Que este sentimento jamais seja sequestrado novamente

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Do quase irrelevante gol de Paulão, em 1997, diante do São Paulo ao 0 a 0 saboroso do acesso à A1, em 2008. Dos gols de pai e filho, Rivaldo e Rivaldinho, diante do Macaé, em 2015 ao show de Henrique Dourado diante do Botafogo-SP, em 2013. As defesas de Mauro no acesso à Série B, em 2014. Ou os gols de Dênis Marques, no acesso à Série B, em 2001. A frustração com os erros de arbitragem na semifinal em que o Sapo eliminaria o Peixe de Neymar Jr. e companhia. Não importa quais são as suas lembranças. Este é um bem que jamais será tomado de você por outro ser humano. A velhice ou outros males podem até apagar as memórias, mas, enquanto a saúde permitir, eu quero mesmo é lembrar cada momento vivido nos lugares que me dão prazer.

E, para muita gente, o sentimento é o igual ao meu quando se está no estádio Vail Chaves. Foi naquele gigante de cimento que vi meu primeiro jogo profissional de futebol. Sempre fui um apaixonado pelo esporte e o Sapão sempre teve um espaço de carinho em meu coração. Aos poucos, as sagas de torcedor se transformaram em suor na busca pelo ganha pão. O Vail Chaves é uma das minhas casas. Assim como de tanta gente. E o prazer em assistir, a trabalho ou à paisana um jogo do Mogi Mirim Esporte Clube em sua quase centenária casa é um sentimento que ninguém pode sequestrar novamente.

No domingo, dia 16 de junho, mais de 500 pessoas, entre pessoas a lazer e a trabalho, assistiram o retorno do Sapo ao seu palco original. O nível da São Paulo Cup é completamente questionável? Lógico. E mesmo longe do alto padrão que o clube já pertenceu um dia, foi uma partida agradável, com a apresentação à torcida de bons valores, como lateral-direito Carlão, o meia Luquinha e o atacante Pablo Fumaça. Além disso, vitória mogimiriana por 2 a 0. Mas, mesmo com bola rolando, há ainda uma necessidade de vitórias fora das quatro linhas para que o futebol volte a ser a pauta absoluta do Sapão.

Depois de ver o clube rodar por estádios de cidades como São Paulo, Limeira, Itapira e Águas de Lindóia, os alvirrubros voltaram a assistir uma partida nas arquibancadas do Vail Chaves. A liberação do estádio, interditado desde o final de 2017, foi um dos passos mais importantes neste processo de reconstrução do Mogi. Se tudo transitar dentro do normal, os alvarás, válidos por pelo menos um ano, estarão ativos em janeiro, quando ocorre o Congresso Técnico para a participação na Segunda Divisão do Campeonato Paulista de 2020. Nos bastidores, cantam a bola de que a reunião de duas semanas atrás, com o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, rendeu bons furtos e que há até mesmo o aval para a entrada do Sapo na Segunda Divisão do Paulista Sub20 ainda neste ano. Ou seja, mesmo sem ser profissional, é a chance do clube não passar um ano todo sem competições da entidade máxima do futebol paulista.

São etapas de um processo de reforma. Em poucos anos, a história mais que centenária foi destruída. A tentativa de assassinato segue em curso e, para evitar que o pior aconteça, a mobilização precisa ser cada vez maior. Assim como a fiscalização. Os atos passados de Luiz Henrique de Oliveira e seus comparsas na diretoria não podem ser esquecidos apenas pela volta do rolar da bola. Até porque o pior presidente da história de um clube de futebol do Brasil segue com a caneta na mão. E é ano de eleição. É ano de por em xeque quem tem mais força. As vans oriundas de Guarulhos ou os cidadãos que moram e vivem de perto o Mogi Mirim EC.

Além disso, é preciso ficar atento a todos os movimentos do atual grupo gestor. Todas as figuras que hoje dominam as dependências do estádio estão, no momento, com crédito. E a balança que mostrará o lado deles nesta história depende totalmente do trabalho desenvolvido. Se houver integridade e manutenção dos passos rumo à reconstrução, que sejam adotados como filhos de nossa terra. Se caminharem para o mesmo poço de ganância e dilapidação de figuras ingratas a Mogi e ao Mogi, que recebam o mesmo carimbo de gado. O que não dá mais é olhar de forma passiva para aqueles que tomam a dianteira deste patrimônio histórico da cidade. Não podemos deixar que sequestrem novamente o sentimento de vibrar ou sofrer com o que rola dentro das quatro linhas e não com as desgraças registradas fora delas.

Lucas Luís Valério é jornalista, formado em 2009 pela Universidade Paulista. É sócio-proprietário do jornal GRANDE JOGADA e publica esta coluna todas as segundas, quintas e domingos

Foto: Futebol de Campo

Post Author: Lucas Valério

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