Joia da Esportiva, Denílson ganha vez no Flamengo

Vestir a camisa de um dos maiores clubes do planeta. Este é o sonho de muitas crianças, sobretudo, em um país que respira futebol há décadas. E, se ainda com idade para estar no ensino médio, você tivesse a oportunidade de ingressar em um clube como o Clube de Regatas Flamengo? Esta foi a oportunidade que recebeu Denílson Alves Borges, aos 16 anos. Nascido em São Bernardo do Campo (SP), o jogador já havia vestido a camisa do Internacional-RS, outro gigante do futebol tupiniquim, além de ter atuado pelo São Bernardo FC, clube da sua cidade natal. Antes, fez testes sem sucesso em agremiações como Palmeiras, Corinthians, Grêmio e Santo André. Porém, foi através da chance de defender a Esportiva Itapirense que a caminhada ganhou novos passos.

Em 2017, Denílson, foi campeão da Segunda Divisão do Campeonato Paulista Sub20 com a camisa da Esportiva Itapirense. Uma conquista que veio aos 16 anos. Recém-completados, em março daquele ano. O mais surreal, é que o jogador era o responsável pela articulação de jogadas da equipe mesmo sendo um 2001 em meio a vários 1997. Era um sub17 titular no sub20. E foi assim, na Copinha de 2018, quando vestiu a camisa 10 da Esportiva Itapirense e chamou a atenção, definitivamente, de clubes de maior projeção.

O site Torcedores.com, por exemplo, incluiu o atleta na lista de destaques daquela edição da Copinha. “Criativo, ótimo nas bolas paradas e nas finalizações, faz bem a leitura de jogo e trabalha as jogadas com inteligência e técnica. Incorporado à base da Vermelhinha em 2016, chegou a ser avaliado por Palmeiras e Corinthians, mas ouviu a resposta padrão para a dispensa: tinha nível similar ao dos atletas locais. Se mantiver o nível de atuação da Copinha, será nome para a seleção brasileira dos /2001”.

Dias depois, o martelo foi batido com o Flamengo, que conta, em seu departamento de futebol de base, com Lélis, ex-lateral do Mogi Mirim EC. Das tribunas do estádio Chico Vieira, o observador técnico do Mengão já demonstrava interesse no jogador que, no dia 28 de fevereiro do ano passado, foi efetivamente anunciado pelo Mengão. Em pouco mais de um ano na Gávea, o jogador, fã de Pogba e Iniesta, defendeu o Rubro-negro no sub17, em torneios como a Adidas Cup, nos Estados Unidos e hoje faz parte do elenco sub20.

Na semana passada, chegou a ser chamado pela comissão técnica para compor o treino do time principal, logo após a vitória do Mengão na Libertadores, sobre o San José-BOL. Perto de conquistar o sonho da casa própria e residente ainda em um hotel no bairro do Recreio, perto do Centro de Treinamento, ele trabalhou ao lado de feras e em um espaço que ele sonha ocupar em breve. Confira o bate-papo do Grande Jogada com o ex-jogador da Esportiva e atual meia do sub20 flamenguista.

Como foi a chegada no Flamengo e como tem sido o trabalho desenvolvido até aqui, já jogou campeonatos oficiais pelas equipes de base e em qual categoria você está hoje?

Cheguei muito feliz no Flamengo. Sabendo da responsabilidade que era vestir essa camisa. O trabalho está sendo muito bom. Aprendi muitas coisas. Já joguei a Adidas Cup, nos Estados Unidos, a Copa do Brasil, Taça Guanabara e Campeonato Carioca. Hoje estou no sub20.

Qual a sensação de treinar entre os profissionais e quais os aprendizados tirados desta oportunidade?

Uma sensação muito boa, a de treinar com grandes jogadores, de alto rendimento. Os aprendizados são muitos, além de conselhos e cobrança de trabalho, comum quando se joga em alto rendimento.

Hoje o Flamengo é exemplo de investimento de peso em reforços, mas, quando se olha o elenco principal, há ainda muitas pratas da casa. De que forma isto te motiva a buscar um espaço entre os profissionais?

Sim, isso me motiva por isso. Trabalho no dia a dia muito forte pra chegar lá e me sobressair.

Qual a importância da sua passagem pela Esportiva Itapirense e quais as melhores lembranças que guarda do período em que ficou em Itapira?

Para mim, a maior importância era o carinho dos meus amigos, com quem eu trabalhava. Da diretoria, da comissão. Todos me ajudaram muito e por isso estou aqui hoje. Minha melhor lembrança é o título que conquistei aí, no sub20 e a classificação para segunda fase da Copinha.

Como é para você, um atleta de 18 anos, já ter tido experiências em Copinha e estar em crescimento em um clube como Flamengo? Como encara esta necessidade de amadurecimento precoce?

É uma experiência muito boa. Joguei a Copinha com 16 anos, em que eu tinha uma responsabilidade muito grande. E estou tendo um crescimento muito bom aqui no clube. A cada dia busco trabalhar mais forte e buscar meu espaço. Encaro com uma responsabilidade muito grande.

Como você, como atleta da base, reagiu à tragédia ocorrida no Ninho do Urubu? A sua categoria fica alojada em alguma área do clube também?

Foi muito horrível.  Não conseguia parar de chorar. Foi uma coisa muito chata para o clube, mas, hoje graças a Deus, estamos conformados.