Técnico itapirense é campeão da Jr. NBA

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Um dia após o Toronto Raptors derrubar uma dinastia de três temporadas seguidas do Golden State Warriors, o clima de basquetebol norte-americano seguia completamente vivo no Brasil. E não necessariamente com torcedores da franquia canadense, pela primeira vez campeã do ‘Melhor Basquete do Mundo’. A Graded School, na Vila Andrade, em São Paulo (SP), sediou as finais da Jr. NBA League e um itapirense esteve entre os protagonistas da noite.

Rodrigo Guedes do Prado comandou o Saint Paul’s na conquista inédita de campeão da competição. Em sua terceira temporada o formato, a Jr. NBA League é promovido no Brasil pela própria NBA e reúne alunos na faixa de 12 a 14 anos, de escolas particulares e públicas, além de projetos sociais ligados à modalidade. No total, 48 equipes participaram da edição 2019, sendo 30 no masculino e 18 no feminino, com um número aproximado de 700 crianças envolvidas na competição. A plataforma já está em mais de 20 países como Espanha, Sérvia, Rússia, Congo, Itália, Quênia, Turquia, Argentina, México e Inglaterra.

Em entrevista exclusiva ao GRANDE JOGADA, o treinador itapirense revelou que a sua equipe não entrou como favorita ao título. “Não éramos nem de longe uma das favoritas ao título. Antes de começar, a gente se preparou bem, eu estava feliz com o trabalho que eles estavam fazendo e de uma certa forma, para os playoffs, a gente tinha chance de chegar sim”, explicou. A chegada ao título foi uma saga digna de roteiro de filmes de Hollywood ou de séries do Netflix.

Guedes celebrou o título inédito na Jr. NBA League | Foto: Divulgação

Antes de falar dos resultados, importante citar que Guedes completou recentemente 20 anos como professor de basquete. Em agosto, será a vez de chegar a 15 anos lecionando a modalidade no colégio Saint Paul’s, situado em São Paulo (SP). Basketball Headcoach da escola particular paulistana, Guedes afirmou que a preparação teve início meses antes, com a realização de cinco amistosos. Em sua terceira participação em três temporadas da Jr. NBA League, o Saint Paul’s passou pelo combine, uma fase de avaliações físicas e técnicas dos jogadores e equipes. Depois, no draft, realizado no dia 17 de abril, conheceu a equipe que iria defender em 2019.

Cada escola representou uma franquia da NBA e o colégio comandado por Guedes ficou com o San Antonio Spurs, uma das equipes mais vitoriosas da história da liga norte-americana de basquete. Na temporada regular (regular season), integrou o Grupo 2 e estreou com uma vitória por 27 a 25 sobre o Colégio Notre Dame Rainha dos Apóstolos (Milwaukee Bucks). Na sequência, venceu o Instituto Brazolin (Indiana Pacers) por 31 a 9. Depois, vitória por 25 a 12 diante do Colégio Stella Maris (Houston Rocktes). Na quarta rodada, venceu a Escola Castanheiras (Washington Wizards) por 30 a 8 e fechou com um triunfo por 33 a 24 diante do Colégio Imperatriz Leopoldina (Boston Celtics).

A classificação na chave foi com o primeiro lugar e 100% de aproveitamento. Chegou então a hora dos playoffs no Grupo A. No dia 1º de junho, venceram o Colégio Dante Alighieri (Utah Jazz), considerado um dos fortes concorrentes na briga pela taça. Porém, no mesmo dia, o primeiro revés. A derrota por 28 a 18 diante do Colégio Albert Sabin (Toronto Raptors) deixou a situação desconfortável para o time dirigido pelo itapirense.

Ao lado dos alunos do colégio Saint Paul’s, Guedes visitou os estúdios e participaram de um programa do canal esportivo, ESPN | Foto: Divulgação

No segundo dia de playoffs, 8 de junho, o Saint Paul’s venceu o Colégio Pentágono por 31 a 14. Começou então a torcida pelos outros times. Ou contra os rivais. Como havia batido o Saint Paul’s, o Albert Sabin aparecia como favorito para ir às finais no Grupo A. Porém, a ‘secada’ começou a funcionar, já que o Sabin perdeu por 40 a 20 para o Mackenzie, que também aparecia como concorrente pela vaga. No confronto direto, vitória do Saint Paul’s sobre o Mackenzie por 28 a 19 e aí o cenário do último jogo da rodada foi dramático.

