Final do Pernambucano e o laço eterno com Mogi

Criado em outubro de 1903, o Mogi Mirim Esporte Clube foi uma das primeiras associações esportivas da cidade. Opção de recreação e atividade física para os membros da comunidade. Com o passar dos tempos, o futebol evoluiu, o amadorismo deu espaço ao crescimento do profissionalismo, iniciado em 1933. No Mogi Mirim, esta fase veio apenas em 1954, com a estreia no Campeonato Paulista. A exigência por resultados passou a ampliar o ingresso de atletas ‘de fora’ no elenco. Itapirenses, guaçuanos, conchalenses e outros vizinhos, aos poucos, começaram a fazer parte do elenco vermelho e branco.

Na década de 1980, com Wilson Fernandes de Barros na presidência, o Mogi subiu para um novo patamar. Passou a brigar pelo acesso à elite e se reforçou com figuras conhecidas, como o lendário Chicão, ex-São Paulo e Seleção Brasileira. A chegada à elite reforçou a nova era na formação do elenco, consolidada pela presença de nordestinos graças ao Carrossel Caipira de Osvaldo Alvarez, no início da década de 90.

Rivaldo, Leto e Válber são os nomes de maior exposição. Wilson passou a buscar no Nordeste atletas a serem lapidados. Rivaldo, por exemplo, foi revelado, de fato, pelo Santa Cruz. Chegou a jogar uma Copinha pelo Coral e a ter a compra disputada com o São Paulo de Telê Santana. Oficialmente, a negociação entre o Santa Cruz e o Mogi Mirim envolveu a troca de Rivaldo, Leto e Válber por Paulo Silva, Malhado e Pessanha, além de um pagamento em dinheiro. Na época, o Mogi Mirim pagou U$S 54 mil dólares pelo trio.

Começou ali uma história de forte laço entre Mogi Mirim e Pernambuco. Vários jogadores oriundos da terra de João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Paulo Freire escreveram belas histórias com a camisa do Sapão da Mogiana. Válber foi o artilheiro do Paulistão de 1992, mas, o último artilheiro do estadual que vestia a camisa do Mogi foi Alex. Nascido em Recife, chegou ao clube após passagens por Náutico e Sport. Autor de 12 gols no estadual de 1999, ficou à frente de nomes como Paulo Nunes, França e Edílson. Em 2009, no primeiro campeonato com Rivaldo como presidente, o clube foi salvo na reta final por uma das lendas do futebol nordestino. O pernambucano Givanildo de Oliveira assumiu o comando do clube e o Sapo escapou da degola para a A2. Já no elenco campeão do Troféu do Interior, em 2012, o goleiro Anderson foi um dos representantes deste vínculo.

No Carrossel Caipira, as principais peças do Mogi eram os pernambucanos Leto, Válber e Rivaldo | Acervo pessoal

Na conquista do acesso para a Série C, no mesmo ano, destaque para Moreilândia, titular em várias partidas da campanha de sucesso no nacional. Na temporada seguinte, o time foi treinado pelo emergente Dado Cavalcanti. O desempenho foi surpreendente e o clube terminou a primeira fase com a segunda melhor campanha geral. A queda ocorreu apenas na semifinal, contra o Santos de Neymar & Cia, mas, a marca de Dado ficou para sempre. Em 2014, foi a vez do clube conquistar o acesso para a Série B do Brasileiro. Entre os destaques, o pernambucano Thomas Anderson, autor do gol do acesso, na partida de ida, em Salgueiro (PE). As raízes foram tão fortes que, em 2015, na Série B, mesmo com uma campanha pífia, já sob a presidência de Luiz Henrique de Oliveira, o Sapo projetou no cenário nacional o atacante Everaldo, outro recifense que envergou a camisa vermelha e hoje brilha pelo Fluminense-RJ. Nas altas e nas baixas, os pernambucanos estão sempre presentes na história do Mogi.

