Presidente Turco: obrigações e sonhos com o Mandi

Na edição de março, o GRANDE JOGADA publicou em primeiríssima mão uma mudança na diretoria do Clube Atlético Guaçuano. Após dois anos sem uma diretoria registrada legalmente, o Mandi passou a ser comandado por pessoas ligadas ao GAM (Grupo de Apoio ao Mandi). O novo período coincide com o início das obras no estádio Alexandre Augusto Camacho pela Prefeitura de Mogi Guaçu. Situações que, somadas, geram ansiedade na torcida pelo retorno do Alviverde aos gramados, algo que não acontece desde 2014.

Para que os atleticanos saibam mais sobre os próximos passos, entrevistamos de forma exclusiva o novo presidente do Mandi. José Antônio Mallis, o Turco, nasceu em 30 de abril de 1961, mora no bairro Jardim Ipê V, em Mogi Guaçu. O gerente de projetos, escolhido para ocupar a cadeira de presidente, falou sobre vários assuntos relacionados ao Mandi. Das obrigações aos sonhos. Do início da paixão aos objetivos nesta nova função. Da arquibancada para a presidência.

Como começou a sua paixão pelo Atlético Guaçuano?

A paixão pelo CAG. vem desde a minha infância. No início da década de 70 eu era torcedor fanático do Grêmio Esportivo Guaçuano, o Greminho, como era conhecido. Porém, em 1974 o Greminho deixou de existir e ressurgiu o Clube Atlético Guaçuano, minha paixão foi toda transferida para o Mandi e o amor por este clube só foi aumentando. Posso dizer que quase nunca perdi um jogo aqui no Camacho.

Entre tantos nomes no GAM, porque o seu nome foi o escolhido para assumir como presidente?

Qualquer integrante do GAM teria totais condições de assumir a presidência do clube. Porém, como eu disponibilizei meu nome e houve unanimidade de aceitação, hoje eu estou aqui nesse honroso cargo de presidente do CAG.

Como tem sido o trabalho da nova diretoria até aqui desde que assumiram oficialmente o comando do clube?

Como já esperávamos, o trabalho está sendo grande. Somos um grupo de 18 pessoas, que foram divididas em uma estrutura organizacional ainda não totalmente fechada e formalizada, mas que já começou a trabalhar, cada um dentro da sua diretoria. A área de Comunicação e Marketing está divulgando a nova diretoria junto à imprensa escrita e falada e a toda comunidade, também está atualizando todas as plataformas das redes sociais, tais como Facebook, site, Instagram, Twitter, etc. A área financeira está analisando toda a situação do clube no que se refere a pendências com a Receita Federal, os balanços financeiros, bem como os débitos que temos junto à FPF. A área Jurídica tem a árdua tarefa de levantar todos os processos cíveis e trabalhistas que o clube tem contra o mesmo e que sabemos, deverá ser o nosso ‘calcanhar de aquiles’. Enfim, trabalho é o que não falta. Mas, já sabíamos que íamos enfrentar isso e todos da nova diretoria estão preparados e dispostos.

Chegou acompanhar de perto as obras do Camacho? Quando espera se reunir com o prefeito para tratar sobre o retorno do clube e a liberação do Camacho?

Sim, com certeza. Tanto eu quanto outros integrantes da nova diretoria acompanhamos ‘in loco’ as obras, que foram iniciadas no ultimo dia 18 de março e que irão nos dar totais condições para que o “Camachão” atenda às exigências da FPF. No início do ano passado, quando ainda não fazíamos parte da diretoria, tivemos uma reunião com o prefeito municipal, Walter Caveanha e também com o secretário de obras, Salvador Francelli. Nos dois encontros fomos muito bem recebidos. Agora que fazemos parte da diretoria, queremos estreitar cada vez mais o relacionamento com a administração e, com certeza, mais adiante iremos pedir um novo encontro com o nosso prefeito.  Mas, queremos deixar bem claro e é um consenso nesta nova diretoria que, a administração municipal deve cuidar da saúde, educação, segurança, cultura, etc. Um clube de futebol tem que andar com as suas próprias pernas e não pode depender em nada da administração municipal.

Em relação às burocracias, quais os planos da diretoria para sanar os problemas do clube, como as dívidas com a FPF, trabalhistas e tributárias?

Estamos numa fase de levantamento de informações que é muito trabalhosa. A partir do resultado deste levantamento, teremos a ideia clara de quanto é a divida total do CAG. A única que conseguimos levantar foi com a FPF, que está em torno de R$ 35 mil. Com todos os valores em mãos, iremos resolver da melhor forma possível. A dívida com a Receita Federal pode ser parcelada, talvez a da FPF também. As dívidas de processos cíveis e trabalhistas devem ser acordadas com os requerentes. Enfim, teremos que fazer muita negociação e acordos para eliminar de vez estas dívidas.

Quais são os planos para a captação de recurso para que o clube possa ser autossuficiente financeiramente?

Ideias não faltam, mas ainda estão em fase de estudos e a captação de recursos vai depender muito do modelo de gestão que iremos implantar. Podemos implantar uma gestão inteiramente feita por nós da nova diretoria ou mesmo terceirizar o departamento de futebol, ficando com a nossa diretoria todas as outras diretorias e os conselhos. A terceirização do futebol exigiria uma menor captação de recursos, visto que os custos seriam bancados pelo parceiro. Um dos nossos projetos para captação de recurso será, sem dúvida, o sócio-torcedor. Nossa área de marketing está com esse projeto em estudos e em breve teremos novidades.

Como torcedor do Mandi, como gostaria de ver o clube entregue ao final do seu mandato, em 2020? Quais seus sonhos para o clube que se tornou um dos torcedores-símbolo?

Sendo ‘curto e grosso’?  Gostaria de ver o CAG, no final do meu mandato em 2022, sem nenhuma pendência financeira, disputando uma Série A3 ou até mesmo uma Série A2 e com perspectivas de subir cada vez mais. Com relação a sonhos, eles são muitos. De imediato seria sanar todas as pendências financeiras e administrativas que o clube tem e sabemos que não são poucas. Num segundo passo, seria a volta ao futebol profissional em 2020. Com certeza o futebol de base também fará parte desse sonho. Queremos disputar todas as categorias, inclusive, quem sabe, o sub20 ainda neste ano de 2019. Temos a intenção também de fazer projetos sociais. Inclusive, sabemos que o ex-jogador Mauro Silva (atual vice-presidente da FPF) tem um projeto muito interessante com escolinhas de futebol, temos dois integrantes em nossa diretoria que jogaram com ele nos juniores do Guarani de Campinas e que poderão fazer este contato. Temos o sonho também um pouco mais distante, de transformar o Mandi em um verdadeiro clube, não apenas de futebol. Um clube social e também disputando as mais diversas modalidades esportivas, sempre levando o nome do Clube Atlético Guaçuano e da cidade de Mogi Guaçu para todos os cantos.  Finalizando, o meu recado aos torcedores do Mandi é para que vocês sonhem junto com a gente e que podem ter certeza, que trabalho, seriedade e transparência não faltarão a esta nova diretoria e que também possamos contar com a colaboração e apoio de todos. Como diz o slogan da nossa nova diretoria: Um novo tempo. Um novo valor.