O Dante Alighieri estava eliminado e teve pela frente o Sabin que, se vencesse, empataria com o Saint Paul’s e passaria pelo triunfo no confronto direto. Só restava à equipe comandada por Guedes assistir da arquibancada. E torcer. “A gente no esporte sabe que torcer para um time eliminado para você se classificar é muito ingrato. Foi algo que gerou uma tensão extra por parte de todo mundo e, de certa forma, valores do esporte, porque se ganhassem, ajudariam uma equipe que, queira ou não, iria eliminá-los”, frisou o treinador itapirense.

“O Dante jogou pra caramba, liderou o jogo inteiro, chegou a abrir 10 pontos. Estas vantagens no basquete, elas ficam grandes e o tempo é corrido. Qualquer vantagem, se bem administrada, se torna crucial. O Dante foi mantendo e o Sabin, faltando quatro minutos, baixou para dois pontos a diferença. Só que o jogo se tornou, como falam, um basquete selvagem. Era uma correria  e a gente com o coração apertado na arquibancada. E aí faltando um minuto, o Dante abriu seis pontos e começamos a respirar e quando acabou, foi uma alegria absurda”.

A final, teoricamente, era para ser com o Colégio Amorim. Mas, havia uma irregularidade e o Colégio Amorim foi eliminado, dois dias antes da final e a decisão acabou sendo diante do Colégio Bandeirantes, que possui uma certa rivalidade com o Saint Paul’s no basquete e que ostentava o status de atual campeão. Ostentava. Na decisão, vitória do time treinado pelo itapirense por 27 a 21 e festa na Graded Scholl.

Premiação ocorreu durante a NBA House, evento oficial da liga norte-americana, realizado em São Paulo (SP) | Foto: Divulgação

FEMININO

No feminino, o Saint Paul’s foi o terceiro colocado na Jr. NBA League. O Recanto Verde Sol venceu Albert Sabin/Toronto Raptors na decisão. Após empate em 11 a 11 no tempo normal, a partida foi para a prorrogação e terminou com triunfo do Recanto por 16 a 15, com direito a um lance livre convertido nos últimos segundos. Assim, a equipe festejou o bicampeonato. A cerimônia de premiação dos campeões e destaques foi no domingo, dia 16 de junho, na ‘NBA House 2019’, realizada em São Paulo.

ITAPIRA

Guedes, como é conhecido em Itapira, iniciou a carreira na cidade. Foi aluno de lendas como Paulo Roberto de Oliveira, Miguel Arruda e Valdir Barbanti. “O Paulo, por exemplo, tenho uma eterna gratidão. Porque foi o cara que me proporcionou seguir atrás dos sonhos e se hoje estou onde estou, devo muito a ele”, relatou. Filho de José Armando do Prado, já falecido, e Benedicta Guedes do Prado, a dona Lelo, Guedes é cria da região da Vila Bazani/São Vicente.

Constantemente com a família, que reside nas proximidades da rua da Penha, mantém vínculo com a cidade também através de uma pequena criação de gado no bairro rural do Machadinho. “Eu sei que este feito mostra sim, para os atuai salinos da cidade, que é possível fazer uma carreira. Só que, para isso, você não pode ter medo de fazer voos maiores. Tem que olhar para frente e entender que um dia o limite de município tem que ser batido, se quer alguma cosia realmente em relação ao esporte. Independente se vai ser jogador, basquete ou árbitro.

Guedes ressaltou que Itapira, assim como a grande maioria das cidades do país, ainda não tem o suporte que deveria ter para fazer um esporte de alto nível. “É algo que em nossa cultura é carente. Porque nos EUA qualquer lugar que você vai tem o alto nível a ser executado. Aqui no Brasil você pode trabalhar a vida inteira e dependendo de onde estiver vai ficar escondido lá e nossa cidade tem muito talento, tem muito valor”.

Post Author: Lucas Valério

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