Agora, é a vez do mogimiriano assistir o sucesso de figuras com passagem pelo Vail Chaves na terra que rendeu tantos bons frutos ao Sapão. Nos próximos finais de semana, a decisão pelo título do Campeonato Pernambucano terá nas batutas dois ex-técnicos do Mogi Mirim. O Sport é comandado por Guto Ferreira, piracicabano de bons trabalhos nas bases de São Paulo e Internacional, mas, que ganhou projeção ao comandar o Mogi Mirim entre 2011 e 2012. Com Guto, o Sapo reiniciou a fase de temido entre os times de menor exposição e uma ascensão que culminaria na volta à Série B do Brasileiro após 10 anos ausente. Já Márcio Goiano, comandante do Náutico, teve duas passagens pelo Mogi.

Em 2014, assumiu o clube na reta final do Paulistão e evitou o rebaixamento à Série A2. Na Série C, deu início ao trabalho que resultou no acesso à Série B, com cinco vitórias nos seis primeiros jogos do nacional. Agora, Márcio Goiano e Guto Ferreira duelarão pelo título de melhor do Pernambucano. Uma final com vários ingredientes. O Náutico não vence o Sport em finais há 51 anos. Porém, neste ano, está invicto há 18 partidas. Já o Leão, está 100% com Guto. As finais ainda terão palcos raízes, já que a dupla preteriu a Arena Itaipava. No dia 14 de abril, às 16h00, o Timbu recebe o Rubro-negro nos Aflitos. No domingo seguinte, dia 21 às 16h00, o grande campeão será conhecido na Ilha do Retiro. E seja qual for o lado, ainda terá espaço para um ex-jogador do Sapo levantar a taça. E ambos são baianos. No Sport, o representante é Hernane, o Brocador que deslanchou para o futebol no Sapo, em 2012. No Náutico, a peça é o volante Josa, que passou pelo clube em 2016.

Leston Júnior treinou o Mogi em 2016 e agora está no comando do Santa Cruz

NO NORDESTE

A relação do Mogi Mirim com os principais clubes pernambucanos não se restringe a Timbu e Leão. O Santa Cruz também tem um ex-treinador do Sapão em seu banco de reservas. Leston Júnior comandou o Mogi na Série C de 2016 e agora conduziu o Santa Cruz a uma campanha de respeito na Copa do Nordeste. A Cobra Coral está na semifinal, fase em que terá pela frente o Fortaleza, de Rogério Ceni & Cia. O elenco tricolor conta também com o lateral-esquerdo Bruno Ré e o volante Diego Lorenzi, que já vestiram a camisa mogimiriana. No Fortaleza, também há ex-Mogi Mirim, como o volante Gabriel Dias (que jogou no Paulistão de 2016) e o meia Edinho (que atuou na A2 de2017). Na outra chave, o Náutico, de Márcio Goiano, também está presente. O rival na semi será o Botafogo-PB, comandado por Evaristo Piza, técnico de bons trabalhos no Interior de São Paulo e que conta no elenco com o lateral-direito Roniery e o atacante Nando, de passagens importantes pelo Vail Chaves.

LAÇO TAMBÉM NO AMADOR

O Mogi Mirim EC de Pernambuco foi fundado em 1992 e disputa vários campeonatos amadores em Recife (PE) | Foto: Divulgação

Quem pensa que a relação entre Mogi Mirim e Pernambuco se encerra com passagens aqui e acolá no profissional, se engana. Se a história do Sapo começou há 115 anos com o amadorismo, é neste formato que está um dos maiores exemplos da relação forte que o clube criou com o estado nordestino. No bairro de Brasília Teimosa, uma área conhecida por uma linha contínua de arrecifes, na zona sul da capital pernambucano, foi fundado, em 11 de outubro de 1992, o Mogi Mirim Esporte Clube-PE.

A agremiação carrega o mesmo escudo do Sapão. Além das cores. O projeto social reúne atletas em diversas categorias inferiores e o time também disputa o Recife Bom de Bola, um dos maiores campeonatos de várzea do planeta. No último final de semana, a equipe venceu a Comunidade do Coque por 2 a 1 e ficou com o título da Copa Tareco (Taça Recife de Comunidade). Desde a fundação, que ocorreu no mesmo ano em que Rivaldo, Leto e Válber brilharam com a camisa do Sapão, no Paulistão o projeto encabeçado por Geraldo Nunes ajuda no desenvolvimento de crianças e adolescentes.