Diretoria fala de dívidas, Camacho e futuro do Guaçuano

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Desde 12 de março deste ano, foi oficializada a troca no comando diretivo do Atlético Guaçuano. Após dois anos sem uma diretoria legalmente empossada, o Mandi passou ser presidido por José Antônio Mallis, o Turco. Ele é representante do GAM (Grupo de Apoio ao Mandi), que conta com quase a totalidade de cadeiras da diretoria executiva e dos conselhos deliberativo e fiscal.

O grupo assumiu um clube que não atua profissionalmente desde 2014. Após o rebaixamento na Série A3, o Mandi não obteve condições de atuar na Segunda Divisão do Campeonato Paulista, sobretudo, pela ausência de laudos para liberação do estádio Alexandre Augusto Camacho. O local está interditado desde 2012. Diferente da A3, em que o Guaçuano chegou a atuar com portões fechados e em outra cidade, a Bezinha impede que as agremiações atuem sem um estádio próprio liberado.

O calvário começou assim, mas, em meio às gestões de Paulo Sabino e Israel Lanza, o Atlético também sofreu com problemas financeiros, administrativos e com a incerteza sobre o futuro. Ao completar quase três meses devidamente homologados como diretores do Mandi, os novos membros da diretoria apresentaram um balanço das atividades realizadas até aqui.

DÍVIDAS

No trabalho de levantamento da situação financeira do clube, a diretoria encontrou diversos itens em aberto. “O Clube Atlético Guaçuano possui inúmeras pendências e dívidas relacionadas às áreas fiscais, contábeis e jurídicas, sendo que cada uma possui suas particularidades. O levantamento destas pendências e dívidas continua em andamento, pois é um processo denso, requer muita mão de obra e grande carga horária de trabalho”, destacou Turco, em material assinado por toda diretoria alviverde.

O dirigente explicou que houve a necessidade da contratação de um escritório de contabilidade e também de advogados na tentativa de acelerar o processo. “Estamos tratando essa estratificação das dívidas com o maior cuidado e esmero possível, pois, entendemos que a saúde financeira de qualquer instituição é a base de tudo para se começar a levar um projeto ao sucesso”, enfatizou.

Segundo o levantamento (veja a tabela abaixo), os itens reativação do CNPJ, balanços contábeis e fluxos de caixa mensais, declaração do Imposto de Renda Anual e entrega obrigações acessórias (DCTF, DIRF), englobam valor principal, multa e juros e chegam a um valor próximo de R$ 18 mil. Com a reativação do CNPJ, o cancelamento definitivo do mesmo foi evitado, o que viabilizou as demais regularizações ligadas à Receita Federal. Há também processos trabalhistas e prazos de defesa, processos cíveis (FGTS e INSS), que estão em andamento. Devido à complexidade, a análise precisa ser minuciosa para se chegar ao valor final.

Já em relação às entidades que ditam o futebol, os valores das dívidas já estão expostos. Segundo o levantamento apontado pela direção do Atlético, o clube tem pendências com a Federação Paulista de Futebol (FPF) e com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) entre 2013 e 2018. No caso da FPF, a dívida é de R$ 36 mil e com a CBF de mais R$ 13 mil. E estes valores são fundamentais para o retorno do clube às competições e também para o recebimento de percentuais de jogadores formados no clube seguindo as normas da FIFA, como o mecanismo de solidariedade. Para fechar, os dirigentes do Mandi destacaram que os valores gastos até o momento foram levantados através de contribuições dos atuais conselheiros e diretores.

Visando a reativação do departamento de futebol profissional, o clube esteve nos últimos dias na sede da Federação. “A visita feita recentemente à Federação Paulista de Futebol proporcionou à direção do Mandi uma maior interação com as diversas áreas da entidade, as quais serão de vital importância na solução de pendências que o clube possui e que impedem a sua volta ao futebol profissional”, observou Turco.

O Atlético foi representado pelo presidente Turco e também pelos conselheiros Arnaldo Suzigan Neto (da área de marketing), Paulo Roberto de Campos Vallim (da área financeira) e Ruberlene Aureliano Firmo e Geraldo José Domingues (da área administrativa). Eles foram recepcionados pelo presidente em exercício da Federação, o ex-volante da Seleção Brasileira, Mauro Silva. O vice-presidente executivo Fernando Enes Solleiro, o vice-presidente de competições Pedro Martins, o diretor de marketing Robson Silveira e o vice-presidente do Departamento de Infraestrutura Coronel Isidro Suita Martinez também participaram do encontro com a delegação guaçuana.

Confira abaixo as respostas da diretoria do Atlético Guaçuano sobre diversas situações relacionadas às atividades nos últimos meses e planos para o futuro do clube.

Como pagar as dívidas encontradas?

Devido às particularidades e modalidades destas dívidas, poderemos ter diversas formas de negociação, inclusive algumas delas poderão ser negociadas com novos prazos e outras poderão ainda ser parceladas. Um exemplo disso foi a recente reativação do CNPJ do clube, que foi conseguido pela atual diretoria e conselho, após negociação, parcelamento e pagamento junto a Receita Federal. Sem o CNPJ ativo o clube não teria como dar sequencia no acerto de suas pendencias junto à Receita Federal e outros órgãos governamentais. A meta é quitar as dívidas com futuras receitas do clube, visando o parcelamento e negociação das mesmas.

