e que pediu apenas algumas adequações, que fizemos também, como novos extintores, mangueiras. O trabalho que fizemos aqui foi duro, mas não complicado. Então, desde 2017 ninguém se preocupou em liberar um estádio tão lindo aqui. Foram jogar em Itapira, outras cidades. Falo como administrador de empresa. Se tenho uma empresa linda, porque vou fazer reunião em outra empresa? Porque não coube a ele arrumar. Já vinham fazendo as coisas para que isso (O Mogi) acabe aos poucos. Deve ter algum beneficiado com isso aí. Era algo tão simples, resolvemos em um mês e meio e ainda demoramos porque tinha coisas que não dependiam da gente.

ALOJAMENTO

Hoje, todos os atletas do Mogi Mirim estão alojados na região com o suporte da AD Sports e da JWinners. Temos cerca de 30 a 40 atletas espalhados entre Mogi Mirim e Mogi Guaçu. Damos assistência para todos. A ideia é de que, com a liberação, o retorno de alguns e a manutenção para alguns fora. A ideia é de que, somando estes torneios (citados acima), tenha mais ou menos 60 atletas, isso contando jogadores sub17.

LUIZ HENRIQUE

O Mogi Mirim não deve mais nada para a Federação. Pagamos tudo. O Luiz Henrique de Oliveira não foi suspenso só por não pagar taxa, mas também por má conduta (informação oficial recebida pela reportagem através da assessoria da FPF foi de suspensão apenas pelo calote junto à CBF). A CBF, inclusive, também nos últimos dias fez impedimento contra Rosane (irmã de LHO, que aparece como presidente em exercício no site da FPF).  O que decidimos é que, de hoje em diante, não vamos dar mais importância para o LHO. O que sempre dizemos é que o Mogi Mirim não vai morrer. Mesmo que tenha que disputar jogos nos campos de terra da esquina, nós, que somos pessoas de fora, um campineiro e dois estrangeiros, não vamos deixar o Mogi morrer. Nossa política é essa. O que a gente percebeu? Muitas pessoas falam mal da gente aqui na cidade. E a gente ouviu a seguinte frase recentemente. Pessoas não ajudam o Mogi porque o LHO está à frente. À frente de que? Está à frente da casa dele, em Guarulhos, porque a frente do Mogi Mirim EC ele não está. Quer dizer que se o LHO tem o nome dele no papel,  as pessoas não ajudam e o Mogi morre? Nós demos muita importância a ele e ele não é digno nem da fama de ladrão que eu dei pra ele. Eu não, que ele mesmo deu. Porque ele é ladrão. Decidimos não dar mais importância e o doutor Marcos (advogado do grupo gestor), tomará as providências cabíveis nas esferas civil e criminal.

PORQUE NA ESFERA CRIMINAL?

A gente fala em esfera criminal por quê? Porque, na verdade, quando começou lá atrás, ele fez um acordo, contratou o nosso grupo e ele simplesmente entrou com uma ação de despejo dizendo que somos invasores. Não invadimos, teve acordo, contrato e ele fez a denúncia como invasores. Então, é nesta parte aí que vamos entrar com ação, por falsa comunicação de crime. Porque ele contou um fato que não é verdade, em que tinha recebido um valor do contrato. Nossos advogados, no momento oportuno, vão atuar e nós vamos focar na atuação para a melhoria do clube.

