Semana de retorno do Mogi Mirim aos gramados

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O ano de 1977 foi o último em que o Mogi Mirim Esporte Clube não teve participação no futebol profissional. Desde então, o clube sempre figurou em alguma divisão estadual e, em 22 temporadas, esteve no Campeonato Brasileiro, tendo como o ápice, a presença na Série B em oito anos. O caos formado pelo tridente político-administrativo-financeiro pelo qual o clube passou nos últimos anos culminou no pior cenário desportivo possível.

Sem vaga na Série D do Brasileiro após a eliminação na primeira fase em 2018, o clube também não disputou o Campeonato Paulista. Em janeiro, sequer entrou no congresso técnico. O presidente Luiz Henrique de Oliveira se negou a assinar o ofício confirmando a intenção do clube em participar do torneio. Segundo o atual grupo gestor, que mantém contrato de terceirização do departamento de futebol, Oliveira teria pedido uma vantagem financeira para liberar o clube. O dirigente nega e diz que irá processar os gestores pela fala. Certo é que, neste imbróglio entre as vertentes que atualmente comandam o clube, o Sapão ficou sem futebol profissional em 2019.

Após o insucesso na tentativa de ingressar na Bezinha, o clube busca alternativas para não ficar completamente parado na temporada. O Sapão anunciou que disputará a São Paulo Cup 2019 – Sub23. O torneio é organizado pela Global Scouting Football e tem entre os promotores o presidente do Grêmio Barueri, Henrique Barbosa. A competição não tem vínculo com nenhuma entidade e é independente. O Sapo está no Grupo 2, ao lado de Jaboticabal, Flamengo de Pirajuí, Sumaré, Lençoense e Garça. No Grupo 1 estão Grêmio Barueri, Andreense, Arujaense, Independente de Mogi Guaçu, Cubatense e União Suzano.

O Independente de Mogi Guaçu entrou na vaga do Jacareí, que não conseguiu a liberação do estádio Stravos Papadopoulos e mandará as suas partidas em Iracemápolis. Já o Mogi Mirim voltará a atuar no estádio Vail Chaves. A estreia está marcada para o domingo, dia 16 de junho, a partir das 10h00, contra o Sumaré. No total, serão 10 partidas na primeira fase, com os clubes jogando em turno e returno dentro das chaves. A primeira fase será concluída no dia 17 de agosto, quando o Sapão visita o Garça, às 10h00, no estádio Frederico Platzeck.

Os ingressos foram anunciados ao preço de R$ 5, além da doação de dois quilos de alimento, que seriam convertidos para entidades assistenciais da cidade. Porém, nos últimos dias, os gestores falaram em tentar que a entrada seja apenas com a doação. O valor de R$ 5 é o mínimo estabelecido pela organização do campeonato. O elenco foi montado duas vezes no ano. Primeiro, entre dezembro e janeiro, com a expectativa de disputar a Bezinha do Paulista. Já em abril, houve uma nova seleção de atletas, visando não apenas a São Paulo Cup, como também a Copa Paulista, realizada pela Associação Paulista de Futebol e a Segunda Divisão do Campeonato Paulista Sub20 da Federação Paulista de Futebol. Apesar da ausência no estadual profissional, o clube tenta respaldo em casos recentes, como da Esportiva Itapirense, que, em 2017, disputou e foi até campeã sub20 mesmo ausente da Bezinha na temporada.

O time é comandado por José Antônio Liberato, mais conhecido como Maisena. Ele está no Sapão desde o fim do ano passado. Foi o responsável pela montagem do elenco sub23, que estava pronto para disputar a Bezinha. O treinador, que possui passagens por clubes como o Tupã, Amparo e clubes do Paraguai, atuou como meia-atacante, vestindo camisas de América de Rio Preto, Inter de Lages-SC, entre outros.

O grupo gestor também anunciou a promoção do 1º Mundialito de Futebol Reviva Mogi. Jaime Marcelo, um dos investidores do clube, chegou a afirmar ao GRANDE JOGADA a intenção de reunir 32 clubes em um torneio que teria um mês de duração. O empresário destacou que já estavam confirmadas as presenças de clubes como Porto, Braga e Benfica, de Portugal, além de agremiações da quarta e quinta divisão da Alemanha. Porém, não há novas informações sobre a realização da competição, que teria o estádio Vail Chaves como uma das sedes, além de campos municipais de Mogi Mirim e Mogi Guaçu.

ESTÁDIO

Desde 2015, quando Luiz Henrique de Oliveira, o dirigente apareceu mais vezes falando em vender o estádio do que em liberá-lo para jogos. Entre 2017 e 2018, o Mogi entrou em campo 30 vezes como mandante e 16 destas partidas ocorreram longe do Vail Chaves. Um caminho fácil para afastar o torcedor. Há ainda dois W.O na lista de duelos em casa (um em que os jogadores não entraram por falta de salários e outro, que aconteceria em Itapira e só não ocorreu porque a diretoria não cumpriu o prazo para indicar um estádio, já que o Vail estava interditado).

A Federação Paulista de Futebol exige que estejam em dia os documentos da vistoria de engenharia, segurança, prevenção e combate de incêndio, condições sanitárias e de higiene e o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). Os documentos do Mogi venceram, pela primeira vez, em 2016. A diretoria descumpriu prazos e o clube fez quatro partidas da Série A2 de 2017 fora de casa, terminando rebaixado para a A3. Na Série C daquele ano jogou a maioria (8 a 1) dos jogos em Mogi e, por coincidência ou não, este foi o único torneio em que o clube não foi rebaixado sob a batuta do ‘Clã Oliveira’. Na Série A3 de 2018, todas as partidas como mandante aconteceram em Itapira e, na Série D, o clube atuou em Águas de Lindóia e em Limeira. No último jogo profissional na sua verdadeira casa, a presença de torcedores foi vedada, devido à interdição.

Post Author: Lucas Valério

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