O clube volta a disputar o futebol profissional em 2020?

Existe um longo caminho a ser percorrido.  O clube estava licenciado da Federação Paulista de Futebol e não disputa um campeonato oficial há cinco anos. Assim sendo, é necessário cautela, principalmente diante de uma gestão profissional como a que queremos implantar. Antes de assumir o compromisso de retornar, temos muitas “tarefas de casa” a fazer. Precisamos eliminar algumas pendencias, terminar o levantamento das dívidas, saber da condição financeira do clube, conversar com potenciais investidores, parceiros e aí então partir para a disputa de um campeonato profissional. Temos como meta voltar em 2020 e para isso estamos focados nas atividades mandatórias citadas acima e que nos permitirão percorrer esse caminho. Seria leviano de nossa parte, assumir e cravar o compromisso de voltar em 2020, porém estamos trabalhando e muito para que isso aconteça.

Com relação à base, qual o pensamento? Começa o trabalho ainda este ano?

A princípio, o trabalho de base não deve começar esse ano.  O trabalho com a base requer tempo, investimento e estrutura, o que ainda não temos no momento.  Trabalhar com a base requer um planejamento muito bem detalhado, muito bem feito e inclusive devemos levar em conta a possibilidade de contarmos com um parceiro nessa empreitada, o que também necessita de estudo e avaliação para que não haja erro na escolha.

Sobre a experiência do GAM com o futebol profissional, o que têm a dizer?

Como o nome mesmo diz, o GAM (Grupo de Apoio ao Mandi) foi de extrema importância para o Clube Atlético Guaçuano.  Foi através dele que ocorreu a oxigenação da vida política do nosso clube, possibilitando um potencial retorno às atividades. Porém, atualmente, não cabe mais falarmos em GAM. Hoje devemos focar e falar de Clube Atlético Guaçuano, que é composto por um excelente quadro de conselheiros e diretores, profissionais gabaritados, bem sucedidos em suas respectivas áreas de atuação e com totais condições de administrar, com sucesso, esta quase centenária instituição.

Como será o modelo de gestão do clube?

Inicialmente, temos como meta um modelo de cogestão, onde um parceiro com know how assumiria a gestão do departamento de futebol do clube, sendo que os demais departamentos estatutários ficariam a cargo da atual diretoria. Estamos ainda, realizando benchmarking com alguns clubes que estão tendo sucesso com seus modelos de gestão, sempre na busca de qualificação e conhecimento nessa questão.

Como está a procura por parceiros e investidores?

As conversas com parceiros e investidores estão em andamento. É uma atividade que já está ocorrendo de forma paralela ao levantamento das dívidas. Para prospectarmos potenciais investidores não é necessário ter todo o detalhamento das dívidas fechado, mas precisamos ter ciência que todo investidor que se preze, antes de investir seu capital, o seu dinheiro, quer saber como está a saúde financeira do clube onde irá investir, por isso todo nosso cuidado com este processo. A divulgação das informações sobre potenciais parceiros e investidores acontecerá naturalmente quando os temas forem amadurecendo e ganhando corpo. Queremos com isso evitar qualquer tipo de especulação e até mesmo algo que possa atrapalhar o andamento das possíveis negociações.

Como será o aproveitamento de jovens da cidade na base do clube?

Com certeza, no planejamento da base, a retenção de atletas da cidade que tenham potencial, terá a sua devida atenção, planejamento e acompanhamento. Nossa cidade sempre foi pródiga em talentos e isso tem que ser aproveitado da melhor maneira possível.

Obras no estádio estão dentro dos prazos estabelecidos e local já ganha nova cara | Foto: Divulgação

Como está a questão do estádio Alexandre Camacho?

As obras já estão em andamento e estão sendo feitas através de uma verba provisionada pelo Ministério das Cidades, especifica para a construção de novos lances de arquibancada. Como o estádio é municipal, estas obras estão sendo coordenadas pela Prefeitura de Mogi Guaçu e segundo seu cronograma deverão estar concluídas ainda no segundo semestre de 2019. Através da reforma o estádio deverá estar apto a receber jogos do Campeonato Paulista – SUB23 – Segunda Divisão de Profissionais, uma vez que atenderá as normas e exigências da FPF. 

Como está sendo a receptividade do trabalho de vocês?

Assumimos efetivamente o clube, no dia 12 de março de 2019, data em que a nova diretoria e o novo conselho foram registrados na Federação Paulista de Futebol, portanto, após três meses de trabalho, empenho, transparência e dedicação, sentimos que temos total apoio da população guaçuana e sua apaixonada torcida e que estamos no caminho certo. O Clube Atlético Guaçuano é um clube diferenciado, é uma marca forte e expressiva, isso se deve muito a sua torcida, que sempre está presente e que nunca abandona o clube. Ainda estamos no início de tudo, ainda tem muita coisa por vir e muita coisa a se fazer, mas acreditamos muito em uma frase criada pelo nosso pessoal: “Clube Atlético Guaçuano, um novo tempo, um novo valor”.

Post Author: Lucas Valério

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1 thought on “Diretoria fala de dívidas, Camacho e futuro do Guaçuano

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    José Mallis turco

    (6 de junho de 2019 - 20:00)

    Parabéns Valério
    Bela matéria como sempre largando na frente
    Abraços

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