CARTA À FEDERAÇÃO E PEDIDO DE LHO

Na verdade, eu (Jaime Marcelo) pedi socorro em meu nome e dos coreanos para a Federação. Mandei uma carta oficial e tivemos uma boa resposta da Federação. Tudo o que o LHO podia e estava ao alcance para atrapalhar este clube, ele fez. Hoje, se o Mogi não disputa a Bezinha, é por culpa dele. Ele não autorizou o Mário (Choi) a ir no arbitral (reunião da Federação que definiu os participantes do torneio). Ele não autorizou porque tinha a expectativa de tomar dinheiro de outro grupo. Porque o que o Luiz Henrique de Oliveira faz é tomar dinheiro das pessoas em nome do Mogi Mirim. Tudo o que podia fazer para atrapalhar ele já fez. Para participar da Bezinha ele queira um x da nossa parte porque entramos como gestores. E entramos em acordo, conversamos, fomos a uma padaria (em Guarulhos) com ele para fazer este acordo para o Mogi participar da Bezinha. Embora, sabendo que o dinheiro iria para a pessoa física dele e não para o clube, para poder participar da Bezinha, nós acordamos um valor com ele. Só que ele concordou com o valor e resolveu não participar da Bezinha. Não sei o que aconteceu, da noite para o dia, o advogado dele mandou um e-mail pra gente, dizendo que se não pagasse o valor em três dias, estariam dando um prazo de cinco dias para sair daqui. Não é assim que funciona. Nós acordamos pessoalmente, o Jaime esteve lá presente, o André também. Falamos com o filho dele, com ele, demos a mão para o Mogi participar da Bezinha, participar com o valor combinado. Não concordamos com isso. Se não quer aceitar um valor, falasse pra gente. Mas, falou como se a gente não tivesse nenhum acordo com ele. Aí, depois, ele foi na Federação e falou coisas absurdas, que faria acusações caso o clube participasse da Bezinha. Gostaríamos de nos desculpar com a torcida, mas, a garantia era tão real, dependia só dele. Publicamos em redes sociais que íamos. Mas, estas coisas as pessoas não sabem que aconteceu. De concreto, tivemos um pé na tabela, mas, quem atrapalhou foi o Luiz Henrique.

RECLAMAÇÃO CONTRA PESSOAS DA CIDADE

Na nossa parceria, eles (André e Dênis) são os diplomáticos e eu (Jaime) chuto a lata. Eu falo nome. O que acontece é que existe uma pessoa que, teoricamente, se apresenta como presidente da outra chapa, o Rogério Manera. Nós tivemos nesta sala reunidos com pessoas e fomos claros. Nosso interesse não é a presidência do Mogi. O nosso interesse é empresarial e de gestão. Por exemplo, temos aqui um empresário de longa estrada, que é o André, que sabe trabalhar. Um cara que, além de um grande empresário, é vice-presidente da Associação dos Coreanos do Brasil, que não é um qualquer. A minha empresa ultrapassou fronteiras. Está em vários países. E aí, encontramos em uma reunião, pessoas, dentre as quais o Rogério, que batem no peito e se chateiam porque a gente dá uma entrevista e não chama. É um cara que fala mal da gente por trás. E aí fiz uma pergunta para ele outro dia e torno a dizer. Quando o Rogério colocou um parafuso aqui dentro. Fala mal da gente, que a gente é de fora, que a gente não presta. Que é isso e aquilo. Mas, as pessoas que ‘não prestam’ é que impediram que o Mogi fechasse a porta. As pessoas que ‘não prestam’ são as que estão abrindo o estádio. Um dos defensores dele diz que não ajuda porque o LHO está à frente. Se não ajudar agora, não vai sobrar o que ajudar. Então, isso que nós falamos, o André falou diretamente para ele, eu falei, nós continuamos falando e estou falando agora. Está cheio de gente que fala que quer ajudar o Mogi, mas, quer só aparecer. Mostrar para a cidade que é influente e não é p… nenhuma. Aqui, o nosso objetivo é ganhar dinheiro decentemente. Você pode chegar para o engenheiro e perguntar se ele recebeu pelo laudo que ele fez. Pergunta lá em São Paulo, onde eles foram comprar as mangueiras, se eles pagaram. Pergunta ali onde concertou a bomba se eu fui lá e paguei. Pergunta se estamos devendo alguma coisa da regularização do estádio. O Mogi virou palco de todo mundo vir aqui e querer aparecer enquanto ele pede socorro. O Mogi está com a mão na garganta. E quando pedi a ajuda para a Federação não foi em dinheiro. Eu acredito que a cidade só está nesta situação, não só porque quem fez mal, as porque se divide. É pelo Rivaldo, pelo Luiz Henrique, mas também por este povo que só fala e não faz nada.

Jaime Marcelo deu declarações fortes sobre figuras relacionadas ao Mogi Mirim | Foto: Divulgação

CENTRO DE TREINAMENTO ABANDONADO

“Eu (Jaime) estive em uma reunião com o Dante (advogado de Rivaldo). Por telefone, o Dante falou para mim que o Rivaldo cederia (o CT para uso do clube). Quando estivemos juntos a conversa já mudou. Ele disse o seguinte. Que o Rivaldo cederia o CT para o Mogi Mirim, mas quem é o Mogi na concepção do Dante? O LHO. E o Dante disse que o Rivaldo falou que cederia para a minha empresa, a JWinners, desde que eu pagasse os IPTU’s atrasados na área. Então, eu digo. Eu compro um terreno e doo ao Mogi e faço de CT. Mas, eu não pago um centavo para o Rivaldo. Nem para qualquer dívida dele. O grande problema do Dante e do Rivaldo, é que eles estão acostumados a bater o pé com as pessoas simples e humildes da cidade. Só que, aqui não! O Rogério, o grupo dele, eles latem. A gente só não identificou para que lado eles estão latindo. O Rogério sim, é uma pessoa que, enquanto não vir se desculpar conosco, a gente vai entender ele como sendo um cara encima do muro, que não ajuda o Mogi. Não tem como esse grupo falar que não tem acesso aqui, porque nunca proibimos eles de virem aqui”.

APOIO DE PESSOAS DA CIDADE

Hoje contamos com a ajuda de quatro pessoas aqui. O doutor Alcides, o doutor Luiz Adorno, o doutor Ernani e o Henrique Stort. Esses são os quatro amigos que o Mogi Mirim EC tem aqui na sociedade de Mogi. São os quatro melhores amigos que o clube tem. Inclusive, um destes quatro, merece ser presidente. Pela paixão, pelo amor que eles dão ao clube, embora aconteça todas essas coisas, são algumas das pessoas que, na nossa visão, merecem ter a presidência do Mogi Mirim na nossa visão.

MAIS CRÍTICAS A RIVALDO E LHO

O que pessoas se incomodam, é porque um trabalho bem feito ele é destaque. Vocês já devem ter lido sobre mim, sobre as várias polêmicas a meu respeito. Mas, eu ando de cabeça erguida. O André e o Dênis não são meus parceiros. São meus amigos. As pessoas se preocupam em falar da minha reputação, mas funcionou né? O Mogi está respirando, está vivo? O brasileiro deveria acolher três coreanos, que vieram do outro lado do mundo e fazer do Mogi uma propaganda positiva até para o exterior e trata assim quem é de fora. A cidade de Mogi Mirim provou que é provinciana e que, infelizmente, pessoas como o Rivaldo, o 171 do Luiz Henrique de Oliveira, sempre vão pisar no clube, fazer o que quiser. Quando que a população vai acordar e perceber que o Mogi Mirim foi pilhado? Quando vão perceber que o Mogi Mirim foi saqueado?

O maior problema da nossa parceria é segurar a minha boca, porque não é da minha personalidade. Então, assim, como muita gente pisa em ovos para falar, eu não preciso disso, eu digo que o Rivaldo é outro p… sem vergonha. Eu já sentei nesta mesa para tratar de outros assuntos e é um cara que não soube devolver para o Mogi o que o Mogi fez por ele. Me processa, Rivado. Me processa. Estou louco para o Rivaldo me processar. Puta sem vergonha que não soube devolver o que o esporte deu para ele. Como esse m… deste advogado de b… dele. Nós vamos para o pau aqui com quem for. A gente vai ficar aqui o tempo que for. A gente só respeita aqui a Justiça e as pessoas de bem. Vagabundo e ordinário aqui não tem moral.

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